Em entrevista, Yukio Hashimoto revela técnicas e métodos usados em seus projetos

Ganhador de diversos prêmios internacionais e professor da Politécnica de Tóquio, o designer japonês Yukio Hashimoto, conhecido pelo delicado trabalho que une técnicas tradicionais milenares e alta tecnologia, veio este mês ao Brasil pela primeira vez para falar sobre o estilo e o design do Japão na feira Expo Revestir 2013.

Em entrevista especial e inspiradora para a CASA CLAUDIA, antes da sua chegado ao Brasil, o designer revelou alguns métodos e técnicas que utilizou para a realização de seus projetos como o lobby do Península Tokyo, O Silks Palace (no National Palace Museum, em Taipei, Taiwan), a luminária Moonbird, entre outros.

Confira!

 

O designer japonês Yukio Hashimoto.

 

Para você, o que é mais importante considerar no momento que planeja um design de interiores?

Procuro fazer uma arquitetura que consiga unir sinergia com durabilidade. Busco a criação mais inovadora e impactante através do uso de materiais tradicionais e da alta-tecnologia. Estou sempre atento ao conceito e identidade do uso do espaço, para que ele seja durável e não precise sofrer mudanças e reestruturações.

 

Nos seus projetos, você cria cenários de sonho por meio de jogos de luz. Qual a importância da iluminação em seu trabalho?

Antes de iniciar um projeto, procuro sempre analisar as fontes de luz natural do local para só depois complementar com a iluminação artificial. Sem um bom estudo de iluminação, não há como dar a vida necessária aos elementos introduzidos nos espaços, como paredes, móveis e quadros. Nesse aspecto, meu grande mestre é o arquiteto mexicano Luis Barragán.

 

Entre os ambientes de hotéis que você assina, se destaca o lobby do Península Tokyo, com seu impressionante lustre de cristal. Qual o conceito desse espaço?

É a convergência entre o luxo ocidental e o estilo japonês. O lustre foi feito por artesãos de várias partes do Japão. Ele representa os tradicionais fogos de artifícios de minha terra, recriados em uma peça formada por centenas de cristais Swarovski.

Detalhe do lustre com cristais swarovski, no hotel Peninsula Tokyo.

Hotel Peninsula Tokyo.

Lobby do hotel Peninsula Tokyo, onde se vê um grandioso lustre com cristais swarovski.

Quarto do hotel Peninsula Tokyo

 

Você assinou lindos interiores para restaurantes. Quando os criou, levou em conta a especialidade gastronômica do local? O Silks Palace (no National Palace Museum, em Taipei, Taiwan) pode ser considerado um exemplo dessa união?

O trabalho no Palácio de Taipei foi muito interessante e desafiador, além de ter sido um grande aprendizado. Foi necessário, antes de mais nada, tentar conhecer o museu e suas peças tradicionais e milenares. Para criar um espaço que tivesse uma boa convergência com a modernidade e a história ali representada, trocamos conhecimento com os chefs para alinhar o conceito. Trabalhamos muito juntos para construir um ambiente onde a cultura do passado e da atualidade pudessem ser consagradas.

Exterior do restaurante Silk Palace, dentro do Museu Nacional, em Taipei, Taiwan.

Fachada do restaurante Silk Palace, dentro do Museu Nacional, em Taipei, Taiwan.

Restaurante Silk Palace, dentro do Museu Nacional, em Taipei, Taiwan.

 

No restaurante Suikyo-tei, o elemento água está presente em diversas formas (cascata, projetada digitalmente no chão, nos tanques com peixes etc). Porque escolheu estas representações neste projeto?

A palavra suikyou-tei significa “casa de vibração da água”, por isso o elemento une os espaços do restaurante. Ela aparece em aquários e embaixo das mesas, sob um piso de vidro temperado. Na entrada e no corredor principal, utilizei um projetor que imprime a imagem de um rio no chão, para os clientes tivessem sensação de caminhar sobre as águas. Em resumo, o espaço representa a importância do elemento no universo, desde a criação da vida à sobrevivência de ser humano.

 

Projeções no piso do restaurante Suikyou-tei, em Tóquio, lembram um rio.

 

 

Com relação ao seu trabalho de design de produtos, o que o inspirou ao desenhar a premiada luminária Moonbird?

Criei a Moonbird pensando em mudar a concepção desse tipo de produto. Evitei usar acrílico, plástico ou qualquer outro material sintético. Seu corpo é formado por madeira natural e a iluminação é feita por LEDs de última geração.

Luminária Moonbird, criada para a marca Yamagiwa.

 

Qual é a técnica usada nas xícaras e nos utilitários da coleção Alpha?

O processo que produz as curvas dessas peças é uma antiga técnica japonesa chamada wappa, em que as folhas da madeira são curvadas a quente. A alça das xícaras é a continuação de seu corpo.

As xícaras da coleção Alpha unem a tradição da técnica wappa ao design atual.

 

Qual é sua intenção ao resgatar saberes antigos em produtos atuais?

Gosto de mostrar ao mundo tradições que estão se perdendo. Um exemplo é o urushi, laca natural usada há séculos e que vem sendo substituída por materiais sintéticos. Apliquei-a numa coleção de ofurôs que fiz em 2008 como forma de valorizá-la.

Ofurô com acabamento urushi, uma laca natural usada há séculos no Japão.

 

O que sabe sobre os arquitetos e designers brasileiros?

Será a primeira vez que visitarei o Brasil e estou com muita expectativa muito grande para conhecer as criações de profissionais aos quais tenho grande respeito e admiração, como Oscar Niemeyer e Ruy Ohtake.