A educação do Design

Por Ellen Kiss

O Brasil deveria levar em consideração o trajeto percorrido por paises que hoje estão bastante avançados na busca pelo desenvolvimento.

Constantemente o design é citado como uma das principais forças na competição do mundo coorporativo global. É fato que um crescente número de empresas têm reconhecido a importância do design e da inovação na busca de uma vantagem competitiva sustentável, seja ela através da construção de uma marca forte ou na criação de um produto ou um serviço que atenda diretamente a uma necessidade de mercado.

Empresas têm também identificado que na dinâmica atual dos negócios, onde inovação é a principal regra da competição, é fundamental o desenvolvimento de características que incentivem esta prática entre seus gerentes e funcionários. Pensamento estratégico, visão, gerenciamento da criatividade, integração, times de trabalho, liderança são algumas das contribuições que a disciplina design pode oferecer para a formação deste novo profissional.

Já mencionado por mim em um artigo anterior nesta mesma coluna, a abordagem do design é interativa, baseada em criatividade e intrinsecamente orientada à mudanças e novas possibilidades, tornando-a essencial para a inovação.

Dentro deste cenário, é extremamente necessário que as disciplinas de Design e Business/Administração tenham algum grau de integração muito anteriormente às praticas comerciais. É necessário incorporá-las nas salas de aula, onde as opiniões estão sendo formadas e os profissionais capacitados.

Profissionais de ambas as áreas devem entender a importância de uma disciplina para o sucesso da outra. Embora intrinsecamente diferentes são disciplinas correlatos, dependentes, subordinadas.

Um designer tem ao menos duas razões para um maior entendimento em business:

conhecimentos adquiridos sobre mercado, organização empresarial, gestão de projetos, propriedade intelectual serão de grande utilidade na pratica da sua profissão junto a seus clientes;

o mercado artístico é, em sua maioria, formado por pequenas e médias empresas, sendo para estas, fundamental conhecimentos em gestão, finanças, marketing, promoção, propriedade intelectual, etc. Sem uma base teórica envolvendo estes assuntos, o profissional se torna incapacitado ao deparar-se com o mercado.

 

Ao mesmo tempo, futuros gestores de marcas, produtos ou serviços teriam uma enorme vantagem competitiva se soubessem:

aproveitar do potencial que um design efetivo pode proporcionar. O sucesso de uma iniciativa está diretamente ligado ao atendimento de uma necessidade. O design é a ferramenta para detectar esta necessidade, resolvê-la com base na criatividade a implementá-la. Sendo assim, estas características são importantes para qualquer pessoa e não somente aos designers.

Diversas iniciativas neste sentido já surgiram ao redor do mundo. Cursos de especialização, pós-graduação, mestrados, doutorados em torno do Design Management já foram implementados, e têm sua procura acentuada em função do apoio e da promoção por diversas instituições globalmente reconhecidas como DMI (Design Management Institute) e DBA (Design Business Association). Diversos projetos governamentais também apóiam estes projetos como o Bristih Council (Inglaterra) ou o Danish Design Centre (Dinamarca).

Uma pesquisa divulgada pelo British Council na Inglaterra em julho de 2005 detectou entre outros fatos, que todas as escolas de design pesquisas em um total de 78 instituições ensinam conceitos de administração de alguma forma. Complementando este fato, 96% das escolas de administração (total entrevistado: 50 escolas) ensinam conceitos de design. Isso reforça que as duas disciplinas necessitam desta integração. Ver gráficos abaixo.

Em contrapartida, universidades brasileiras não seguem o mesmo roteiro. São poucas as universidades de design ou desenho industrial que têm estas disciplinas inseridas no currículo. Na área e administração, o cenário é ainda pior, praticamente nenhuma das instituições possuem design ou disciplina correlata no programa.

Na minha opinião, o Brasil deveria levar em consideração o trajeto percorrido por paises que hoje estão bastante avançados na busca pelo desenvolvimento. Desta forma, não teremos que caminhar o longo trajeto da mesma forma e sim aprender com quem já o percorreu. Há 120 anos atrás, Rui Barbosa, amparado pelos idéias do inglês Walter Smith, afirmou que o Brasil só alcançaria um desenvolvimento sustentável quando passasse a exportar produtos e marcas com valor agregado ao invés de commodities. Me parece que estamos levando tempo demais para aprender…

Arquivo de referência:
PESQUISA ENTRE AS ESCOLAS DE BUSINESS BRITANICAS