Sobre o design e suas fronteiras

Com informações de Cristiano Castilho, da Gazeta do Povo

A pergunta foi a seguinte. “Você conseguiria pensar em uma exposição com foco no processo e não no resultado de algum tipo de comunicação visual? Que se concentrasse no pensar e não no fazer?” A resposta foi sim, e o resultado está na mostra Rico Lins: uma Gráfica de Fronteira, em cartaz no Teatro da Caixa, em Curitiba.

Cerca de 200 trabalhos do designer carioca radicado em São Paulo poderão ser vistos até o dia 24 de outubro. Entre eles, cartazes de cinema – foi ele quem criou o pôster do filme Labirinto de Paixões, de Pedro Almodóvar –, capas de revistas, ilustrações, capas de livros e outros projetos gráficos.

“Há um banner de 1,5 m por 40 m de comprimento com vários cartazes que guia o público até uma tela de cinema. A razão disso é definir a área atuação do design gráfico, o deslocamento do contexto, o falar de uma coisa e se referir a outra”, diz o artista, de currículo invejável.

Lins trabalhou para os jornais franceses Le Monde e Libération, para as editoras Hachette e Gallimard e para o Centro Georges Pompidou. Após concluir seu mestrado em Design Gráfico, Ilustração e Cinema de Animação no Royal College of Art (Londres), mudou-se para Nova York em 1988, a convite da CBS Records, como diretor de arte da gravadora.

A partir de 1990, atendeu clientes como a MTV Networks e as gravadoras BMG, PolyGram, RCA, WEA, Rykodisk e CTI. Também trabalhou para as revistas Time, Newsweek, New Yorker e BusinessWeek e para os jornais The Washington Post e The New York Times.

A pergunta inicial, que gerou a exposição, foi feita por Aguinaldo Farias, curador da mostra e do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. “Ele sentiu que meu trabalho era algo híbrido entre design artístico e outras formas de comunicação”, conta Lins.

Essa é a quinta montagem da exposição, que estreou ano passado no Rio de Janeiro, e também passou por São Paulo, Recife e Fortaleza. “O projeto tem de conversar com o espaço físico em que se insere. A cada montagem há a possibilidade de inserção de mais elementos”, diz o designer, também responsável pelo projeto de comunicação visual museográfico e de sinalização do Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo.

A exposição conta ainda com projetos desenvolvidos para televisão, como a concepção gráfica do programa Você Decide, exibido pela Rede Globo entre 1992 e 2000.

Brasil

Com vasta experiência internacional, Rico Lins defende o bom momento do design no Brasil – “está crescendo muito”, diz – , mas faz ressalvas quanto à aplicação do trabalho artístico. “Precisamos de um design que dialogue mais com a cultura. Existe um problema em se identificar o design como solução de mercado”, aponta. Lins já fez exposições individuais em Paris, São Paulo, Rio, Caracas e Chaumont e participa das principais bienais e mostras coletivas na Europa, Estados Unidos, Ásia e America Latina.

Serviço

Rico Lins: uma Gráfica de Fronteira. Teatro da Caixa (R. Cons. Laurindo, 280), (41) 2118-5111.