A Embalagem vai a escola

Por Fabio Mestriner

A presença da embalagem no currículo dos cursos superiores ainda é praticamente inexpressiva.

Nenhum profissional que atua na área de consumo desconhece o poder e a importância da embalagem para o sucesso de seus produtos no ponto-de-venda.

A indústria de embalagem instalada no país vai movimentar este ano uma cifra próxima dos 35 bilhões de reais constituindo-se num setor que contribui de forma expressiva na formação do PIB Nacional.

Entre os vinte maiores conglomerados mundiais do setor de embalagem, dezoito têm fábricas e operam no Brasil.

Mas apesar de tudo isso, a presença da embalagem no currículo dos cursos superiores ainda é praticamente inexpressiva.

São raríssimos os exemplos desta atividade nas faculdades e universidades brasileiras.

O Brasil precisa de embalagem para seu desenvolvimento. Precisa de boas embalagens para agregar valor e melhorar a competitividade de nossos produtos aqui e lá fora.

Se pretendermos participar mais ativamente do comércio global, precisaremos desenvolver recursos humanos e industriais para produzir embalagens capazes de colocar nossos produtos em competição nos mercados mais exigentes do mundo.

Preocupada com isso, a Abre – Associação Brasileira de Embalagem – criou um “Comitê de Educação” com o objetivo de estimular a criação de novos cursos e apoiar os já existentes promovendo o ensino da embalagem no país.

Escolas como a Mauá, Anhembi Morumbi, FMU e ESPM fazem parte deste Comitê e estão trabalhando para fazer com que o ensino da embalagem se amplie e aprofunde em nossas universidades.

Um exemplo recente do progresso resultante desta iniciativa é a criação do primeiro Núcleo de Estudos dedicado à embalagem criado numa escola de nível superior.

Consciente da importância crescente da utilização da embalagem como ferramenta de marketing e veículo de comunicação, a ESPM criou um núcleo de estudos totalmente dedicado a este tema. A escola que mantém há quase dez anos um curso intensivo de design de embalagem onde foi gerada uma metodologia que acabou virando livro didático, laçou no início deste ano um curso de Pós-Graduação em Gestão Estratégica de Embalagem, com um conteúdo inovador que pretende se tornar referência nesta área e gerar uma nova metodologia.

O objetivo deste curso é formar uma nova geração de profissionais que se encarregará da gestão da embalagem nas empresas fazendo com que esta importante ferramenta de competitividade evolua cada vez mais para as áreas estratégicas da empresa integrando o plano de marketing e o plano de comunicação. O gestor Estratégico de Embalagem funcionará como agente integrador fazendo com que as varias áreas da empresa que cuidam deste assunto trabalhem em conjunto e com visão estratégica com o objetivo de obter o máximo que este importante recurso da empresa pode oferecer.

Além destes cursos, o Núcleo realizará uma série de estudos começando por uma pesquisa-diagnóstico sobre o estágio atual da gestão de embalagem nas empresas brasileiras.

Os resultados deste estudo serão apresentados no primeiro Fórum Internacional de Gestão Estratégica da Embalagem que acontecerá em 2007.

Outra importante novidade que vem beneficiar o desenvolvimento de estudos mais avançados sobre a embalagem é a inauguração do “Retail Lab” uma completa loja de supermercado totalmente equipada e abastecida com produtos para permitir a realização de estudos e pesquisas de campo dos mais variados tipos.

Este supermercado laboratório será utilizado também para aulas práticas e testes de embalagens desenvolvidas pelos alunos.

O trabalho do Comitê de Educação da Abre e, agora, também o do Núcleo de Estudos da embalagem da ESPM, abrem uma nova perspectiva para o ensino da embalagem no Brasil. Um conhecimento que o país tanto necessita para promover ainda mais seu desenvolvimento.

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