A difícil missão do design simples

Por Ronaldo Duschenes

Nesta área industrial, como empresário e designer, pude perceber que quanto mais despretensiosa e útil for a peça de design, melhor ela é. Mas a genialidade do bom designer está em fazer isso acrescido de conceitos de ergonomia e de antropometria, que simplesmente passam desapercebidos aos olhos do consumidor em um primeiro momento.

Quanto mais pesquisamos, estudamos e criamos, mais descobrimos que as idéias simples são as melhores. O casal de designers Charles e Ray Eames sabia disso muito bem. Eles até criaram um conceito, o Good Goods, onde defendem as coisas básicas, úteis e belas acima de qualquer complicação maior. Simples, não? Pois saiba que para chegar a tamanha simplicidade – com usabilidade – é preciso queimar muito fosfato e horas de estudos, testes e refações.

A partir do momento em que o design industrial foi implantado, veio na trilha dele uma série de escolas de design que buscavam exatamente este conceito do simples, porém com o foco na grande escala. Por aí passaram os holandeses do Stijl, os alemães do Bauhaus, os construtivistas russos, os escandinavos, entre tantas outras cabeças pensantes de várias nações. Tudo isso somente no início desta fase industrial, onde queriam formar artistas para as indústrias. O desafio desde aquela época, décadas de 20 e 30, até hoje é criar um produto com um design atemporal, livre de adornos ou qualquer decoração que possa deixá-lo datado. E é aí que mora o grande desafio da simplicidade.

Nesta área industrial, como empresário e designer, pude perceber que quanto mais despretensiosa e útil for a peça de design, melhor ela é. Buscamos honestidade nos móveis que criamos. Em uma mesa de escritório, por exemplo, de que mais precisamos além de um bom espaço para trabalhar confortavelmente? Falando assim até parece simples demais. Mas a genialidade do bom designer está em fazer isso acrescido de conceitos de ergonomia e de antropometria, que simplesmente passam desapercebidos aos olhos do consumidor em um primeiro momento.

É papel do designer estudar, pesquisar e ficar antenado nas novas formas de trabalhar e nas rápidas mudanças tecnológicas para criar soluções de mobiliário que priorizem a saúde e o rendimento no trabalho. O designer é um observador que percebe como o processo de trabalho e suas ferramentas – atualmente representadas pelo notebook, telefone, monitor de tela plana, teclado, mouse, etc. – interagem conosco e afetam nosso corpo. E é pensando em tudo isso que os designers de hoje investem em um conceito mais orgânico, mais simples e prático, além de belo, nos móveis que usamos diariamente, seja em casa ou no trabalho. Especialmente no trabalho, onde passamos a maior parte do tempo. Natural, então, que o conforto lá seja mais do que um capricho, e sim uma necessidade. Simples assim.

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