Design da informação é adotado na Resolução de Bulas de Medicamentos no Paraná

 

 

No infográfico, algumas das novas regras que deverão ser seguidas nas bulas no Paraná

 

 

O uso das lupas para a leitura de bulas de remédios está com os dias contados. Pelo menos para os paranaenses, que em menos de seis meses contarão com bulas com fontes, espaçamentos e imagens padronizadas – tudo para melhorar a leitura e compreensão da informação ali contida. A lei 17.051/2012, que foi assinada no dia 31 de janeiro pelo secretário de estado de Saúde do Paraná, Michele Caputo Neto, prevê o uso de design de informação nas bulas, que poderá mais tarde servir de referência para uma resolução nacional. A lei estabelece quatro modelos de bulas, que foram desenvolvidos em uma parceria da SESA com o Departamento de Design da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

De acordo com Carla Galvão Spinillo, designer que faz parte do Núcleo de Design da UFPR e que participou da elaboração dos modelos de bulas que serão adotados, a conquista mostra o potencial dos designers para trabalhar com projetos de contribuição social. “Nem os Estados Unidos, Austrália ou países da Europa possuem uma legislação como essa”, orgulha-se. Ela conta que a resolução é resultado de muitas pesquisas sobre o tema, mas que muito ainda pode ser feito para melhorar a usabilidade da bula para o consumidor.

Confira a entrevista com a designer:

 

 

O que mudará nas bulas?

Até então não havia uma preocupação com o entendimento da informação, será a primeira vez que a bula vai ter um foco na apresentação visual. As fontes terão boa legibilidade, haverá uma preocupação com o alinhamento do texto e espaçamentos entre os parágrafos. A hierarquia de títulos também será destacada, pois antes o uso da caixa alta em várias partes do texto impedia a articulação visual. E o legal disso tudo é que o design está saindo da posição de “ferramenta estética” para fazer parte de decisões num processo de gestão. Ele sai do operacional e parte para o estratégico. Isso não apenas é um avanço, como também uma conquista dos designers, que mostram que podem, sim, ser essenciais para o processo de gestão.

Há ainda mais melhorias que o design de informação possa propiciar às bulas?

Sim. Como nós trabalhamos com a perspectiva do usuário, conseguimos identificar algumas falhas. É preciso verificar a compreensão da bula pelos usuários e tornar isso uma obrigação legal. O número de pessoas que não conseguem interpretar as informações da bula é ainda muito alto, e isso precisa ser trabalhado. A ANVISA não realiza esse trabalho, não há estudos para verificar se a bula do medicamento será compreendida pelo paciente antes de um medicamento ser colocado no mercado. Seria essencial também que fossem realizados testes de usabilidade da bula, para avaliar a interação entre o usuário e o medicamento. Algumas pesquisas que realizamos entre 2006 e 2009 mostram que os pacientes têm dificuldades de utilizar principalmente as canetas de insulina e cremes vaginais. É um problema de tarefa. A pessoa lê a bula, a compreende, mas não consegue colocar em prática as instruções ali fornecidas.

De que outras formas o design de informação tem sido utilizado na área da saúde?

Ele tem sido muito comum no diagnóstico por imagem. A demanda está altíssima por esse tipo de profissionais no mercado, e infelizmente vemos esses espaços sendo ocupados por profissionais de outras áreas e, obviamente, sem a capacitação necessária, simplesmente porque temos uma escassez de designers especializados em design de informação no Brasil.

Como o design de informação está sendo absorvido no Brasil? Em que área os profissionais com esta formação têm se destacado?

Temos observado um “boom” no design de informação em grandes empresas em São Paulo, que estão recrutando esses profissionais. Mas o fenômeno é recente, pois foi só em 2003 que começou a se falar em uma organização da área do design de informação. Atualmente, ele é muito utilizado junto ao jornalismo, com a infografia jornalística, que embora tenha sido muito ligada ao design gráfico, na verdade é da alçada dos designers de informação.

Que caminhos você aconselha para estudantes que têm interesse em se especializar em design de informação?

No Paraná temos um curso de especialização na PUC. A USP, a PUC-SP e a ESDI também possuem cursos na área, e o design de informação está cada vez mais presente no currículo dos cursos de design. Há também congressos brasileiros de design de informação, e a área realmente está ganhando destaque.

 

 

Confira como será a bula magistral alopática: 

 

 

Abaixo, o modelo de bula alopática que será adotado para usuários com limitações visuais: