Quando a solução é o método

*Fonte: Estadão.com.br

Uma dica para o empresário cansado de bater cabeça diante dos desafios: a solução pode estar na outra ponta da cadeia produtiva. Isso mesmo, no seu cliente – ou, mais precisamente, na maneira como ele pensa. Esta é a bandeira do design thinking, ou design estratégico, modelo de trabalho baseado na observação, na intuição e na inovação no desenvolvimento de ideias inovadoras.

Design ThinkingFoto: Daniel Teixeira/AE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

   Equipe da empresa MJV, que oferece serviços com base no design thinking

Não se confunda com o termo design. “Não estamos falando de desenho, mas de processo”, diz a professora do Centro de Inovação e Criatividade da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Martha Terenzzo.

O objetivo dessa abordagem é inverter a perspectiva tradicional na busca por soluções. Em vez de partir do produto ou serviço que a empresa é capaz de oferecer, a prioridade é identificar o que o consumidor deseja, para então desenvolver o produto.

Criada nos EUA há três décadas, a metodologia começa a ser explorada no Brasil. “O empreendedor brasileiro entendeu que pode, por meio de processos, desmistificar os desafios da gestão”, diz.

O que, então, diferencia esta maneira de trabalho de uma metodologia tradicional? “Técnicas convencionais, como pesquisa de mercado e plano de marketing, pretendem provar uma teoria”, diz Maurício Vianna, sócio diretor da JMV Tecnologia e Inovação, empresa que oferece serviços de design thinking. “Já esse processo quer consultar todo o tipo de consumidor para descobrir possibilidades impensadas de um novo produto.”

Ouvir o consumidor – incluindo aquele que não é público-alvo da empresa – está no centro do método. Mas o processo vai mais longe. É preciso também observar o comportamento do futuro cliente para descobrir tendências. “O essencial no design thinking é uma visão operacional da situação, explorando-a por vários ângulos”, diz Martha.

A Icatu Seguradora adotou a metodologia para desenvolver um serviço ainda inédito no Brasil: o microsseguro. O serviço, voltado para a classe C, está em fase de regulamentação.

A preocupação era: como lançar um produto que as pessoas ainda não conhecem, para uma nova classe e para a qual o marketing tradicional poderia não funcionar? “O design thinking está sendo fundamental para esse caso”, diz Humberto Sardenberg de Freitas, gerente de marketing da Icatu. “Por meio dele, conhecemos as necessidades do cliente e criamos soluções reais.”

O processo envolve etapas estratégicas: observar, criar e testar. Uma equipe fez uma imersão no universo do público-alvo para, por meio de um brainstorm coletivo, desenvolver possibilidades. As melhores foram materializadas e levadas ao consumidor. “Só assim conseguimos identificar, por exemplo, o melhor momento para o cliente receber seu investimento, no caso de seguro de capitalização.”

No processo, algumas ideias acabam ficando para trás. E a possibilidade de criar um produto de sucesso, mais próxima.

2 Comentários

  1. [email protected] disse:

    Excelente artigo! De maneira direta e ilustrada, consegue mostrar que existem outras maneiras de inovar e buscar mercados inexplorados, sem necessariamente descartar a inovação gerada pelo esforço tecnológico. Conforme mencionado, trata-se de um caminho há muito tempo utilizado pelas empresas Americanas e uma das escolas pioneiras nesse assunto foi o Institute of Design do Illinois Institute of Technology em Chicago. São mais de 100 métodos e abordagens do design estratégico ensinados naquela escola.

    Nós da Sylver Consulting também levantamos a bandeira do design estratégico. E vamos muito além das capacidades de uma empresa tradicional de pesquisa de mercado ao mergulhar fundo no mundo do consumidor para obter respostas que se traduzem em oportunidades de ação para os nossos clientes. Conduzimos inúmeros estudos híbridos, nos quais aproveitamos várias técnicas qualitativas (como por exemplo, o tradicional focus group), e uma combinação de metodologias qualitativas e quantitativas. A pesquisa on-line também vem sendo muito utilizada nos últimos anos e vem mudando bastante a nossa prática.

    Tomara que mais empresários brasileiros se juntem ao Humberto Sardenberg de Freitas para enxergarem também essas oportunidades. Concordamos com este artigo plenamente!

  2. Fabo Zampirão disse:

    Me desculpe a ilustre professora MAS comparar design com desenho, acho que não foi uma feliz comparação,
    “Não estamos falando de desenho, mas de processo”
    É a favor do termo design que não se nomeia mais “desenho industrial” em muitos cursos.