Projeto de Design Social tem dependentes químicos como foco

Fonte Design Brasil

O Design vai além da forma e da função estética das coisas. Ele possui diversas capacidades para ajudar a melhorar a qualidade de vida das pessoas, os espaços públicos, agregar valor e funcionalidade. Foi pensando assim que a designer Viviane Paçaibes desenvolveu seu trabalho de conclusão de curso (TCC) na área da saúde, também como forma de retribuir à sociedade por ter concluído sua graduação como bolsista do programa Prouni.

O projeto resultou em um jogo terapêutico – chamado Passo a Passo –  para ser utilizado em clínicas de reabilitação para dependentes químicos. Com a proposta de criar uma atmosfera criativa diferenciada para potencializar o aprendizado e a aproximação das pessoas, o jogo pode ajudar os dependentes químicos a terem uma qualidade de vida melhor, e com isso, serem reinseridos na sociedade com mais segurança e autocontrole.

PassoaPasso1O jogo de tabuleiro é composto de cartas e casas de ação, com um número mínimo de dois e máximo de 10 jogadores (dependentes e familiares) e um mediador (profissional da saúde). O principal objetivo é ajudar os participantes a aprenderem conceitos da psicoeducação, criar estratégias de prevenção à recaídas e trabalhar em equipe com o seu familiar na dramatização de uma situação de risco. “As cartas são dispostas em um tabuleiro desmontável que simula o percurso de tratamento de um paciente. O ponto de partida é o ‘Inicio do Tratamento’ e o de chegada é a ‘Abstinência’. Este percurso é organizado por meio de casas neutras e casas com ações que simulam as relações e atitudes do dia a dia de um paciente e familiar em tratamento”, comenta Viviane. O jogo permite, de uma forma lúdica, tratar de assuntos sérios de uma maneira mais leve. Assim, o aprendizado dos conceitos e as estratégias criadas durante o jogo são mais eficazes e melhor assimilados, auxiliando na manutenção da abstinência e envolvendo o paciente e a família ao tratamento.

Para a construção do projeto, Viviane passou por um processo de imersão de um ano em clínicas de reabilitação. Participou da maioria das modalidades de atendimento, junto com pacientes e familiares, além de entrevistar assistentes sociais e psicólogos que trabalham com dependentes químicos e desenvolvem o trabalho de grupos multifamiliares. Também teve a ajuda direta de um psicólogo especializado no assunto.PassoaPasso2

A designer criou três protótipos e fez dois testes para a construção da versão final. Os entrevistados demonstraram que os elementos físicos do jogo foram componentes importantes para a entrada das pessoas na atmosfera criativa da plataforma, favorecendo o aprendizado coletivo. “Houve uma resposta emocional positiva, que contribuiu de forma consistente para a experiência com o jogo e com a aprendizagem de conteúdos psicoeducativos. A troca de conhecimentos através da dinâmica criativa proposta pela ferramenta foi apontada como uma experiência marcante que amplia o aprendizado, na avaliação dos participantes”, comemora Viviane.

O sonho da designer é que seu projeto consiga chegar a todas as unidades CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas) mantidas pelo Sistema Único de Saúde em todo o Brasil. “Ele é uma ferramenta que pode auxiliar a potencializar o engajamento dos usuários ao tratamento e também fortalecer os laços afetivos quebrados com a família em função do vício”, finaliza a designer.

O jogo ainda não está sendo comercializado, mas a criadora acredita que o Governo e a iniciativa privada podem viabilizar a sua distribuição.

Veja também