A função social da embalagem

Por Fabio Mestriner

A embalagem não é “um mal necessário” – ela é um componente fundamental para a economia, a saúde, o emprego, o bem estar e o desenvolvimento do nosso país.

Tem se tornado comum para nós, que atuamos no setor de embalagem e estamos expostos ao confronto de idéias, a constatação cada vez maior da visão negativa que se desenvolveu em relação à embalagem em círculos de influência e formadores de opinião.

Está se tornando lugar comum acreditar que na melhor das hipóteses a embalagem é “um mal necessário” e, na pior delas, uma inutilidade destinada a encarecer os produtos e a poluir o meio ambiente. Já existe um pouco desta visão relacionada ao design que, muitas vezes, também é considerado um acessório adicional agradável mas que “encarece” os produtos. Mas como minha especialidade é a embalagem, vou me ater a ela neste artigo.

Esta visão equivocada, fruto da desinformação, vem ganhando terreno e precisa ser enfrentada – por todos aqueles que atuam no setor ou estão ligados a embalagem nas agências e escritórios de design, nas escolas, empresas que as produzem e as utilizam em seus produtos – sob pena de vermos surgir a cada dia novas iniciativas que objetivam barrar o desenvolvimento do setor e impor medidas restritivas à embalagem de maneira geral.

A sociedade brasileira precisa conhecer a grande importância econômica e social da embalagem para o desenvolvimento do pais e a melhoria da qualidade de vida de sua população. Os brasileiros precisam conhecer a enorme contribuição da embalagem para a saúde pública e saber que não é possível ministrar medicamentos as pessoas que vivem em nossas milhares de cidades sem utilizar embalagens. Ninguém consegue tomar um remédio sem embalagem, basta observar uma farmácia para perceber isto.

Não é possível vacinar as crianças, nem garantir a sanidade dos rebanhos de animais, combater as pragas da lavoura, distribuir a merenda escolar, alimentar os trabalhadores nos restaurantes industriais e realizar um número enorme de ações de caráter sanitário e social sem a utilização intensiva de embalagens. As exportações brasileiras, que tanto têm contribuindo para o equilíbrio de nossa balança comercial, utilizam muitas embalagens, pois mais da metade de seu valor é constituido por produtos manufaturados que exigem boas embalagens, tanto para chegar em perfeitas condições ao seu destino como para competir nos mercados mais exigentes do mundo.

O setor de higiene pessoal, cosméticos e perfumaria – no qual o Brasil já figura entre os maiores mercados do mundo – utiliza intensivamente embalagens para levar seus produtos a todos os lares do pais permitindo as pessoas cuidarem de sua higiene e melhorarem sua aparência e consequentemente elevarem sua auto estima.

Para manter suas residências livre dos germes, da sujeira, dos ratos e dos insetos, milhões de brasileiros recorrem a embalagem dos produtos de limpeza para a aplicação destes produtos.
Nas questões ambientais, onde a embalagem tem sido tão atacada, é preciso lembrar que o Brasil já alcança índices bastante bons de reciclagem e que esta atividade ainda tem um longo caminho para evoluir no país, mas depende da melhoria da educação e das condições de saneamento básico, pois sem coleta seletiva e sem educação não se consegue dar um destino correto ao descarte nem reciclar em larga escala.
A reciclagem de embalagem é uma atividade sócio-ambiental que contribui não só para a proteção ao meio ambiente como também para a assistência social pois ela responde hoje como fonte de trabalho e renda para mais de meio milhão de brasileiros que não tem qualificação profissional e tiram desta atividade o sustento de suas famílias enquanto não conseguem voltar ao mercado de trabalho.

O setor supermercadista é hoje um dos maiores geradores de empregos no país. Alguém consegue imaginar um supermercado sem embalagens?

As indústrias de alimentos e bebidas respondem por cerca de 60% por cento do consumo total de embalagem. São indústrias de bens de primeira necessidade que dependem dela para distribuir seus produtos em todas as regiões e cidades do Brasil.
Os habitantes do Norte e Nordeste só podem consumir os alimentos e bebidas produzidos no Sul e Sudeste por causa das embalagens que permitem que esses cheguem em perfeitas condições de consumo e vice versa com os produtos do Norte e Nordeste que chegam as demais regiões. As indústrias de alimentos não tem como funcionar sem embalagem pois é justamente esta que permite que os alimentos sejam industrializados, ampliem seu tempo de vida e sejam distribuidos.

Poderíamos enumerar mais uma série de contribuições da embalagem para as pessoas, as empresas e o país, mas acredito que os exemplos citados já dêem uma boa visão dos fatos.

A embalagem não é “um mal necessário”, ela é um componente fundamental para a economia, a saúde, o emprego, o bem estar e o desenvolvimento do nosso pais e isso precisa ser lembrado em todas as oportunidades, pois não existe nação desenvolvida sem uma indústria de embalagem forte que embale sua produção atenda suas necessidades internas e viabilize suas exportações.

A embalagem existe para atender às necessidades e aos anseios da sociedade e com ela evolui. O design é um componente fundamental na constituição das embalagens e tem ainda a função cultural de expressar o estágio de desenvolvimento da cultura material de um povo. Numa casa humilde pode não haver muitos objetos e equipamentos domésticos, mas certamente haverá uma porção de embalagens utilizadas não só para conter os produtos que embalam, mas, muitas vezes, a função de objetos utilitários. Afinal, quem já não bebeu água num copo de requeijão?

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