Brasileiro ocupa Chair Member da Industrial Designers Society of America

idsaFelippe Bicudo acaba de ocupar o cargo na IDSA – Industrial Designers Society of America. O designbrasil conversou com ele para saber um pouco mais dessa novidade. Confira:

-Você concorreu a esse cargo com outros profissionais da área do design? 

IDSA é uma Associação de design e os Chair Members são os representantes de cada Estado na associação. Para ser aceito na posição, primeiramente o cargo tem que estar disponível (o que é raro), depois você deve se candidatar e entre os candidatos deve ser o com melhor background em design. Quem escolhe os Chair Members do Estado são os Representantes dos Distritos. No meu caso, foi o representante Distrito Oeste, que responde pelas regiões de Los Angeles, Arizona, Norte Oeste, São Francisco, Oregon e Rock Mountain.

– Como é essa ocupação no IDSA e suas atividades ligadas a instituição? 

Como Chair no Estado do Arizona, eu sou responsável por todos os Eventos da IDSA no Estado do Arizona e por manter a rede viva entre os membros. Temos eventos de encontros informais e tenho planos de criar outros eventos de âmbito nacional e internacional para o Estado. Também sou responsável por criar ações para o crescimento da presença da associação no Estado. Atualmente temos uma das melhores universidades de Design dos Estados Unidos aqui em Arizona, a ASU (Arizona State University) e muitos membros da Associação são estudantes. Muitos desses Estudantes acabam se mudando de Estado após terminarem a graduação e meu foco é em mudar esse histórico.

No aspecto internacional, a IDSA  tem planos de crescimento. Hoje temos um Chair Member na Índia e eu espero que no futuro podemos ter um representante no Brasil também, mas para isso precisamos de mais membros no Brasil. Hoje, a IDSA permite filiação de Membros Internacionais e eu recomendo os designers brasileiros a serem Membros. Os benefícios são vários, como desconto na taxa de inscrição e premiação do concurso internacional de design IDEA Design Award, acesso gratuito à revista INNOVATION, possibilidade de ser referenciado por carta direcionada a USCIS (Imigração Americana) no caso de solicitarem um visto de Imigração, bolsas de Estudo para alguns cursos e Universidades e descontos em eventos, conferências e encontros.

– Desde quando está nos EUA? 

Eu me mudei para os Estados Unidos em 2014.

Sobre meu histórico, eu trabalhei para a Índio da Costa Design no Brasil por quase 10 anos e junto com o Guto conquistei diversos prêmios de design sendo responsável por diversos projetos. Em 2012 Iniciei minha empresa no Brasil, a Bicudo Design e então em 2014 resolvi fazer uma longa viagem para os Estados Unidos e para o Canada trabalhando remotamente para meus clientes no Brasil com o intuito de aperfeiçoar meu inglês.

Foi quando recebi a proposta da VSN Mobil (Uma startup em tecnologia), para a posição de Sênior Industrial Design. Eles aplicaram para o meu Visto e me mudei para a Florida. Sobre o Visto, devido ao meu background de diversos prêmios de design no Brasil e Internacionalmente (hoje acúmulo cerca de 27 prêmios de design), os advogados indicaram a empresa a aplicar para o Visto de Habilidade Extraordinária (O1-VISA) e fui aprovado depois de 2 meses.Felippe Bicudo - RGB

Trabalhei para a VSN por quase 2 anos, e a empresa se uniu com a 360fly, pela qual trabalhei por um pouco mais de 2 anos. A cerca de 4 meses, recebi a proposta para ser Diretor de Design em uma consultoria aqui no Arizona, chamada ATOM Innovation e eu me mudei para o Arizona.

No meio de toda essa história, no final de 2014, vale ressaltar, conheci minha atual esposa aqui nos Estados Unidos e no final de 2016 nos casamos.

– Na sua opinião, qual é a diferença entre o design brasileiro e o americano? 

Eu acho que no século passado muitos países tinham essa “linguagem” de design definida. Ouvia muito se falar em Design Italiano (marcado pelos carros, móveis italianos), Design Alemão, Design Dinamarquês, Design Japonês, Design Americano (os carros principalmente, Mustang, Camaros, etc.) e nunca se ouviu muito sobre Design Brasileiro. Esse século, o Brasil começou a aparecer no cenário internacional, porém, eu não acredito que nos Estados Unidos trabalhamos atualmente em criar ou manter a linguagem do Design Americano, trabalhamos mais em um Design Universal. Isso é muito fruto do Business por aqui também, as empresas no Estados Unidos criam produtos para o mundo, não para um mercado restrito. Muito do Design moderno e termos como Design Thinking, Strategical Design, Integral Design surgiram aqui, nos Estados Unidos. Acho que o Brasil deveria ir para o mesmo caminho, buscar essa linguagem Universal e acredito que dessa forma vamos começar a ver a diferença não nos livros de design e sim nos números das empresas brasileiras.

Em relação a Educação, afirmo, os principais cursos de Design do Brasil (Belas Artes, FAAP, PUC-Rio e Instituto Europeu), não estão muito atrás com qualquer faculdade dos Estados Unidos ou Europa. Vemos hoje muitos profissionais formados em universidades brasileiras atuando ao redor do mundo. E acredito que as grandes consultorias de Design do Brasil estão também preparadas para concorrer com consultorias de design dos Estados Unidos ou Europa. Nós brasileiros, temos o conhecimento, precisamos buscar a melhor maneira de utilizá-los.