A nova fronteira do design de embalagem

Por Fabio Mestriner

O designer terá que evoluir para a função de comunicador que utiliza a embalagem com suporte de comunicação e veículo de mídia.

Eu me lembro de um tempo em que precisávamos explicar aos potenciais clientes o que era design e para que isso servia para o negócio e a empresa dele.

Felizmente este tempo já passou.

O design de embalagem está bastante difundido no Brasil e as empresas mesmo as pequenas já sabem que precisam buscar este serviço especializado para potencializar seus produtos.

Surgiram livros e escolas, existe uma metodologia consolidada, disseminada pelo país e até a Associação Brasileira de Embalagem que antes congregava apenas a indústria e os profissionais desta área, tem hoje um comitê de design com mais de 50 agências que participam da entidade e buscam na integração com a industria de embalagem oferecer melhores soluções a seus clientes.

Prêmios, publicações do setor e os formadores de opiniões sobre o design no pais, entendem a importância e o papel do design de embalagem para o nosso desenvolvimento.

Organismos governamentais como o Sebrae e a Apex estão investindo em design para aprimorar a competitividade dos nossos produtos e empresas tanto no mercado interno quanto nas exportações.

No grande evento de referência e conceito que está sendo montado para promover e elevar o reconhecimento do design nacional, a Bienal Brasileira do Design a embalagem estará presente, pois foi reconhecida como um dos setores desta atividade que merece estar representado.

Tudo isso indica que a situação brasileira descrita no inicio deste artigo foi superada e que vivemos novos tempos em nossa atividade.

Resta-nos agora avançar rumo ao futuro e estender as nossas fronteiras.

O design de embalagem tem que olhar para o futuro e descobrir seu lugar na nova sociedade da Hyper-Conectividade, onde as pessoas estarão conectadas 24 horas por dia e os produtos assumirão uma nova dimensão.

A fragmentação da mídia está dispersando os consumidores que agora podem estar na internet, num dos mais de cem canais da TV paga, ouvindo seu I pod ou plugado no radio do carro, no cd player, no vídeo, cinema, lendo jornais, revistas, livros, etc…

Esta dispersão do consumidor tornará sua atenção o bem mais precioso da sociedade de consumo e as empresas terão que montar estratégias cada vez mais sofisticadas para conquistar os segundos desta atenção.

A embalagem terá um papel decisivo nesta nova fronteira, pois tem o contato físico, material e tangível com o consumidor e sua vida. Está todas as manhãs no seu armário de banheiro, todos os dias na sua casa e representa a possibilidade de contatos continuados.

É o representante da marca no momento de consumo quando o consumidor vive a experiência com o produto.

Explorar o enorme potencial de comunicação representado pela embalagem é o desafio das empresas do futuro.

O designer terá que evoluir para a função de comunicador que utiliza a embalagem com suporte de comunicação e veículo de mídia.

Deverá ser capaz de integrá-la às demais ferramentas de comunicação como a propaganda, o hot site, o marketing promocional e todas as outras mídias.

Terá que desenvolver programas de comunicação continuada estabelecendo relacionamentos através da embalagem.

Enfim, esta nova fronteira exigirá um novo designer, ao mesmo tempo em que o novo designer de embalagem ao compreender os avanços da sociedade estenderá a fronteira de sua atuação para muito além de onde ela se encontra hoje.

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