O design nosso de cada dia: bate-papo com o autor do blog Happy Mundane

O blogueiro Jonathan Lo, do Happy Mundane

Um olhar atento. Do ponto de vista do designer Jonathan Lo, de 39 anos, isso é tudo o que precisamos para perceber que estamos cercados por coisas bonitas. Do formato da estante da sala à embalagem da latinha de refrigerante, o design está por todos os lados e não só nas páginas de revistas ou em móveis caríssimos. E foi para reforçar esta ideia que, em 2006, ele criou o blog Happy Mundane. Projetos do tipo “faça você mesmo”, imagens inspiradoras coletadas na internet, vídeos com sacadas originais e outros elementos que inspiram criatividade viram temas dos posts de Jonathan, que também atua como diretor criativo de sua própria agência de design, a J3.  

Happy Mundane é um blog que celebra o ordinário e o extraordinário, bom design de qualquer tipo, e reserva um momento para apreciar algumas coisas que passam despercebidas no dia a dia. Há beleza no seu detergente”, afirma o blogueiro, na descrição do site. A última frase, aliás, é o subtítulo da página. Em entrevista a Casa e Jardim, ele fala do blog e dá dicas para recuperar a criatividade, naqueles momentos em que ela parece estar esgotada. No bate-papo, o designer, que vive com seu cãozinho, Pepé, também revela os segredos para ter uma casa em ordem quando há um animal de estimação por perto. 

Casa e Jardim – O subtítulo do blog é “Há beleza no seu detergente”. O design está mesmo por todos os lados? Jonathan Lo – Definitivamente. Hoje, há muito design em todos os lugares. Em parte, isso é bom e, em parte, é ruim. Com tanto “barulho visual” a nossa volta, fica fácil nos tornarmos insensíveis a tudo isso. No entanto, se você simplesmente der um passo para trás e observar, de verdade, pode descobrir que realmente há beleza nas coisas mais simples – como seu detergente! CJ – Quando você percebeu que tinha esse talento – de enxergar a beleza nas coisas mais comuns? JL – Sou filho único, então passei uma boa parte da infância sozinho. Acho que isso me forçou a usar bastante a minha imaginação para me divertir. Uma das minhas primeiras memórias sobre encontrar beleza em coisas simples é a de estar sentando no carro, olhando pela janela em um dia chuvoso. Eu observava enquanto as gotas de água se moviam e fundiam-se umas com as outras, conforme o movimento do carro. Achei isso hipnotizante e fiquei fascinado! 

Jonathan prefere peças de design limpo, misturado a elementos clássicos

CJ – Em que momento você decidiu que queria trabalhar com design? JL – Sempre me interessei por arte, mas foi só na high school [o equivalente ao nosso ensino médio, no sistema de educação americano] que aprendi sobre o mundo do design e a possibilidade de escolher isso como profissão. CJ – Mesmo com essa facilidade para notar a beleza no cotidiano, você já teve aqueles momentos em que a criatividade simplesmente não aparece? JL – Acredito que todas as pessoas têm esse tipo de “seca”, quando você se sente esgotado. CJ – E o que você faz para recuperar essa criatividade? JL – Minha solução, em geral, é viajar. Ir para algum lugar, especialmente aqueles em que nunca estive antes, me impulsiona a ser criativo. De repente, você está em um local com novas vistas e novos sons. Isso te força a olhar para as coisas de maneiras diferentes e é sempre uma boa dica para manter a criatividade fluindo.

CJ – No blog, você menciona que tem um cachorro chamado Pepé. Dá para adotar um animal de estimação, sem abrir mão de uma boa decoração? JL – Se você realmente quer ter um cachorro dentro de casa, deve aceitar que acidentes podem – e vão – acontecer. Assim como acontece quando se tem crianças, sinto que os benefícios de ter o amor incondicional e o companheirismo que um cachorro te dá se equilibram com qualquer estrago potencial a uma peça de mobiliário. Fora isso, mantenha seus objetos mais estimados fora de alcance ou deixe o pet no quintal.

O cãozinho Pepé posa na cama, com a cabeceira feita pelo blogueiro

CJ – Como manter a casa em ordem, quando há um animal de estimação nela? JL – Tive sorte porque meu cachorro é bem comportado. Não tenho muitos problemas com móveis arruinados. Tento dar a ele muita atenção, exercício e brinquedos, para mantê-lo distraído e ocupado. Também existem vários produtos no mercado que você pode usar nos móveis para desencorajar mordidas e arranhões. Há, ainda, diversas opções de tecido que são fáceis de tirar e lavar. Outra coisa importante: ensinei meu cachorro que ele não pode entrar em alguns lugares da casa sem permissão. 

CJ – Você também já foi colaborador no blogApartment Therapy. Como foi essa experiência? JL – Tive muita sorte de poder trabalhar com oApartment Therapy bem no começo do site. A princípio, eu era apenas um fã, mas aí entrei na segunda edição do Color Contest [concurso em que o site elege o ambiente colorido mais bonito]. Depois disso, Maxwell[Gillinghan-Ryan], o criador do site, me chamou para ser editor regional na seção de Los Angeles. Trabalhar em um site tão acessado me deu uma ótima perspectiva sobre o poder e a influência dos blogs. 

 Simplicidade: frutas caídas no chão setransformam em uma bela fotoCJ – Você posta muitos projetos do tipo “faça você mesmo”. Tem um favorito? JL – Um dos meus projetos recentes preferidos foi uma cabeceira. Era muito simples, mas parecia uma peça cara. CJ – Qual é o seu cantinho preferido em casa? JL – É a sala, porque a televisão está lá (risos). CJ – Como é a casa perfeita para você? JL – A casa perfeita só precisa me deixar relaxado e seguro, ter uma boa cama e um sofá confortável. Ah, e uma vista para o mar também não faria mal a ninguém!

Pedras de diferentes formatos decoram o apoio da janela

 

Peóes e outros objetos simples ganham um visual diferente, quando observados com atenção