A revolução do design thinking

O termo design thinking é normalmente atribuído a Peter Rowe, professor de Arquitetura e Desenho Urbano na Universidade de Harvard, pelo livro que publicou em 1987. A origem desta nova forma de pensar está associada a Herbert Simon, Prémio Nobel da Economia em 1978, Rolfe Faste, diretor do Programa de Desenho de Produto na Universidade de Stanford e David Kelley, fundador da Ideo.

Desde 2009, multiplicaram-se os livros sobre design thinking aplicado à gestão, com especial destaque para Tim Brown, CEO da Ideo, e Roger Martin, diretor da Escola de Gestão da Universidade de Toronto.

Dada a natureza interdisciplinar e difusa do conceito, é preferível explicar design thinking por intermédio de cinco metáforas: lógica, sistema, processo, inovação e organização. Enquanto lógica, envolve pensamento analítico e intuitivo para reenquadrar situações problemáticas que o método científico não consegue resolver. Em particular, implica a invenção de causas e mecanismos causais não existentes para produzir efeitos desejados pelo ser humano.

Enquanto sistema, envolve três constrangimentos em simultâneo: a desejabilidade humana, a possibilidade técnica e a viabilidade económica. É a harmonia entre estes três constrangimentos, além do permanente constrangimento temporal, que
distingue o verdadeiro desenho de excelência.

Enquanto processo, envolve inspiração, ideação e implementação. Estas três fases, por seu turno, desdobram-se em passos e técnicas cuja prescrição varia com o autor. A inspiração pressupõe investigação histórica, etnográfica e fenomenológica.
A ideação pode incluir brainstorming, prototipagem, bodystorming,storyboarding, cenários e feedback dos utilizadores. A implementação tenta refinar o custo, a produção, o controle de qualidade e a manutenção daquilo que é inventado.

Enquanto inovação, é centrado no ser humano e permite às organizações gerirem um portfólio de quatro tipos de projetos. Para utilizadores atuais, projetos de gestão incremental que atualizam a oferta atual (e.g. novo modelo do mesmo carro) e
projetos de extensão evolucionária que criam novas ofertas (e.g. carro elétrico). Para novos utilizadores, projetos de adaptação evolucionária que adaptam a oferta atual (e.g. carro micro) e projetos de criação revolucionária que criam novas ofertas (e.g.nova forma de transporte).

A criação revolucionária é a forma menos comum de inovação mas a mais apetecível, dado que cria novas indústrias também conhecidas como “oceanos azuis”.

Finalmente, enquanto organização, o design thinking requer compromisso por parte da gestão de topo e co-criação de novas heurísticas e algoritmos com base em workshops interdisciplinares, projetos-piloto e espaços dedicados. Odesign thinking
assume-se, pois, como uma nova forma de pensar e de inovar que promete revolucionar a forma como indivíduos, organizações e comunidades resolvem os seus problemas. Uma revolução de que Portugal bem precisa.

Ricardo Morais: Professor de Gestão e Estratégia da Universidade Católica Portuguesa, no Porto. O autor escreve segundo o Acordo Ortográfico.

Fonte:http://www.publico.pt/economia/noticia/a-revolucao-do-design-thinking-1601137