Governo Sueco investiu em 2007 cinco bilhões em ensino em design, veja os resultados

Em 2007, o governo da Suécia decidiu investir cinco milhões de coroas suecas por ano em um programa de cinco anos para uma escola de especialização no campo do design. Dois professores suecos fazem o balanço desse esforço e refletem sobre o impacto que esse aumento teve no campo de pesquisas ambientais em design.

 

Quando a Faculdade Sueca para Pesquisas no Design e Pesquisas em Educação foi fundada em 2007, o objetivo era hospedar pelo menos 15 estudantes de doutorado em um período de cinco anos. Hoje a Faculdade conta com 49 estudantes de doutorado de 12 escolas e universidades diferentes. O projeto ainda acontecerá por mais 18 meses, até a metade de 2014 – ainda que sem qualquer aumento dos investimentos. É uma história de sucesso, de acordo com o professor Pelle Ehn, da Malmo University, que é um dos membros do comitê de direção do projeto. “Uma das principais missões do curso de especialização era estabelecer uma rede de contatos”, ele conta, “e essa missão foi cumprida”.

Sara Ilstedt é professora no KTH Royal Institute of Technology em Estocolmo, além de ser membro do comitê de direção. Ela também defende a importância da rede de contatos que a faculdade está construindo. Uma rede que também funciona como rede de segurança. “As universidades e escolas de design precisam ousar a investir em pesquisas em design para lançar projetos de doutorado”, argumenta.  

Quando a tradição vem por meio de jovens pesquisadores

Para Sara, o treinamento para doutorado constrói uma base para a criação de uma tradição em pesquisa no ramo do design. “Construir uma tradição nessa área deve ser prioridade. A Faculdade contribuiu com isso, porque oferece a designers, entre outros profissionais, uma oportunidade de adquirir habilidades de pesquisadores”, afirma Sara.

Cerca de metade dos estudantes do projeto possuem um histórico profissional em design. A outra metade, vem de uma outra gama de diferentes formações, incluindo economia, literartura, arte, arquitetura e até mesmo fisioterapia. Tanto Pelle Ehn quanto Sara Ilstedt enfatizam que um doutorado é um investimento que requer esforço a longo prazo. “Leva tempo. Mas no momento, estamos vendo novos formandos em doutorado concluindo o curso a cada ano que passa”, afirma Sara, e Pelle Ehn acrescenta ainda que desde que a faculdade foi fundada, sete já se formaram, e que em 2013 e 2014 esse número deverá crescer – e muito. “No entanto, não temos expectativas de que os 49 inscritos terminem as atividades de acordo com o cronograma”, afirma ele, sorrindo.

 Diferentemente da Dinamarca, onde o projeto de doutorado dura três anos, na Suécia esse curso dura de quatro a cinco anos. Os programas mais comuns são os de cinco anos, ao longo dos quais os doutorandos também lecionam. 

 

Os dilemas

Pelle Ehn vê três dilemas ou desafios para pesquisa em design e para os cursos de pós-graduação. “Primeiramente, nos precisamos explicar a importância do design, e o que exatamente ele faz. Depois, precisamos assegurar fundos para pesquisas adicionais dos doutorandos, e por último, precisamos trabalhar pensando no futuro do programa de doutorado, uma vez que a concessão original expirar”, explica.

Por que a pesquisa em design é importante?

Embora o primeiro dilema possa parecer o de mais simples solução, não é tão claro e direto quanto aparenta, salienta Pelle Ehn.

“Não é tão fácil explicar do que se trata a pesquisa em design, mas essencialmente ela pode nos ajudar a resolver alguns dos grandes problemas da sociedade, por exemplo, no que diz respeito ao meio ambiente, ao envelhecimento da população, novas formas de vida, etc”, explica.

“O mesmo pode ser ditto sobre outros campos de pesquisa, é claro. Pesquisa em design não necessariamente oferece uma solução melhor para os problemas ambientais e sociais, por exemplo,mas oferece bons métodos por facilitar a cooperação entre indivíduos e disciplinas ou profissões, em frente a esses desafios”, ele diz, e acrescenta, “o que é ímpar sobre pesquisa em design é sua abordagem à complexidade”. Pesquisadores da área são bons em administrar uma alta taca de complexidade, por exemplo, por meio de prototipagem e cenários. Pesquisadores em design são hábeis na elaboração de possíveis soluções e sugerindo direções possíveis, sem ficar presos a uma abordagem específica. “

Poucos Fundos Direcionados para Pesquisa de Design

O segundo dilema é que a Suécia não tem fundos direcionados para a pesquisa de design. Em muitos casos, pesquisadores de design solicitam orçamento de projetos nos campos de inovação, transporte, saúde, problemas ambientais e sustentabilidade. Além disso, a maioria dos projetos de PhD depende de fundos monetários para projetos e não nos subsídios regulares das universidades. De fato, o orçamento de 25 milhões de Coroas Suecas da faculdade não pode ser gasto em salários para os doutorandos. Sem os fundos para pesquisas contínuas em design, Pelle Ehn acredita que parte dos esforços para treinar novos pesquisadores será desperdiçada. “Felizmente, parte dos nossos doutorandos continuarão no contexto universitário apesar dos recursos limitados”, diz.

Futura Formação Doutoral

Pelle Ehn acredita que a resposta para o terceiro dilema – a continuidade do programa de doutorado – será tratada no contexto da colaboração nórdica. “Nós gostaríamos de ver uma escola nórdica de PhD comum. Estamos em diálogo com partes da Dinamarca, Noruega e Finlândia sobre as exigências para um esforço colaborativo,” ele diz, “e eu acho que isso forneceria um ambiente de tamanho apropriado”. Os planos ainda estão sendo feitos, mas ele acredita que um esforço conjunto para criar uma escola nórdica de pesquisa em design, para os países nórdicos, será estabelecido antes da expiração da concessão da faculdade em 2014.

 

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