Havaianas completam 50 anos com modelo comemorativo

Virar o solado da sandália para que ela ficasse de uma cor só foi o momento da virada na história das sandálias Havaianas, que estão completando 50 anos com um modelo comemorativo, que lembra aquele que os jovens dos anos 80 inventaram para ir à praia, e com o anúncio de uma nova fábrica, prevista para começar a operar no primeiro trimestre do ano que vem.

O modelo comemorativo na verdade são dois: o que lembra aquele originalmente lançado em 1962, de solado branco e tira colorida, e o de uma cor só, simulando aqueles de solado virado.

“São 50 mil modelos comemorativos colocados à venda a R$ 50, tudo remete ao número 50, dos 50 anos, e toda a verba da venda desses modelos será revertida em favor da Unicef”, explica Rui Porto, Consultor de Comunicação da Alpargatas.

De commodity a acessório de modaPorto explica que, durante 32 anos, as sandálias foram um produto único, sem inovação: uma commodity.

“De 1962 até 94 a Havaianas era produto único: sandália branca com tiras em quatro cores. Estava virando uma commodity, um produto sem inovação, sem ter apelo nacional, mas com boas características. Afinal, era confortável, não soltava a tira, não tinha cheiro. Era um produto popular”, conta.

Até o momento, segundo Porto, em que a concorrência começou a engolir as sandálias no final dos anos 80 e a revolução veio em 1994, quando além das tradicionais de solado branco, a fábrica lançou os modelos monocromáticos em rosa, azul, preto e lilás.

“Foi o primeiro passo para uma revolução que não terminou mais. Foi um grande reposicionamento, de commodity a acessório de moda. Foram agregadas novas cores, novos modelos, o produto se diversificou”, disse ele, explicando que, sem contar os customizados, são mais de cem modelos de Havaianas, com uma média de seis cores por modelo, o que resulta em 600 possibilidades de o consumidor ter uma Havaianas diferente.

“E não para. A cada ano novos modelos, cores e estampas a partir de temas. Este ano o tema é a Tailândia; no ano passado, foi a Turquia; antes, a Índia. A revolução da marca mexeu não apenas no produto, mexeu na embalagem, nos pontos de venda, que eram pobres, na propaganda, comunicação”, disse.

Rui Porto conta que o sucesso da marca se deve à estratégia de ouvir o público.

“A partir do momento em que vimos que o consumidor virava o solado da sandália, fomos ouvir o consumidor, não só de maneira formal, em pesquisas, mas ouvir na rua, percebendo para onde as coisas estavam indo”, disse.

Foi dessa observação que surgiu a coleção com as cores e estampas de times de futebol e a Havaianas Brasil, com a bandeira, criada para a Copa de 1998.

“A gente perdeu a Copa, mas o produto continuou vendendo. E hoje a Havaianas Brasil, com a nossa bandeirinha, é a mais vendida fora do Brasil. Originalmente criada somente nas cores brasileiras, a partir do desejo dos consumidores ela é hoje produzida em várias cores, mas sempre com a bandeira do Brasil, um sucesso da marca no exterior”, explicou.

Em 2011, foram vendidos 210 milhões de pares de sandálias no mundo, disse Rui Porto, explicando que 15% da produção é exportada. A produção em grande escala vem da fábrica deCampina Grande, na Paraíba, mas a fábrica da Alpargatas em Carpina, Pernambuco, também colabora na produção.

No primeiro trimestre de 2013, segundo Rui Porto, entra em ação a fábrica de Montes Claros, em Minas Gerais, que está em fase final de construção e começará a operar com uma produção anual de 100 milhões de pares, gerando 2.500 empregos diretos.

A Havaianas tem apenas duas lojas próprias no país, ambas em São Paulo, mas cerca de 250 franquias. Tem ainda lojas próprias em Madri, Barcelona e Valência, na Espanha; em Roma, na Itália; duas em Paris, na França; uma em Londres, na Inglaterra. Nos Estados Unidos tem uma loja em Huntington Beach, na Califórnia, e ainda este ano abre uma em Miami.