Você usaria a bicicleta como meio de transporte?

 

 

 

 

 

Texto:Julliana Bauer / Arte Gráfica: Juliana Mayumi

 

De acordo com a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), o Brasil possui mais de mais de 70 milhões de bicicletas, o que nos torna o segundo país com maior frota e o quinto com maior mercado no setor. Então por que ainda não possuímos infraestrutura suficiente nas grandes metrópoles para utilizar a bicicleta como meio de transporte? De acordo com Tito Caloi, empresário criador da Tito Bikes, trata-se de um atraso que poderia ser revertido caso o Brasil utilizasse como modelo os sistemas de sucesso de países como a Holanda. “Não é necessário reinventar a roda, é só adaptar modelos que deram certo”, afirma. Tito Caloi será um dos palestrantes da Semana D 13’ – Festival de Design, que acontecerá em Curitiba entre os dias 01 e a 06 de outubro. Tendo a bicicleta como parte de sua história – seu bisavô já possuía uma oficina de bicicletas – o empresário vem a Curitiba para falar sobre mobilidade urbana.

Realizada pelo Centro Brasil Design, pela Prodesign>PR e com patrocínio do SEBRAE e do Unicuritiba, a Semana D é um festival de design moldado de acordo com eventos similares que acontecem anualmente na Europa. O tema da vez é “O Design Transforma”.

Quatro milhões de novas bicicletas são produzidas anualmente no país. Destas, cerca de 32% são utilizadas por crianças. Um bom sinal? Para Jorge Brand, coordenador geral da Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu – uma organização sem ?ns lucrativos que visa fomentar a cultura da bicicleta como meio de transporte em Curitiba e região metropolitana –o que falta para que os brasileiros adotem de vez a bicicleta como meio de transporte é estrutura e políticas públicas. “Vemos há décadas a priorização do automóvel”, conta Brand. Ele afirma ainda que os brasileiros já enxergam o potencial da bicicleta muito além de sua utilização para o lazer, já que ela é uma tendência mundial em transporte.

A Bicicletaria.net, um serviço de aluguel de bicicletas, é a prova de que a população está disposta a dar uma chance às bikes. Há pouco mais de cinco meses, três unidades foram inauguradas em Curitiba com o objetivo de desenvolver, implantar e operar sistemas de compartilhamento de bicicletas. O funcionamento é simples: o usuário pode alugar uma bicicleta no Centro Cívico, Parque São Lourenço ou no Jardim Botânico e depois devolvê-la em qualquer um dos três pontos. Os resultados, de acordo com o empresário Rafael Medeiros, têm sido acima das expectativas: ocupação total da frota nos fins de semana e 2500 clientes cadastrados.

Tito destaca outros pontos positivos de se incluir a bike no dia-a-dia: “Se computarmos os benefícios à população, como a redução no uso de automóveis e os benefícios à saúde, veremos que esse pode ser um programa superavitário para os cofres públicos”, afirma. A história de Tito Caloi se confunde com a história da bicicleta no Brasil. Sua família foi proprietária da Caloi até 1999, ano em que decidiram vender a empresa. Dez anos depois, o empresário voltou ao ramo com a Tito Bikes. Ao longo da década em que permaneceu fora desse mercado, Tito conta que percebeu uma estagnação no design de bicicletas. “Elas estavam se tornado uma commoditie, todas parecidas e todas sem graça, com exceção de algumas marcas importadas”, conta. Com a segmentação das magrelas, o empresário acredita que diversidade de design seja uma necessidade. “O design de uma bicicleta deve ser ideal para a sua finalidade, seja o mountain bike, ciclismo ou uso urbano”, explica.

Tanto o empresário quanto o coordenador da Cicloiguaçu são positivos em relação ao futuro da bicicleta e do ciclismo no Brasil. “Lá em 2005, éramos vistos como excêntricos e hoje isso já mudou, há uma demanda muito maior para esse tipo de transporte”, explica Brand. “O próximo passo é a criação de estruturas para esse público”, conclui.

Confira um infográfico sobre a história da bicicleta no Brasil: