Adélia Borges lança o livro ‘Design + Artesanato: o caminho brasileiro’

A curadora, escritora e professora da história do design, Adélia Borges, lança no dia 19 de março em Curitiba o livro Design + Artesanato: o caminho brasileiro (Editora Terceiro Nome), que faz uma radiografia da revitalização recente do objeto artesanal brasileiro. Ela decorre da aproximação dos campos do design e do artesanato, atividades que até então eram vistas como em oposição e que hoje se complementam. Em comunidades espalhadas pelo país, iniciativas marcadas pelo empreendedorismo e pela inovação social trazem um novo impulso ao desenvolvimento sustentável local. Esse fenômeno vem ocorrendo, sobretudo, desde meados dos anos 1990, e a autora acompanha suas manifestações desde então, o que lhe permite analisar acertos e equívocos dos caminhos percorridos e fazer indagações para o futuro.

Fartamente ilustrado, o livro tem 240 páginas e edições em português e inglês. O patrocínio é do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da agência de publicidade Leo Burnett Taylor Made (LBTM), com apoio do Ministério da Cultura por meio da Lei Rouanet.

“Não há um procedimento padrão ou receituário para as ações de revitalização do artesanato – e nem poderia ser de outra forma, já que diferentes situações exigem diferentes respostas”, diz Adélia Borges no livro. “Se não há uma resposta única, há alguns pressupostos. A constatação e a análise do que pré-existe num determinado lugar são condições indispensáveis para traçar uma estratégia de trabalho, caso a caso”.

Com quase três décadas de dedicação ao estudo do design, Adélia Borges faz uma análise meticulosa das ações desenvolvidas em todo país e contribui para enfraquecer o preconceito que atribui conotação de inferioridade ao que é feito à mão e de superioridade ao que é projetado pelo intelecto.

“Numa visão mais ampla relacionada às políticas públicas, espero que o livro possa ajudar na disseminação pela América Latina de iniciativas de requalificação do objeto artesanal”, escreve a autora. “Temos pobreza sim, temos carências, muitas. Mas também temos um potencial que está em nossos materiais e na nossa capacidade de transformá-los, um capital individual e coletivo que pode ser transformado em capital social.”

Sobre o futuro do artesanato, Adélia Borges é categórica ao discordar dos que apregoam seu fim há décadas. “Os prognósticos de desaparecimento não se confirmaram. Há vários indícios, ao contrário, de que o lugar do artesanato na sociedade contemporânea está se expandindo”, escreve a autora. “Esse crescimento se lastreia não mais meramente na capacidade dos objetos de atender à sua função, mas na sua dimensão simbólica. Nessa ressignificação, o que passa a contar é a capacidade dos objetos de aportar ao usuário valores que vêm sendo mais reconhecidos recentemente, tais como calor humano, singularidade e pertencimento.”

Cerâmicas com motivos de pinturas rupestres no Piauí; cuias feitas de massa de papelão reciclado e fibras de bananeira em Minas Gerais; sementes de urucum utilizadas como corante de tecido no Amazonas; o avesso e o direito com igual importância em um tapete de nozinhos no Rio de Janeiro; flores feitas de couro de peixe no Mato Grosso do Sul; bolsas e cestos feitos de capim-dourado em Tocantins; a fauna local transformando-se em peças originais no Rio Grande do Sul. Esses e muitos outros casos, seus alcances, potencialidades e riscos, são o objeto da instigante análise de Adélia Borges.

O público potencial da publicação é amplo, englobando as pessoas que se interessam pelo design e pelo artesanato como expressões culturais e também aqueles que apostam no poder de transformação decorrente do empreendedorismo social e da economia solidária.

Sobre a autora

Adélia Borges tem uma atuação profissional estruturada em três eixos: os textos (para imprensa e livros), as exposições e as palestras e aulas. Jornalista pela ECA-USP, foi na direção editorial da revista Design e Interiores, de 1987 a 1994, que passou a se especializar em design. É autora ou co-autora de mais de 10 livros, entre eles “Designer não é personal trainer”, da Editora Rosari. Artigos, textos para catálogos ou capítulos de livros de sua autoria já foram publicados – além de português – em alemão, coreano, espanhol, francês, inglês, italiano e japonês.

Desde o início dos anos 1990 Adélia realiza exposições e projetos culturais, em vários locais do Brasil e do exterior. De 2003 a 2007 dirigiu o Museu da Casa Brasileira, em São Paulo. Em 2008, coordenou a equipe encarregada da elaboração do projeto conceitual do Pavilhão das Culturas Brasileiras, que ocupa o edifício projetado no início dos anos 1950 por Oscar Niemeyer, no Parque do Ibirapuera. Em 2010, foi curadora-chefe da Bienal Brasileira de Design.

Professora de história do design na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e na Escola São Paulo, Adélia faz palestras e já se apresentou em quase todos os estados brasileiros e quase duas dezenas de países em quatro continentes (América do Norte, América do Sul, Ásia, Europa e Oceania). www.adeliaborges.com