Best Bairro Brands: os pequenos ensinando os grandes

A Interbrand, empresa de consultoria referência em branding que divulga anualmente um ranking das marcas mais valiosas, estava à procura de uma abordagem inédita e provocativa para o ano de 2014. Foi quando uma locadora do bairro de Higienópolis, a HM Home Vídeo, fechou as portas. O que poderia ser um acontecimento banal em uma cidade onde estabelecimentos abrem e fecham todos os dias, causou comoção nas ruas da região, nas redes sociais e até em revistas e jornais de grande circulação. Todos pareceriam saudosos. Foi então que nasceu o ponto de partida para uma reflexão sobre como essas marcas de bairro angariam legiões de clientes fiéis e apaixonados.

O Best Bairro Brands, projeto da Interbrand que analisou empresas de São Paulo, mostra, de forma bem-humorada, o que as marcas de bairro têm a ensinar às grandes marcas. Os paulistanos indicaram – por meio das redes sociais – quais marcas de bairro consideravam as melhores. A partir daí, alguns critérios selecionaram as finalistas: autenticidade, comprometimento, consistência, clareza, capacidade de resposta, relevância, entendimento, diferenciação, proteção e presença. O resultado desse estudo é um livro de bolso que traz aquilo que as marcas locais fazem de melhor.

De acordo com Daniella Bianchi e Beto Almeida, diretores executivos da Interbrand São Paulo, foi possível constatar nessa pesquisa que as marcas locais funcionam como perfeitos ecossistemas. “É claro que é há vantagens em ser grande, mas as pequenas marcas são altamente mais consistentes, por exemplo. O cliente faz muito da marca – ele é ator protagonista na construção das experiências. Na maioria dos casos, o pessoal do bairro se sente meio ‘dono’ das marcas. Torce por elas, tem orgulho das suas evoluções e até chora quando acabam”, ressalta Daniella.

Outra vantagem percebida nos comércios locais é a proximidade do dono do negócio. “A mão do dono ainda está em tudo e por isso a marca ganha em autenticidade – o cliente percebe o diálogo, a transparência e a evolução da marca no produto, no serviço, em tudo. A marca de bairro sabe do que faz e fala. E não fala antes de fazer”, comenta Beto.

Um caso que ganhou notoriedade foi o do Cine Belas Artes. “Após o anúncio de que o tradicional cinema de rua fecharia em decorrência do aumento do aluguel do seu ponto, a sociedade civil se organizou em prol de sua reabertura. O buzz foi tamanho que a casa acabou reabrindo, para alegria dos cinéfilos paulistanos”, contou a dupla de diretores.

A repercussão do Best Bairro Brands foi tão positiva, que a Interbrand está avaliando como dar continuidade ao projeto, de alguma forma. O designbrasil espera que o estudo volte a acontecer e que os pequenos continuem ensinando os grandes!

Conheça mais sobre o projeto em http://www.rankingmarcas.com.br/downloads/Best_Bairro_Brand.pdf

e no vídeo abaixo:

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