Projeto brasileiro leva iF GOLD, o Oscar do design mundial

Um projeto visionário, feito na adolescência do designer Eduardo Queiroz, atingiu seu ápice enquanto iniciativa de criatividade no dia 10 de fevereiro. Trata-se do suporte para plantas Favo Verde, uma iniciativa sustentável idealizada quando a própria noção de “sustentabilidade” ainda não tinha sido amadurecida, há mais de 30 anos. Ela foi um dos 18 vencedores brasileiros do iF Product Design Award 2012, selo internacional de excelência em design, entregue oficialmente em cerimônia no último dia 10, em Munique, na Alemanha. Seu destaque, no entanto, merecia ainda mais reconhecimento: com o Favo Verde, Queiroz foi o único brasileiro a levar o iF Gold, considerado “o Oscar do design mundial”, nesta edição do prêmio.

Desenvolvido para um trabalho de colégio, enquanto o paranaense Queiroz ainda residia em Curitiba, o Favo Verde surgiu a partir de uma aula na qual ele aprendeu que a grama é um dos vegetais que mais liberam oxigênio e absorvem gás carbônico da atmosfera. Entendendo a redução dos espaços verdes horizontais das metrópoles, o desafio do estudante foi pensar em formato e estrutura que permitissem o cultivo da área verde, cada vez mais escassa, “sem ocupar espaço”. Foi assim que, para um trabalho sobre o tema, ele propôs a estrutura vertical. À época, no entanto, o projeto era diferente, feito de cerâmica, bem diferente do modelo atual, feito a partir de fibra de coco.

“Obviamente, houve descrédito”, admite Queiroz, “hoje temos intimidade com conceitos como ‘sustentabilidade’ e ‘inversão térmica’, coisas que nem passavam por nossa cabeça, naquela época”. De acordo com ele, a preocupação era com a busca por novos espaços e soluções para a área verde e o formato vertical veio a calhar. Mais que isso, ela se apresentou como um ótimo isolante termoacústico, além de ser uma peça bonita, propriamente dizendo. Mesmo assim, apesar de todos os benefícios, não havia interesse em dar continuidade ao projeto. Ao menos, não por parte dos outros envolvidos com a ideia na época.

Tirando da gavetaQuinze anos se passaram e Queiroz, já formado e morando em Maceió/AL, começou a desenvolver uma pesquisa relacionada a resinas orgânicas. Foi assim que ele descobriu a fibra de coco como alternativa resistente e sustentável para a construção de materiais. Não demorou até que ele relembrasse o antigo projeto, agora com uma visão madura, ampliada por anos de experiência profissional e muita pesquisa. A opção foi pelo lançamento de protótipos, que seriam expostos em feiras. O sucesso imediato, no entanto, alterou os planos do designer, que lançou o produto comercialmente por sua empresa, a Fibratom.

“Tudo o que fizemos foi acreditar no projeto como uma boa solução – até mesmo a inscrição no iF foi uma decisão baseada na crença da qualidade e na importância do meu projeto”, explica Queiroz. No entanto, mesmo acreditando em seu produto, o designer não consegue esconder que ficou surpreso com a notícia de que seria laureado entre “os melhores dos melhores”. “O iF Gold foi, sim, uma surpresa: não porque achasse que não merecia, mas porque é realmente algo notável estar entre os melhores do mundo com um projeto que me acompanha há tanto tempo. É muito gratificante!”

As expectativas do designer para a empresa nessa fase, é claro, são as melhores possíveis. “Com a notabilidade que o prêmio me concede, penso em ampliar essa produção, buscar investidores para torná-la industrial”, diz Queiroz, que completa: “hoje, a preocupação ambiental é latente, onipresente. É preciso ampliar iniciativas como essa, incentivar as ideias, o pensamento acerca de soluções que reduzam nosso impacto sobre o meio ambiente”. E, assumindo uma postura enérgica, ele diz que ninguém está livre dessa necessidade de pensar: nem mesmo um adolescente, com um inocente projeto acadêmico.