Design em movimento

*Por Murilo Gitel, para a Revista B+

Que a criatividade é uma das principais características do baiano não é novidade alguma. Imagine então como deve pulsar esse atributo no segmento de design. Foi justamente de uma iniciativa bem pensada que nasceu o movimento Design Baiano, criado em agosto deste ano, a partir de uma hashtag no Twitter.

Um dos idealizadores é o designer gráfico Felipe Arcoverde, 29 anos. Ele conta que já queria fazer algo pelo design há um bom tempo e foi quando a ideia de usar a hashtag #designbaiano teve uma boa resposta. “A partir dela, o designer Thiago Borba propôs a criação de uma Api (Application Program Interface) na rede social, pela qual criamos o site www.designbaiano.com.br“, explica Arcoverde.

Os principais objetivos do movimento incluem valorizar, divulgar e integrar os designers baianos, profissionais que hoje desenvolvem trabalhos em agências de publicidade, gráficas, escritórios de design ou mesmo como freelanceres, como é o caso de Augusto Leal, 24 anos, um dos integrantes da ação. “É uma iniciativa muito importante, porque ajuda a unir a classe, articular trabalhos, criar uma rede de trocas de informações, além de nos valorizar”, destaca Leal.

Profissional com experiência em design estratégico, Mário Bestetti, 43 anos, ressalta que a iniciativa pode ajudar a mudar a visão fragmentada do segmento na Bahia. “Não concordamos com segmentações, mas sim com uma entidade capaz de proporcionar a união”, defende. O designer lembra que a falta de unidade teria contribuído para o fim de uma entidade com propósito semelhante, a Associação Bahia Design, criada no início dos anos 2000. “Desde então, estávamos órfãos de um espaço para integrar os designers baianos, com o objetivo de trocar experiências”, completa Bestetti, que atualmente é dono de um escritório próprio, o Overbrand.

Felipe Arcoverde, que também é sócio-diretor da Person Design, lembra que a ideia inicial do novo movimento foi catalogar os designers da Bahia através da hashtag, que uma vez ‘twittada’ faz com que o seguidor seja incluído automaticamente na Api, ficando com a foto e as principais informações do perfil no Twitter em visibilidade no site. “Com o tempo, por meio de reuniões com pessoas que foram chegando ao grupo, nossa ideia foi aumentar isso, não ser só uma Api no Twitter, mas incorporar algo mais abrangente”, conta Arcoverde.

Designers baianos participaram recentemente da Conferência Livre de Design na Secult; Felipe Arcoverde (à dir.) é um dos idealizadores do movimento #DesignBaiano, (à esq.) o designer Augusto Leal

O movimento ganhou formaNa primeira semana de dezembro, a iniciativa ajudou a trazer para Salvador o designer Alexandre Wollner, considerado um dos principais nomes na formação do design moderno no Brasil. “Através do @designbaiano, entramos em contato com os responsáveis da Penso Eventos e eles nos disseram que, se sentissem um bom número de pessoas interessadas na palestra de Wollner, trariam o evento para Salvador. Então coloquei na rede: ‘Quem quer Alexandre Wollner em Salvador responda: eu quero!’. Nós tivemos uma aceitação grande. Foi uma forma de divulgar”, argumenta Arcoverde, que afirma que o movimento é aberto a qualquer designer ou pessoa ligada a área, inclusive estudantes. Atualmente, o grupo conta com mais de 120 seguidores no Twitter e 183 curtidores no Facebook.

Outra resposta positiva foi mobilização para que os designers participassem da Conferência de Livre Design, promovida pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult). “Fizemos uma divulgação em nossas redes sociais e conseguimos a presença 46 designers, o que surpreendeu a própria secretaria”, enfatiza Arcoverde. Já nos dias 1º e 2 de dezembro, os profissionais do setor participaram da Conferência Estadual de Cultura incentivados. Uma das reivindicações foi a de que o segmento passe a ser um eixo setorial ou uma subárea da Secult – atualmente, integra a subárea do segmento Serviços Criativos, que também pode ser considerada uma subárea, nessa estrutura.

“Não queremos ser vistos como uma subárea, mas sim como um segmento de função transversal, até porque tem Design em todos os eixos produtivos do nosso estado, como indústria e turismo, por exemplo. Precisamos de um olhar mais próprio”, defende Bestetti. Ao término da conferência, os designers baianos conseguiram a criação de um edital público de fomento ao design, o que inclui um fundo estadual de investimento intersetorial e a implantação de um centro de referência, propostas já aprovadas para integrarem o Plano Estadual de Cultura, que a Secult pretende viabilizar em 2012.

Sobre perspectivas para 2012, planejam realizar quatro eventos ao longo do ano, aumentar o número de participantes e finalizar um projeto de apresentação da ação, que deverá ser disponibilizado no sistema de financiamento colaborativo no site Catarse. 

 

Qual o objetivo?Mapear: Ter noção do tamanho do mercado de design na Bahia. Quem são, onde estão e o que fazem esses profissionais.Integrar: Agrupar para ganhar força. Força para realizar eventos, para representar o estado fora do mesmo e quiçá, do Brasil.Valorizar: Mostrar que a Bahia tem profissionais de qualidade.Divulgar o mercado do design baiano: Ser referência na Bahia, não apenas para os designers, mas para as instituições de ensino, empresas e sociedade, e depois ser referência nacional e mundial em design. 

Algumas das opiniões dos membros do movimento no Twitter:@Marlllon Marllon Carvalho#DesignBaiano é um design arretado, cheio de personalidade e originalidade, e com toque de dendê.

@matthausweb Lothar MatthausTodos tem mercado ! Mas comparando com outros, a diferença é absurda. Inclusive em valor de mercado #DesignBaiano

@appaixao Ana Paula PaixãoSim! Precisamos trabalhar com ética, responsabilidade, comprometimento e conhecimento p cobrarmos uma resposta do mercado #DesignBaiano