O design comprometido do suíço Yves Behar

Os designers têm a responsabilidade de apontar o futuro. Não como querem que ele venha a ser. Mas como ele pode vir a ser, acredita o suíço Yves Behar. Para ele, é chegada a hora de o design assumir uma nova relação com o mundo, ser mais sintonizado com as necessidades emocionais de seus consumidores e mais comprometido com um futuro sustentável para o planeta.

Exemplo emblemático, um de seus primeiros projetos, o laptop XO, criado para a OLPC (One Laptop per Child) com o objetivo expresso de democratizar o acesso à informática, foi o primeiro equipamento do gênero a chegar ao mercado por pouco mais de 100. É resistente a choques, leve o suficiente para ser carregado e, ainda assim, atraente e sofisticado.

“Pesquisar novas formas pode ser bastante sedutor. Mas é bom pensar como os produtos podem melhorar a experiência humana. Só assim eles adquirem real significado”, afirma Behar, que em uma década já adquiriu considerável reputação, ainda que distante do eurocêntrico circuito do design internacional.

Há 15 anos nos Estados Unidos, ele nasceu em Lausanne, filho de mãe alemã e pai turco. Estudou Desenho Industrial na Europa, mas concluiu mestrado na Faculdade de Artes de Pasadena, na Califórnia. “Costumo dizer que sou um produto triplo: o componente emocional vem da Turquia, o apego pela qualidade é suíço e a cultura high tech casual é californiana”, brinca ele.

Eclético como seu fundador, seu estúdio, o Fuseproject, não tem um segmento específico de atuação, projetando de eletrônicos a frascos de perfumes, de móveis a computadores. “Acreditamos que servir a diversos setores faz nossa equipe mais sensível e ágil. Muitos de nossos clientes nos procuram justamente porque querem novas perspectivas para suas marcas”, diz.

Prova do sucesso da fórmula, o Fuse não para de acumular prêmios internacionais, além de contar com alguns de seus projetos nas coleções permanentes de grandes museus de todo o mundo, incluindo o Musée National d’Art Moderne do Centre Pompidou, em Paris, o MoMA de Nova York e o Instituto de Artes de Chicago.

Semana de Milão

Mesmo nas áreas de mobiliário e iluminação – onde, ao que parece, a equipe apenas ensaia seus primeiros passos -, a notoriedade conquistada já rendeu valiosos convites. Entre eles o de quatro participações consecutivas na mostra Crystal Palace, da Swarovski, que expõe lustres e candelabros, durante a Semana do Design de Milão.

Fiel a seu estilo, no entanto, Behar prefere se manter distante do luxo e da ostentação que caracterizam a exposição, um desfile do alto design, com grandes nomes apresentando suas ricas criações. “Procurei aplicar o conceito de acessibilidade ao mundo dos cristais. Com máximo efeito e mínimo consumo de material.”

Assim Behar define sua linha Amplify, em que compõe lustres partindo de um único cristal, uma lâmpada LED e dobradura de papel facetado. Econômicas e versáteis, suas criações para a italiana Danese caminham na mesma direção. Como o Kada, misto de banco e mesa lateral, que, como um origami, adquire resistência apenas quando montado.

“Yves não é um designer de formas finais. Ele mergulha fundo nos processos de desenvolvimento. Vem daí a consistência de suas propostas”, exalta Mark Schurman, diretor de comunicação da Herman Miller, que acaba de emplacar quatro IDEA Awards – o Oscar do design americano – com duas luminárias by Behar, a Ardea e a Task.

As duas peças são equipadas com LEDs, que, a exemplo da icônica Leaf, de 2006, têm consumo até 40% menor que as que usam lâmpadas fluorescentes compactas. “Estamos apenas no início de nossa colaboração. Temos grandes planos para ele”, adianta Schurman, que anuncia para outubro o lançamento internacional de uma cadeira de alto desempenho, que, no melhor estilo Behar, se pretende, a um só tempo, bela, sustentável e ainda assim acessível. Será que dá? “É esperar para ver”, aposta ele.

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