Resultados em parcerias com centros de pesquisa

A inovação aberta não é exclusividade das grandes companhias e pode beneficiar empresas de pequeno porte. Segundo Lucas Aquino, da consultoria Allagi, especializada em serviços de inovação aberta, as organizações menores precisam investir em parcerias com instituições de pesquisa, universidades e companhias privadas de maior faturamento para ganhar mercado.

“Hoje, já é mais comum encontrar empresários e engenheiros empreendedores em busca de alianças nas universidades e de apoio financeiro em fundos de investimento”, diz Aquino, um dos palestrantes convidados do Fórum Sebrae de Conhecimento, encerrado na última sexta-feira, em Brasília (DF).

Na Scitech, de Goiás, a aproximação com agências de fomento e de pesquisa pavimentaram a escalada da empresa na produção e exportação de stents. O design e o uso de redes sociais, segundo especialistas, também podem ser usados como diferenciais competitivos entre as companhias inovadoras.

De acordo com Aquino, baseado em dados da National Science Foundation, nos Estados Unidos, os investimentos dos pequenos negócios em pesquisa e desenvolvimento (P&D) saltaram de 4,5% do faturamento, no início da década de 1980, para 24% da receita em 2005. “O avanço da indústria de venture capital trouxe investidores que bancam o desenvolvimento de projetos em troca de participação nos lucros, licenciamento de produtos ou na constituição das empresas.”

Melchiades da Cunha Neto, da Scitech: apoio de instituições públicas permitiram desenvolvimento de produtos reconhecidos internacionalmente

Na inovação aberta, as organizações utilizam ideias de parceiros externos, têm alta mobilidade nos quadros de pesquisadores, grande atividade junto a fundos de capital, além de colaboradores que também trabalham em outras companhias ou institutos de pesquisa.

“O modelo clássico de tomada de decisão, fechado e que considerava apenas as estratégias internas das companhias, não é mais indicado”, analisa o consultor. “A inovação aberta envolve a construção de uma cultura empresarial e acena que as empresas podem e devem usar ideias próprias e externas para chegar ao mercado.”

O especialista lembra o exemplo da Mr. Beer, rede de quiosques de venda de cervejas especiais em shopping centers. Com o avanço do modelo de negócios para lojas de rua, a empresa precisou fazer parcerias para não perder a competitividade. Fez alianças com fornecedores de petiscos e importadores de bebida.

Com fábrica em Goiânia (GO), a Scitech, da área de produtos médicos, também investiu na inovação aberta para conquistar clientes. A empresa de R$ 11 milhões de faturamento foi criada no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), na Universidade de São Paulo (USP), com apenas dois colaboradores. Hoje, produz sete mil stents ao ano. Nos próximos meses, a companhia vai investir R$ 4 milhões em uma fábrica em Aparecida de Goiânia (GO) e ampliar as entregas em cinco vezes. “Exportamos para 32 países e, em dois anos, a meta é alcançar 50 países”, diz o presidente da Scitech, Melchiades da Cunha Neto.

Para chegar a esse patamar de desenvolvimento, ele usou subvenções econômicas da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e recebeu apoio de instituições, como o Sebrae e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Também contou com o Instituto do Coração (InCor) na área de estudos clínicos.

“Os acordos com empresas, universidades e instituições de pesquisa foram fundamentais para a sobrevivência do negócio”, lembra o empresário. A Scitech produz stents de cobalto cromo de 1,8 milímetros de largura por 9 milímetros de comprimento. Nesse nicho, concorre com multinacionais como a Johnson & Johnson.

“Um dos nossos diferenciais é que os clientes não dependem de importação e de longos prazos de entrega.” Além dos stents, a empresa, vencedora do Prêmio Finep de Inovação Nacional em 2008, desenvolve bisturis elétricos e tubos para endoscopia. O próximo projeto é um stent farmacológico, capaz de liberar medicamentos no organismo.

Para Ken Fonseca, do Centro de Design Paraná, os pequenos negócios podem adotar o design como fator de competitividade diante de concorrentes maiores. “O design não precisa deixar o produto bonito, mas encantar o consumidor e agregar valor à mercadoria.”

Fundado em 1999, em Curitiba, é o primeiro centro de design instituído no Brasil, com atuação orientada a partir das necessidades dos empresários. O especialista acredita que o planejamento de ações de design na linha de produção precisa driblar mitos que o processo encarece o produto, custa mais para a empresa ou só pode ser usado pelas grandes organizações.

*Fonte: Valor Econômico – Por Jacilio Saraiva, de Brasília