Adélia Borges é escolhida curadora da Bienal Brasileira de Design em Florianópolis

 

 

          Adélia Borges, jornalista, professora de história do design, autora de diversos livros sobre o tema e ex-diretora do Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, foi escolhida pelo Comitê de Orientação Estratégica da Bienal (COEB) como curadora da V Bienal Brasileira de Design, em maio de 2015, em Florianópolis.

          O tema da Bienal já estava escolhido previamente, “Design para todos”. Adélia afirma que “esta é uma questão muito oportuna”, pois “no Brasil ainda persiste uma visão de que o design é algo elitista, voltado para as classes sociais de maior poder aquisitivo. Também há uma compreensão equivocada do design como um acessório cosmético, algo como a cereja em cima do bolo”.  

          Segundo a curadora, num país com tantas desigualdades sociais, “é preciso discutir o conceito de design para todos, ou design acessível, de forma a incluir também a questão do projeto voltado para as faixas da população mais emergentes economicamente, garantindo assim o alcance democrático do design”.

          Adélia Borges tem grande experiência na área. Foi curadora de exposições em Amsterdam, Buenos Aires, Milão, Paris, Tóquio e outras grandes cidades do exterior. No Brasil, dedicou-se a exposições em espaços como Masp, MAM, Paço Imperial, Museu Nacional e Sesc Pompéia. Em 2010, foi a curadora da Bienal Brasileira de Design realizada em Curitiba.

          Com esta bagagem, seu papel será o coordenar um conjunto de exposições que tenham uma representatividade nacional. Ela pretende também equilibrar a dimensão internacional do evento com a necessária empatia com o Estado que o recebe – Santa Catarina. “Os catarinenses têm o quarto estado mais industrializado do Brasil, uma produção rica e diversificada e o melhor índice de desenvolvimento humano do país”, destacou.

          O próximo passo da curadoria é a elaboração do projeto, fase que deve encerrar apenas em abril. Até lá, serão definidos a exposição principal, a inclusão de um módulo internacional, as outras exposições e seus respectivos curadores, além da realização de pesquisas junto a profissionais e escritórios de design em todo o país, para posterior seleção dos trabalhos.

 

A Bienal

 

          A BBD tem o objetivo de apresentar o melhor da produção de design nacional no período e, com isso, aumentar a percepção consciente do público sobre a presença do design em seu dia-a-dia. Dessa forma, propicia a reflexão sobre o tema e promove a atividade como fator decisivo de competitividade para produtos e serviços.

         Desde a primeira edição na capital paulista, em 2006, a Bienal vem ganhando expressividade. A primeira edição, realizada em 8 mil metros quadrados no Parque Ibirapuera, reuniu 35 mil visitantes, que puderam conhecer 600 produtos. O número de produtos expostos dobrou em 2008, em Brasília, quando a mostra atraiu 40 mil visitantes.

         Em 2010, em Curitiba, a Bienal contou com nove mostras espalhadas por seis espaços, que incluíram pavilhões de exposição e parques e teve como temática central “Design, Inovação e Sustentabilidade”. Em 2012, foi realizada em Belo Horizonte, com o tema “Diversidade Brasileira”. Uma decisão estratégica definiu que a quinta edição ocorreria em 2015, em razão dos eventos esportivos que vão mobilizar o País em 2014 e 2016.

          A V BBD é uma iniciativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e do Movimento Brasil Competitivo (MBC), apoiada pela Apex-Brasil e Governo de Santa Catarina e promovida pela FIESC e pela Associação Catarinense de Design (SC Design). 

 

Novo livro

Em outubro, Adélia lançou também seu novo livro, “Móvel Brasileiro Contemporâneo”, em co-autoria com Paulo Herkenhoff e Rafael Cardoso. O lançamento aconteceu na Semana Design Rio e foi idealizado e coordenado pela FGV Projetos. A publicação tem o selo Aeroplano e é uma sequência do livro “Móvel Moderno Brasileiro”, já esgotado. Em 388 páginas, bilíngue e uma bela edição de arte, o novo livro traz a produção de 63 designers ou equipes atuantes hoje nas várias regiões do país – uma produção plural, diversificada e madura.