Conheça o Invisible Design, projeto que leva o design a alunos com deficiência visual

Fonte : Julliana Bauer

O designer Ericson Straub coloca duas miniaturas de cadeiras sobre uma bancada e pede para que os onze alunos que estão sentados ao redor dela tateiem os objetos. Três pares de mãos então tentam tocar a miniatura de um móvel da época do Modernismo. “Vocês perceberam que o assento não é completamente quadrado?”, comenta um dos garotos. Ericson então conta a história da cadeira e pergunta se o objeto parece ter mais de cem anos. “Não, pois ela tem cheiro de capitalismo”, responde outro aluno, fazendo com que a sala toda caia na gargalhada.

Trata-se de mais uma aula do Invisible Design, projeto que é uma parceria entre Rodrigo Brenner, da Furf Design Studio, e do Instituto Paranaense de Cegos – instituição que foi fundada em 1939 com o objetivo de oferecer educação a alunos com deficiência visual. “É engraçado pensar em como a ideia do projeto surgiu, porque eu morei por muitos anos aqui em frente ao IPC e sempre via o pessoal jogando bola, até que um dia resolvi vir conhecer”, conta o designer. Ao longo da visita, ele ficou encantado com os alunos e conheceu o projeto Ver com as Mãos, iniciativa que desde 2012 tenta suprir a falta de acesso de ensino de artes para os alunos com deficiência visual. O programa oferece oficinas como música, dança, comunicação, fotografia e, há um ano, design.

A coordenadora do Ver com as Mãos, Diele Pedrozo Santo, explica que a oficina de design cresceu rápido – começou com quatro alunos, e agora já conta com doze, todos entre 13 e 26 anos. Para Diele, que foi uma das criadoras do projeto, as oficinas oferecidas pela instituição são uma chance de dar aos alunos o acesso a linguagens artísticas das quais as pessoas pensam que eles não participam. “A ideia é encher a cabeça deles de referências”, explica. E funciona. Os comentários dos alunos ao longo da análise dos objetos através do olfato e do tato mostram que eles estão rapidamente captando os ensinamentos do professor. Para trazer aos alunos outras referências e ideias, Brenner passou a convidar outros profissionais da área para que participem e planejem aulas, propiciando diferentes perspectivas. E foi assim que os alunos tiveram acesso a aulas sobre design de embalagens, design automotivo e design de moda.  “Eles já conhecem design sem saber o que é design, até que, durante as aulas, cai a ficha – ‘ah, então isso que é design! ’”, brinca.

Ericson foi um desses convidados e criou uma aula baseada em comparativos. Colocou, por exemplo, dois objetos com funções em comum, mas de épocas bem diferentes sobre a bancada – um laptop moderníssimo da Apple e uma máquina de escrever da Olivetti. Pedia então para que os pupilos descrevessem o que denunciava a diferença de idade entre os dois objetos. As respostas não tardaram a surgir: acabamento, material, tamanho, peso. Laura, uma das meninas mais novas do grupo, matou rapidamente a charada: “Esse laptop deve ser de última geração porque não tem nem espaço pra CD, ninguém mais usa CD, né?”.

Conheça melhor o Invisible Design: https://www.facebook.com/invisibledesignproject

 

invisible

Invisible Design: iniciativa quer mostrar que a parte mais bonita do Design é invisível.

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5 Comentários

  1. Patricia bianco disse:

    Inciativa incrível :) Parabéns a todos!

  2. Patricia bianco disse:

    Inciativa incrível :) Parabéns a todos!

  3. Maria helena puppi nascimento disse:

    É maravilhosO esse trabalho ! Louvável !!!