A vez do design

*Com informações do Estadão e do G1

Uma pesquisa divulgada pela Conferência Nacional da Indústria (CNI) no último dia 3 mostra que o quadro de exportações do mercado brasileiro está perdendo espaço em um cenário internacional no qual a China não pára de crescer. Os números mostram que 67% das exportadoras brasileiras que concorrem com os produtos chineses estão perdendo clientes, e 4% já não exportam mais. Além disso, 45% das empresas nacionais que competem com a China perderam participação no mercado doméstico brasileiro.

A sondagem da CNI foi feita com 1529 empresas do país em outubro do ano passado, e este quadro retrata a realidade de quase 30% das empresas brasileiras e mais de 50% das exportadoras – as consideradas competidoras diretas do mercado emergente oriental. Os setores industriais que sofrem as conseqüências com maior intensidade são: material eletrônico e de comunicação; têxteis; equipamentos hospitalares e de precisão; calçados; máquinas e equipamentos.

Com base na atual situação, metade das empresas afirmou já ter definido estratégias para enfrentar a concorrência chinesa: entre as medidas propostas, o investimento em qualidade e design dos produtos como fator agregador de valor foi assinalado por 48% das empresas.

O Governo brasileiro também trabalha com o incentivo de algumas medidas que movimente o setor de exportações. A próxima fase da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), por exemplo, terá atenção especial sobre setores com potencial para aumentar as exportações. Além do foco previsto da Política na indústria do petróleo, a PDP vai priorizar setores industriais com forte valor agregado.  

O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Alessandro Teixeira, acredita que um dos segmentos que seguramente serão beneficiados pelo novo conjunto de iniciativas é a indústria de máquinas e equipamentos para a área médica e odontológica. “Esse setor vem aumentando muito as exportações”, afirma.

Além disso, as indústrias de caminhões e carretas e de calçados deverão contar com incentivos dentro da PDP. “A indústria calçadista tem enfrentado forte concorrência dos produtos chineses, mas pode ganhar mercados por meio da agregação de valor, de design”, acrescentou Teixeira.

O secretário também destacou o potencial de crescimento da indústria de plásticos obtidos a partir de fontes renováveis. “Temos uma janela de oportunidade com os plásticos orgânicos, com a possibilidade de inaugurarmos um novo setor de plásticos biodegradáveis”, afirma ele.

Com o valor agregado do design nos produtos brasileiros, os profissionais da área, já em crescimento, se encontram em um momento propício para expansão e investimento em projetos e produtos para exportação, além de empreendimentos com foco no mercado internacional.

Sobre as possibilidades, otimistas para a realidade do design no Brasil, algumas perguntas, ainda sem respostas, nascem como incentivo e reflexão a todos que se relacionam com a área: será, agora, o momento e a vez do design brasileiro? Serão estas iniciativas o impulso necessário para o desenvolvimento industrial e a gestão do design caminharem juntos?

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1 Comentário

  1. rmarte disse:

    Em visita a uma grande loja de São Paulo para comprar uma cadeira de escritório constatei que, cadeiras basileiras são confortáveis, muito bem acabadas, mas conservadoras demais. Como são de qualidade, são caras. As cadeiras mais bonitas, com projetos modernos, porém muito longe de serem bem acabadas e baratas eram chinesas. Falta pouco para termos um produto que bata os chineses, ninguem quer comprar um produto que será utilizado 8, 10 e até 12 horas num escritório que traga malefícios para o corpo só porque é barato mas bonito. Agora se o produto nacional além de qualidade tiver um bom projeto, mesmo custando alguns reais mais barato, não ficará na prateleira concorrendo com uma cadeira que parece ter sido montada na matelada, mesmo bonitinha.