Centro Brasil Design – 14 anos promovendo o design no Brasil

 

No próximo dia 29, o Centro Brasil Design completa 14 anos. Quando começamos a pensar em escrever um texto sobre o aniversário, passamos um bom tempo nos batendo para achar alguma relação especial com o número 14. Ainda não conseguimos – é um ano antes dos 15 necessários para uma debutante e quatro anos cedo demais para atingir a maioridade. Pois bem, o Centro Brasil Design pode até não ter idade para dirigir, mas certamente já acompanhou muitas mudanças e transformações do design brasileiro.

O Centro Brasil Design teve inicio como um projeto estratégico do governo, quando Jaime Lerner era governador do Paraná. Naquela época, a instituição ainda se chamava Centro de Design do Paraná, e, de acordo com a diretora executiva Letícia Castro Gaziri, na época foram contratados consultores para entender a real demanda do mercado e propor o que realmente seria significante enquanto uma instituição voltada à competitividade na indústria. O maior diferencial da consultoria foi seu posicionamento, já que o CBD trabalharia “pela demanda” diferentemente das outras instituições de classe já existentes no país e que trabalhavam em prol dos designers.

A equipe que formava o Centro de Design enfrentou uma série de desafios nos primeiros anos. A Marilza de Siqueira, coordenadora de projetos, conta que em 1999 o público ainda não sabia bem o que era design, dificultando a difusão e a compreensão das atividades da instituição por parte do público. Já em 2002, de acordo com Letícia, a instituição perdeu o apoio do governo quando este mudou de gestão, tornando-se totalmente independente. No entanto, isso fez com que o Centro de Design ganhasse mercado e também novos desafios, passando a atuar nacionalmente e em parceria com o governo federal. Foi a partir de sua atuação e resultados que ele adquiriu visibilidade e se tornou uma referência. Em 2005, o então Centro de Design do Paraná foi considerado o Centro de referência em gestão do design pela FINEP, e em 2009 firmou parceria internacional com o IF Design Awards.

De acordo com Geraldo Pougy, que foi um dos fundadores da instituição, o Centro Brasil Design desempenha um papel de exemplo, de modelo. “O Centro de Design mostrou grande capacidade de manter-se ativo em cenários desfavoráveis e às vezes de escassez, sem nunca ter deixado de entregar resultados”, afirma.

Transformações no cenário brasileiro

Juliana Buso, que é coordenadora de projetos e trabalha no Centro Brasil Design desde 2006, conta que teve a oportunidade de presenciar vários momentos importantes do design brasileiro desde que começou a trabalhar lá, quando ainda tinha o cargo de estagiária. “O CBD é hoje o escritório representativo de um dos maiores prêmios de design do mundo, o iF Design Awards, e a participação nacional e o número de premiados vem aumentando a cada ano. Considero isso como um amadurecimento no mercado, tanto na participação como no número de premiados”, conta Juliana. Esse amadurecimento do design brasileiro não fica claro apenas pelos resultados do iF. Os números do Museu da Casa Brasileira, que hoje é considerado o melhor e maior prêmio nacional, também mostram que participação e a procura por design brasileiro de qualidade têm aumentado. Claudia Ishikawa, que também começou a trabalhar na instituição como estagiária e agora é coordenadora de projetos, afirma que viu um amadurecimento do tema design na sociedade.

Pougy concorda. “Talvez a principal mudança tenha sido cultural: hoje em dia as revistas de negócios, empresários e mesmo o público em geral sabem o que é design. No campo institucional, a principal mudança foi o esvaziamento do Programa Brasileiro de Design.Mas surgiram coisas boas no lugar – a Bienal foi uma delas”, afirma.

Letícia destaca ainda que outro momento significativo foi a criação da ABEDesign, que contribuiu fortemente para a organização dos profissionais no Brasil e para fortalecimento do design.

A nova marca

Em 2012, a instituição deu um grande e importante passo quando passou a se chamar Centro Brasil Design. O novo nome veio reforçar uma atuação que já era nacional há tempos. Para Marilza, a mudança exigiu amadurecimento e coragem por parte da instituição, que sempre foi low-profile. Juliana Buso concorda, e afirma ainda que os valores da equipe foram fundamentais para isso. “O DNA da equipe é também o DNA do Centro”, conta.

A equipe, aliás, pode ter passado por mudanças naturais ao longo dos anos, mas quem já está por ali há algum tempo certamente tem muitas histórias para contar. Para Juliana Buso, uma das lembranças mais memoráveis aconteceu quando ela ainda era estudante de design: “Eu era estagiária e um dia eu cheguei para trabalhar e quem estava lá? Alexandre Wollner! Eu fiquei impressionada! Ele é considerado um dos principais nomes na formação do design no Brasil e estava ali na minha frente”, recorda-se. Naquele dia, a Ju teve a oportunidade de conversar com o ídolo e ver por que ele é tão renomado no cenário nacional.

E para os próximos 14 anos?

Um desejo comum a toda a equipe do Centro Brasil Design é que a instituição se torne referência nacional e internacional na promoção do design. Claudia afirma que pensar em planos em longo prazo é difícil para instituições como o Centro, mas que destacaria seu desejo de manter uma equipe eficiente, coesa e muito apaixonada. “Desta forma, todos os desafios, projetos e planos serão perfeitamente executados e realizados. Talvez essa seja o principal plano”, afirma.