A designer Baba Vacaro está no rádio

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Sempre que o assunto é design, é natural pensarmos em imagens. Mas e se os traços, cores e texturas ficarem somente na nossa imaginação? Este é o desafio do programa Arquivo D, da rádio virtual Dpot. Nele, Baba Vacaro fala sobre design, decoração e arquitetura. E a falta de ilustrações é compensada por uma cuidadosa programação musical, feita pela própria Baba. Os programas são temáticos, sempre baseados na cultura brasileira e em suas influências. A designer já teve outras experiências no mundo da comunicação. Em 2010, Baba comandou o programaEldorado Design, na rádio Eldorado. É dela também o roteiro da série Casa Brasileira, do GNT. Hoje, tem o escritório Design Mix e é diretora de criação da Dpot. Confira o bate-papo sobre o novo programa: Casa e Jardim: Como é falar sobre design em um programa de rádio? Baba Vacaro: É um grande desafio, pois quando o assunto é casa pensamos em imagens. Estamos habituados com revistas, livros e até programas de televisão sobre o assunto, sempre ilustrados. Já o rádio é um exercício para a imaginação. Temos que fantasiar como pode ser. A vantagem é que é muito mais subjetivo. Cada um vai ter uma imagem mental diferente. E claro que, como estamos na internet, é muito fácil você buscar por aquelas imagens enquanto ouve. Tudo que eu cito está no meu blog. É um estímulo para as pessoas conhecerem mais sobre o design brasileiro. Eu gosto muito do rádio, acho que ainda existe um encanto naquela voz que sai do aparelho. Me sinto uma contadora de histórias. CJ: Como as músicas te ajudam a ilustrar o que você diz? BV: O programa é sobre design e música. Por exemplo, quando falo sobre as capas dos discos da bossa nova, a cultura e o design da época são acompanhados pelas músicas deste estilo que eu amo. No programa sobre Portugal, nada melhor que uma seleção de fados. A música tem muito a ver comigo. É uma inspiração para a vida, faz bem. Como gosto muito, faço a programação musical. Entra bossa nova, música instrumental, rock. Mas sempre brasileiros, afinal a ideia é valorizar a cultura brasileira. CJ: O design está mais popular? As pessoas estão mais interessadas no assunto? BV: Desde o meu primeiro programa na rádio Eldorado eu percebo que as pessoas não se dão conta do quanto o design faz parte da nossa vida. O banco do avião precisa de um bom design para ser confortável. Está no dia a dia mesmo. Mas é claro que com a internet a informação ficou muito mais acessível. Com a rádio Dpot, por exemplo, você ouve boa música e programas de qualquer lugar do mundo, sem pagar nada por isso, sem espaço para comercial. E quanto mais as pessoas descobrem novas coisas, mais querem saber. CJ: O que mudou da época em que você começou a trabalhar com design? BV: Nos anos 80 as porteiras eram fechadas, não víamos o design de fora. Brinco que fazíamos tráfico de revistas na faculdade. Decoração era coisa de gente muito rica. Hoje, ficamos mais em casa, passou a fazer parte de nossa vida. O acesso à informação mudou muito. Sabemos de tudo, a qualquer hora. Isso estimula a criação. Claro que o avanço tecnológico também impulsiona o design.