Com a palavra, a mestre do design

 

 

 

 

Além de curadora da Casa Brasil, Maria Helena Estrada é crítica de design, jornalista e editora da revista ARC Design. Possui participações em diversas publicações nacionais e internacionais  e em 2012, a IV Bienal Brasileira de Design também esteve sob sua curadoria. Maria Helena há décadas é referência no país e no exterior em design de produtos.

 Confira com exclusividade a conversa que tivemos com Maria Helena sobre design, negócios, indústrias e o que esperar da Casa Brasil 2013:

1 – Como o design pode contribuir para a promoção de negócios na indústria?

Design é palavra da moda, toda indústria quer afirmar que o que produz “tem” design. Esta é a visão do design como adjetivo. Ao contrário deste, o design substantivo, ou seja, aquele que está baseado na pesquisa, nos projetos originais, no desenvolvimento de uma nova tecnologia de produção ou no uso de novos materiais, contribui para a promoção dos negócios e, de forma definitiva, para a imagem da empresa. Sem design, que é sinônimo de um projeto original, a empresa estará “brigando” apenas por preço. Qual a vantagem?

 

2 – O design nacional comparado ao produzido no exterior está em qual nível? Há condição de competirmos com o que é produzido pelo mundo?

Estamos chegando lá. Já existe no Brasil um número razoável de designers e indústrias que apostam no design. E temos órgãos do governo, como a APEX Brasil, de apoio  a esta faixa ainda restrita, mas em crescimento numérico e qualitativo. Mas enquanto não houver um crescimento do mercado nacional as indústrias não poderão investir em modernas tecnologias e, com isto reduzir preços e competir no mercado internacional.

 

3 – Como curadora da feira Casa Brasil, quais são os critérios que adotas para selecionar os trabalhos? 

Critérios para a seleção de expositores e de participantes das mostras culturais? Digamos que basicamente são os mesmos comentados nas duas respostas acima, mas levando em conta o momento e as possibilidades brasileiras. No que diz respeito aos expositores, procuramos algumas vezes conscientizá-los de que o projeto original, o design, é um bom investimento. Na parte ligada aos projetos culturais valorizamos os designers e as indústrias que já percorrem os caminhos da sabedoria, apostando no presente e no futuro.