Maurício Arruda, o primeiro brasileiro a criar para a Ikea

Maurício Arruda é arquiteto, designer, professor e colaborador do Agenda 21 para a Construção Sustentável nos países em desenvolvimento e hoje também comanda o coletivo Whydesign, com os arqtuitetos Guto Requena e Tatiana Sakurai. Mas além de todas essas coisas, Maurício também é o criados da linha José, produzida com materiais sustentáveis e que expressa a simplicidade, irreverência brasileira e inspirada nas feiras-livres tão populares no país. A coleção é sucesso absoluto no exterior e acabou rendendo ao designer mais uma função: criar peças conceituais para a coleção 2014 da marca sueca Ikea, famosa por comercializar móveis modernos a preços camaradas.

Linha JoséLinha José colocou o trabalho do designer Maurício Arruda na mira dos “olheiros” do Ikea

Em entrevista à EXAME.com, Maurício fala sobre o papel da necessidade sobre seu processo criativo e como o design brasileiro está em alta no exterior, que crê ser competitivo com o que é feito fora do país apesar das dificuldades tecnológicas.

Como é seu processo criativo?

Arruda – Muitas peças precisam de um tempo de maturação na prancheta até chegarem a loja. Um exemplo é uma poltrona que vou lançar até o fim do ano e que está sendo desenvolvida há dois anos. Acabo por criar peças a partir da minha própria necessidade ou dos clientes e procuro buscar o caminho mais criativo e simples possível para resolver os problemas de design.

Qual o papel que a experimentação tem no seu trabalho?

Arruda – A experimentação é muito importante e essa é uma questão essencial para o design internacional contemporâneo. Testar materiais e processos é uma maneira de irmos à contramão dos produtos feitos em larga escala e consumidos em massa. Hoje a demanda do mercado é por produtos que estimulem uma visão critica sobre nossas casas, a maneira como vivemos e nos relacionamos com o planeta.

Quais são suas fontes de inspiração e referências?

Arruda – Meu trabalho é influenciado pelo cotidiano, pelas ruas e pessoas que transitam nela. Caçambas de construção, lojas de móveis usados e feirinhas de antiguidades são, geralmente, os locais onde gosto de fazer minhas pesquisas de materiais e conceito.

Quais os temas e materiais mais frequentes no seu trabalho?

Arruda – Gosto de trabalhar com materiais populares, como tecido, plástico e madeira. Busco com meus projetos e produtos uma reflexão, uma experiência nova e única. Reaproveitamento e recontextualização de objetos e formas também são muito recorrentes. Acho que tudo isso pode ser traduzido naquilo que passei a chamar de “nova brasilidade”: peças com humor, despretensiosas, cheias de memórias afetivas e com menor impacto possível para o meio ambiente.

Com você avalia o design no Brasil?

Arruda – O Brasil está no centro das atenções internacionais não só pelos números da economia, mas também pelas características do nosso design contemporâneo que, em minha opinião, é de muita qualidade. Muitos designers tem uma produção na qual a liberdade criativa compensa nosso baixo nível de industrialização e muitos produzem design a partir de uma forte influência de nossa cultura e costumes locais, misturando artesanato com a tecnologia disponível.

Quem são os designers mais inovadores em atividade aqui e no exterior?

Arruda – No Brasil, gosto muito do trabalho do Rodrigo Almeida e no exterior são muitos. Mas para citar alguns, diria nomes como o canadense Nendo, o japonês Tokujin Yoshioka, o alemão Konstantin Grcic, a dulpa francesa Ronan & Erwan Bouroullec (conheça a instalação “Textile”, da dupla que foi uma das grandes atrações da London Design Festival 2001). Quanto aos designers e móveis favoritos, citaria os americanos Charles and Ray Eames e sua poltrona LCW.

*Fonte: Exame.com