Design utilizado como ferramenta para resiliência

 

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Bons designers sabem como criar produtos e serviços que as pessoas amam. E esta parece ser a contribuição mais óbvia do design no desafio da sustentabilidade – criar produtos ecologicamente corretos que sejam superiores aos convencionais.

Mas, em uma conversa na Bioneers com Sarah Brooks, diretora de Inovação Social no Hot Studio em São Francisco, descobrimos um papel mais amplo e integrado para o design no movimento em direção à sustentabilidade. Brooks chama isso de “Design para a Resiliência”.

 

O significado de “Resiliência” em design

 

Estamos passando por um número sem precedentes de eventos chocantes, como a Primavera Árabe e enchentes violentas que são sucedidas por terríveis períodos de seca. Resiliência é a capacidade de lidar com esses choques com agilidade, para nos mantermos flexíveis, ágeis e saudáveis, como sociedade e como planeta. Pode-se dizer que é uma habilidade de vida construída como uma estratégia para salvar o mundo. Resiliência é a sustentabilidade. Ela acrescenta um ar de curiosidade que desperta os corações e mentes das pessoas.

 

O que os designers fazem e por que isso pode ser útil para mudanças?

As pesquisas em design ajudam com que as pessoas desenvolvam confiança para testar ideias aparentemente assustadoras. E isso é crítico, já que estamos nos adaptando a sistemas novos. Os designers fizeram uma ciência de pesquisa de usuário, defendendo mínimos produtos viáveis ??e prototipagem, que podem ajudar as organizações a tomar medidas de segurança para o desconhecido e que é um encorajador enorme para a mudança.

Em um workshop de design, preconceitos conscientes e inconscientes são expostos, medos e dúvidas são colocados na mesa para serem validados, assim como esperanças e sonhos. Designers abraçam o incerto e ficam confortáveis com isso. São sintetizadores naturais, buscam padrões. Dessa forma, tornam-se modelos de comportamento para as mentalidades necessárias para enfrentar a ambiguidade de nossa missão de alcançar a sustentabilidade e as nossas estratégias para alcançar esse objetivo.

Designers são treinados para enxergar ativamente, ouvir com atenção e reorganizar as relações entre os elementos de uma forma mais favorável e dinâmica. Eles possuem também meios de saber a diferença entre objetos permanentes e os temporários, além da confiança para mover coisas ao seu redor. Esta formação ajuda a traduzir o elo mais fraco de um sistema em uma oportunidade de mudança de sistema. Eles realmente acreditam que o mundo pode ser mudado.

Por que criar habilidades como avaliar as necessidades humanas pode ser útil para a construção de resiliência?

 

Com a síntese e mapeamento, os designers podem descobrir como as pessoas estão trabalhando em torno de um sistema danificado para satisfazer as suas necessidades. Soluções alternativas são o grande trunfo da pesquisa em design, afinal, elas apontam para um ponto de alavancagem no sistema de mudança.

Designer amam enquadramentos – na área, o processo é, sem equívocos, tão importante quanto o produto, onde outras disciplinas confiam que o conhecimento acumulado dê formas a seu mundo. Designers usam enquadramentos para escalar o desconhecido.  

Quem faz workshop em design sente a magia do processo. Afinal, ele possibilita que os participantes tenham uma visão esclarecedora do ponto de vista dos colegas, desenhando, criando mapas e modelos, alinhando pessoas em objetivos em comum e saindo da experiência com uma sensação de possibilidade e um plano para conseguir os resultados desejados.

Então, como podemos medir a magia que acontece em um workshop de design? Brooks afirma:

“Nós devemos sair do pensamento mecânico e dualístico que domina a sociedade. Soa como algo bobo e óbvio, mas está em todos os lugares – ciência/arte, mente/corpo – a sociedade sofre com a ideia de um universo mecânico e nós realmente temos que superar isso. Design pode ajudar com que você visualize e então brinque com as inter-relações em um sistema”.  

Resiliência é falar sobre usar os conhecimentos em design de co-criações. Juntos, nós podemos hackear os sistemas que nos ligam a vidas insustentáveis. Podemos descobrir e dissolver nossas próprias soluções ou mesmo liderar nossas comunidades no mesmo processo. Um exemplo recente de liderança em design é o Urban Prototyping Festival, que aconteceu recentemente em São Francisco. São cidadãos comuns, empregando o design thinking para fazer mudanças sistêmicas e melhorar a vivência urbana. Isso é fenomenal. O mundo dos negócios está acordando para o poder do design como um guia valioso para a transformação. Tem muitos benefícios que a liderança em design pode fazer e muito espaço para a expansão.