Distrito Criativo do Porto inaugura no Rio de Janeiro

Fonte Tiago Petrik

A indústria criativa responde hoje por pouco mais de 20% da economia carioca, o que faz do Rio a capital nacional deste ramo de atividade – em primeiro lugar, ainda estão as receitas relacionadas a óleo e gás. O montante ainda parece pouco, se comparado a cidades como Amsterdam e Barcelona, que têm quase 70% de sua força financeira vindas da rubrica “criatividade” – design, arte, inovação etc. Com a inauguração do Distrito Criativo do Porto, neste dia 11 (terça), começa também uma nova etapa para a ampliação dessa característica carioca.

A associação sem fins lucrativos já está em fase de estruturação há três anos, mas só agora, contando imediatamente com mais de 250 profissionais associados, começa a atuar oficialmente. “Começamos a perceber um movimento de escritórios para esta direção. Com esse encontro, ficou latente que precisávamos de organização para ajudar a re-significar este espaço como um lugar da criação”, diz Bernardo Ferraciolli, um dos fundadores da Goma, associação estabelecida na Gamboa que conta com 23 empresas e 77 pessoas. Sua empresa, a Matéria Brasil, mudou-se para a Região Portuária em 2010.

O objetivo é fazer da área de 5 milhões de metros quadrados O lugar para os criativos. “Eu diria que nossa pretensão é ser o software que vai rodar neste hardware, que já conta com muitos investimentos de infraestrutura, como a fibra ótima em 100% da região e o projeto de wi-fi gratuito e de qualidade em todas as ruas”, explica Daniel Kraichete, do Coletivo do Porto, um dos diretores do Distrito. “Agora podemos ir atrás de fomentos e exigir melhorias do Estado de forma organizada”, diz. Entre esses incentivos, dizem, está a isenção de IPTU para a ocupação de imóveis tombados, o financiamento (com uma linha que destina até R$ 400 mil para reformas de casarões) e um projeto que prevê a derrubada do ISS cobrado das empresas lá estabelecidas.

A transformação da zona portuária em área residencial é outra das plataformas. “Para que a região não “morra” após as 19h, como acontece hoje com o Centro, tem que trazer gente pra morar”, diz Daniel Maia, também designer, sócio da Piloti e outro dirigente do grupo. Ele lembra que uma das exigências da prefeitura neste sentido é que 50% das novas construções devem ser residenciais. Os três dirigentes, aliás, se veem morando por lá. “Temos que lembrar que é uma área servida de uma central de trens, aeroporto, rodoviária e, futuramente, o VLT, embora hoje a mobilidade ainda esteja prejudicada pelas obras”, diz Bernardo. “Cinco anos atrás, quando a Goma chegou, eu diria que jamais moraria aqui”. “Essa região vai receber os filhos da Zona Sul, que não vão conseguir se manter por lá. Essa geração já nasce com mentalidade de negócios totalmente diferenciado. É uma geração mais empreendedora que a anterior”, aposta Kraichete.

Embora a transformação não vá acontecer da noite pro dia – o Distrito calcula que o processo pode demorar até 15 anos para atingir seu ápice –, alguns alicerces fundamentais começam pra valer até agosto de 2016, com os Jogos: inauguração do Museu do Amanhã (juntando-se ao já festejado MAR), aquário público, nova sede do Banco Central, fábrica de espetáculos do Theatro Municipal e extensão da Biblioteca Nacional – isso sem falar dos 17 equipamentos culturais que estavam escondidos sob a Perimetral e passam a ser revelados. “Mas como o processo é paulatino, em 5 anos acho que a gente já tem um distrito consolidado, com massa crítica de empresas e profissionais. Estamos começando a desenhar estratégias que têm prazos de dois anos”, afirma Kraichete. “Acredito ainda que, com os novos entrantes, empreendimentos relacionados à música e à boêmia vão se estender da Lapa até aqui”, acrescenta Bernardo. Quem viver verá. distrito.