A mostra BID 8|10|12 já começou – confira entrevista exclusiva com Ruth Klotzel, designer que fez parte da curadoria

Entrevista e texto por Julliana Bauer

 

 

A Bienal Ibero-Americana de Design, BID, exposição que acontece a cada dois anos em Madri, na Espanha, vem até o Museu da Casa Brasileira para mostrar o que houve de mais representativo em suas três últimas edições, nos anos de 2008, 2010 e 2012. Com curadoria de Ruth Klotzel e Giovanni Vannucchi, a mostra – “BID 8|10|12” – apresenta ao público brasileiro, pela primeira vez, 50 peças, 12 trabalhos digitais e 96 painéis, de 23 países, formando um panorama da recente evolução do design gráfico em produtos, moda, têxtil e design de interiores. A produção de design de países como Venezuela, Costa Rica e Equador poderá ser prestigiada pela primeira vez pelo público brasileiro. Além da exposição, que tem abertura no dia 16 de abril, o evento contará também com uma mesa-redonda no dia 17, que terá como tema “Re-conhecendo o Design Ibero-Americano”. Além da mediação de Ruth Klotzel e Giovanni Vannucchi, a mesa-redonda contará também com nomes como Levi Girardi, Gonzalo Castillo, Manuel Estrada e Marita Queiroz como convidados. Além de participar da curadoria da “BID 8|10|12”, a designer Ruth Klotzel é do Comitê Assessor permanente da BID, juntamente com Giovanni Vannucchi, e dirige o escritório de design Estúdio Infinito. Confira a entrevista exclusiva que o DesignBrasil realizou com a designer:    DesignBrasil: O que o público pode esperar da mostra?  Ruth: Acredito que a grande novidade este ano seja a oportunidade de prestigiar o design de lugares, vizinhos nossos, que nunca vimos. E de refazer um link com a nossa cultura europeia iberica.   DesignBrasil: O público brasileiro terá a chance de conferir a produção de países como Venezuela, Costa Rica e Equador e, como você mesma disse, ele ainda não havia tido contato com o material vindo desses países. Por que isso acontece, em sua opinião?  Ruth: Acontece por várias razões e uma delas é que a formação em design no Brasil e na América Latina é pautada no design da Europa, principalmente. Talvez seja por isso que o público ainda não conhecia o trabalho dos “vizinhos”, até por certo complexo de inferioridade com o qual sofríamos até um tempo atrás. Isso está mudando e estamos tendo uma visão melhor de nossa cultura, do nosso potencial de design. Essa mudança de postura vem com um esgotamento e com uma desilusão em relação aos caminhos que até então considerávamos ideais. Estamos aprendendo a nos valorizar, a valorizar o cuidado com o meio ambiente e o design que contempla o cidadão comum e a sociedade como um todo.  DesignBrasil: Tem algo em especial que você destacaria na edição deste ano?  Ruth: Tudo é especial. Tudo o que foi escolhido pela curadoria para a mostra não está ali à toa. O público deve prestar atenção em alguns aspectos que nortearam essa escolha. É importante prestar atenção não só no design de grife, mas contemplar o design como atitude de vida, ver aquele design que está atento às necessidades humanas – é claro, o de luxo tem seu papel na economia, mas há situações nas quais o design é determinante na vida das pessoas, como em artefatos agrícolas ou na produção industrial de massa. Há também o casos de design atento às dificuldades, contemplando deficientes visuais, pessoas com capacidade de locomoção reduzida, ou seja, soluções que contemplam a sociedade como um todo, que vão além do fetiche ao qual o design muitas vezes é associado.  DesignBrasil: Ao longo de sua carreira, você observou alguma transformação no design brasileiro em especial que seja motivo para orgulho, em sua opinião?  Ruth: Tenho orgulho em perceber como o nosso trabalho ganhou importância internacional. Não fazemos design brasileiro – fazemos design. Sou formada há 31 anos e, especialmente nos últimos 20, vi essas mudanças acontecendo.  DesignBrasil: Tendo atuado como educadora na área, que dicas você daria a estudantes de design?   Ruth: Seria pretensioso eu querer dar dicas. A vantagem de quem já tem experiência é a da quilometragem rodada, mas os jovens são a semente da novidade. Acho que se fosse pra dar dicas, seria a para que o jovem tenha confiança no próprio trabalho – acreditando inclusive em ideias que possam parecer absurdas em um primeiro momento. Acho importante também que os jovens observem o seu meio, sua cultura, sua sociedade, tudo o que está à sua volta. Ah, e nunca ter preguiça! Para fazer algo bem feito, em qualquer área, é necessário ter muita vontade e muito trabalho.  Serviço Exposição “BID 8|10|12”  Local: Museu da Casa Brasileira – Av. Faria Lima, 2.705 – Jd. Paulistano – São Paulo Data: de 16 abril a 16 de junho de 2013 Horário: de terça a domingo das 10h às 18h Mesa redonda Re-conhecendo o Design Ibero-Americano Data: 17 de abril, às 19h30 Fone: 11 3032-3727www.mcb.org.brwww.twitter.com/mcb_org