Entrevista: André Poppovic fala sobre a trajetória do Brasil Design Award

Fonte : Julliana Bauer

O designer André Poppovic, da Oz Design, foi coordenador geral do Brasil Design Award em 2013 pela terceira vez. Considerado o maior prêmio nacional de inovação por meio do design, o BDA escolhe anualmente os melhores trabalhos brasileiros premiados nacional e internacionalmente, em premiações selecionadas – como o IF Design Awards, Cannes Design Lions, Idea Internacional, Idea Brasil, Museu da Casa Brasileira e Wave Festival.

Com organização do Centro Brasil Design, o BDA foi criado e é realizado pela Associação Brasileira das Empresas de Design (Abedesign) e cresce a cada ano. A cerimônia acontece ao longo da Brasil Design Week – evento que envolve a capital paulista em palestras, debates e cases sobre design.

Para entender melhor como são selecionados os premiados e quais os benefícios de ter um troféu do Brasil Design Award no currículo, entrevistamos André Poppovic.

 

Giovanni Vannucchi (Oz Design), Claudia Ishikawa (CBD), Levi Girardi (Questto Nó), André Poppovic (Oz Design) e Letícia Castro Gaziri (CBD)

Giovanni Vannucchi (Oz Design), Claudia Ishikawa (CBD), Levi Girardi (Questto Nó), André Poppovic (Oz Design) e Letícia Castro Gaziri (CBD)

 

DesignBrasil – Qual o diferencial do BDA em relação aos demais prêmios de design?

Poppovic – O BDA é a única premiação brasileira de design que utiliza os resultados de outros prêmios para eleger seus premiados. Ao fazê-lo, credita status, avalia e promove as premiações parceiras, mas, acima de tudo, confere a imparcialidade necessária para o julgamento dos projetos de seus associados. Considerando-se a soma dos pontos alcançados por cada um dos projetos que concorrem ao BDA, conseguimos certamente um critério isento e confiável, credenciado pela diversidade dos júris (nacionais, internacionais, especializados ou genéricos) que contribuíram para a construção da pontuação.

Quais os benefícios para uma empresa ao ganhar um prêmio como o BDA?

As empresas que conseguem ganhar um prêmio no BDA são aquelas que atingiram o grau máximo de excelência em design em suas áreas específicas. Significa que um determinado produto lançado foi o mais bem avaliado entre todas as premiações nacionais e internacionais, mais relevantes para o mercado. É sem dúvida uma marca impressionante, pois eu diria que é praticamente impossível que algum produto sem relevância consiga atingir uma pontuação significativa, passando pelo crivo transversal de todos estes júris.

Como aconteceu a parceria da Abedesign com o Centro Brasil Design?

O CBD foi, desde a primeira edição, a nossa instituição parceira  para a organização do evento. Seu envolvimento com a comunidade de design e sua grande capacidade de organização e eficiência foram os fatores que nos levaram a propor a parceria desde a primeira edição do BDA. Nesta ocasião, (em 2010) o BDA estava estruturado de forma a ser um preview para o IF (adotando a pré-seleção feita pelo CBD para as inscrições subsidiadas pela Apex) e para o Cannes Lions. Desde então, o CBD se tornou o parceiro estratégico para a organização de todas as versões da premiação.

André Poppovic e Gustavo Piqueira, da Casa Rex, que recebeu o prêmio de escritório de design do ano em 2013 por obter a maior pontuação do ranking

André Poppovic e Gustavo Piqueira, da Casa Rex, que recebeu o prêmio de escritório de design do ano em 2013 por obter a maior pontuação do ranking


O que o BDA representa para os demais prêmios de design?

O BDA tem o papel de fomentar inscrições nas premiações que mantém como parceiras. Uma das atividades que precedem o BDA é a divulgação nacional do evento através de palestras nas nove capitais onde a Abedesign tem seus capítulos regionais, onde são apresentados o evento e seus benefícios para os associados. Parte importante destes eventos é a explicitação dos perfis das premiações parceiras e seus deadlines para inscrições.

Considerando todas as edições já realizadas, como o prêmio evoluiu ao longo dos anos? Quais foram as principais transformações?

As principais transformações ocorridas no BDA foram relacionadas à sua mecânica. Passamos de uma curadoria que montava um júri próprio para avaliar, julgar e premiar os principais trabalhos de diversas categorias de design executados durante um ano, para uma organização que promove, classifica e estabelece critérios sobre os resultados de premiações parceiras, nacionais e internacionais, para apontar o melhor da produção do design brasileiro durante o ano. Além disso, incorporamos uma módulo que avalia e elege as principais entidades e personalidades que se destacaram durante o ano contribuindo para produção do design.

Como você acha que sua experiência na área contribui para a curadoria do BDA?

Minha trajetória profissional foi totalmente dedicada ao design nos últimos 35 anos, seja como designer, diretor de empresa de design, ou gestor de órgãos promotores design. Esta experiência me permite entender as necessidades, dificuldades e os benefícios que os escritórios de design podem ter em relação a uma premiação e facilitar a dinâmica da relação com a instituição que a promove. Neste sentido, julgo que minha atuação como criador, curador e gestor do BDA é legítima.

 

Confira os premiados do BDA 13’

 

Sobre André Poppovic

poppovic

Designer e arquiteto formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo/USP em 1979. Foi um dos fundadores da ADG Brasil – Associação dos Designers Gráficos do Brasil, da qual foi diretor em diversas gestões, coordenador executivo das V e VI edições da Bienal de Design Gráfico ADG/Brasil. Concebeu e coordenou a primeira edição do Prêmio Brazil Design Awards, em 2009, além de ser membro do Comitê Organizador da Brazil Design Week nesse mesmo ano. Participou como delegado da ADG/Brasil das Conferências Internacionais do ICOGRADA em 1997 – Montevidéu, Uruguai, 1999 – Sidney, Austrália, 2002 – Brno República Tcheca; e 2004 – São Paulo, Brasil. Foi delegado da ABEDesign do Festival Cannes Lions 2009, concorrendo com cinco inscrições na premiação Cannes Lions. Indicado como jurado para a categoria de Design no Festival Cannes Lions 2010. Participou de diversas exposições nacionais e internacionais, tais como: “Coca-Cola 50 Anos com Arte”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Museu de Arte Moderna de São Paulo em 1992, “5º Congresso da Associação Latino-Americana do Design Industrial – ALADI, na Cidade do México, “12 Graphistes Brésiliens”, Galeria Debret, Paris, “Tradição e Ruptura”, Fundação Bienal de São Paulo, São Paulo, Type Directors Club, Nova York, EUA, e outras. Tem trabalhos publicados em diversos livros e revistas especializadas e recebeu diversos prêmios no Brasil e no exterior. Professor de fotografia na escola IAD – São Paulo, em 1982, professor de design gráfico na Universidade São Judas Tadeu, de 1996 a 1999, professor de Design Ambiental na Escola Superior de Propaganda e Marketing, no período de 2005 a 2008. Participou de diversas bancas de graduação e pós-graduação, ministrando aulas especiais em diversas faculdades brasileiras.