Edward Beiner conta como conquistou mercado de luxo nos Estados Unidos

 

Eduardo nasceu em Santos, filho de pai alemão e mãe espanhola.

Seus pais se conheceram numa viagem na Itália, se casaram em Roma e se mudaram para o Brasil no final da década de quarenta.

Seu pai, joalheiro, queria estar próximo de um porto e achou Santos a melhor opção. Com simpatia e bom atendimento, logo foi conquistando uma clientela de luxo, de turistas estrangeiros que chegavam de navio ao Brasil.

Comerciante visionário, no fim dos anos 60, ele começou a ver que o turismo estava mudando com o aumento do tráfego aéreo e partiu em busca de novos horizontes. Em 1969, a família se mudou para Porto-Rico e continuou o sucesso no ramo de joias.

Mas essa não era a praia de Eduardo, que procurava uma jornada profissional independente dos negócios da família.

“Eu não sabia o que iria fazer.  Não queria trabalhar com o meu pai, me dava bem com ele, mas não queria trabalhar com a família”, diz.  “Queria encontrar o meu caminho na vida.  Tinha que buscar o meu futuro”.

E assim, jovem e “hippie” com cabelos longos, típico dos anos 60 e 70, resolveu estudar no Canadá.  Logo que chegou, conseguiu um trabalho de vendedor numa ótica.  E essa foi sua largada.

Em 1980, pediu transferência para Miami e, no ano seguinte, abriu sua primeira loja na Sunset Drive, que existe até hoje.

Só que  agora, aos 57 anos e com nova identidade norte-americana, Edward Beiner, se tornou um grande designer de óculos de luxo e uma das maiores coleções na Flórida, com 11 lojas espalhadas pelo estado e planos de expansão.

Sua marca, vista em rostos famosos como dos jogadores LeBron James, Dwyane Wade ou Alicia Keys, virou sinônimo de bom gosto e qualidade.

Mas, diz Edward, só estará realizado quando vir seus óculos nos olhos de mais brasileiros.

“Sonho vendê-los para Sônia Braga e Ivete Sangalo”, brinca.

Eduardo diz que quando chegou em Miami e falava que era do Brasil, sempre ouvia: “Ah, Buenos Aires”.  Ninguém conhecia o país, diz, lembrando dos tempos que brasileiros só vinham para comprar eletrônicos nas lojas do centro da cidade.

Não era seu público.

Com a mesma atenção com os clientes que aprendeu com seu pai, ele foi conquistando um mercado de luxo  – mas, tipicamente americano e europeu.

Mas hoje tudo mudou, diz Edward, que tem uma de suas lojas no shopping Aventura, um dos favoritos dos brasileiros e onde o português está virando o primeiro idioma, depois do espanhol.  O inglês amarra a terceira colocação.

“O que o brasileiro traz para a economia de Miami é uma coisa incrível”, diz, orgulhoso.  “O brasileiro está levantando Miami”.

Edward diz que sua trajetória aqui não foi fácil.  Batalhou muito para chegar onde está.

“Os Estados Unidos não perdoam”, diz com humildade, o santista que lutou para criar um nome reconhecido pela qualidade mas que lhe deixou sem identidade.

Eduardo conta que se realiza cada vez que escuta um brasileiro falando português em sua loja, mesmo sem saber que Edward Beiner é mais brasileiro do que qualquer João ou Maria.

“Já falei para minha esposa que quero morrer Eduardo, não Edward”, brinca.  “Eu nasci Eduardo e quero morrer Eduardo”.

Já se está nos planos uma loja no Brasil, o designer prefere não antecipar nada.

Só diz: “Eu gosto da Rua Oscar Freire”, em São Paulo.  “É uma rua muito interessante”.

Quem sabe logo o brasileiro não vai mais precisar vir a Miami para comprar um par de óculos Edward Beiner.

 

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