Afinal, do que temos certeza ?

Por Christian Ullmann

Um exemplo muito interessante é o trabalho desenvolvido pela cidade de Betim (MG), que integra o grupo de Cidades pela Proteção Climática (CCP).

O Salão de Detroit, uma das feiras automotivas mais importantes do mundo, apresentou alguns dos lançamentos mais esperados: as novas tecnologias que poluem menos.

Entre as principais novidades exibidas pelas montadoras estão o uso de combustíveis eficientes e de biocombustíveis que reduzem o consumo em até 20% e as emissões de carbono em 15%; a produção de etanol, a partir de diversos materiais como pneus ou resíduos agrícolas; e carros movidos a eletricidade que não usa gasolina e emite apenas água e assentos em espuma à base de soja.

Como conceito, isto é muito bom, mas tudo não passa por enquanto de boas intenções, pois esses novos produtos não existem de verdade e ainda não há prazo para que entrem em produção.

Isto corrobora a matéria que divulga o trabalho realizado pela revista americana ‘Business Week’, que comenta como a responsabilidade sócio-ambiental corporativa de muitas das empresas que se auto promovem como sustentáveis. A matéria explica que a maior parte das ações destas empresas são inócuas, a não ser para o marketing das companhias.

Os anos passam e o quadro de ‘desastres naturais’ aumenta. Pouco se avança em direção a modos mais sustentáveis de consumo e vida. A Terra tem sua capacidade de gerar e repor recursos e nós continuamos desrespeitando esta ordem natural.

Do que temos certeza é que há muitas ações isoladas que estão revertendo e apresentando novos caminhos para governos, empresas e sociedade. Exemplos não sobram, porém são animadores para sigamos tentando. Um exemplo muito interessante é o trabalho desenvolvido pela cidade de Betim (MG), que integra o grupo de Cidades pela Proteção Climática (CCP), campanha do Conselho Internacional para Iniciativas Ambientais Locais (ICLEI) que, desde 2002, implementa várias ações no sentido de reduzir as emissões de gases que contribuem para o aumento do efeito estufa.

Betim tem se destacado em políticas públicas inovadoras, que tranaformaram a cidade numa referência para outros municípios, criando parcerias para implementar programas similares adaptados às peculiaridades locais, promovendo integração e troca de experiências, sobretudo em relação aos municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte, facilitando a disseminação do programa.

Desde 2001, em parceria com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), foram instalados mais de 1.400 aquecedores solares para aquecimento de água dos chuveiros em conjuntos habitacionais; houve uma campanha de conscientização, nas escolas, para conservação de energia, através de parceria com a Cemig; projeto Procel; projeto para transporte coletivo, reestruturando todo o sistema existente, otimizando o uso dos veículos, reduzindo percursos e economizando combustível; substituição de forma gradual da frota de veículos da prefeitura e de empresas terceirizadas por veículos que utilizem biocombustíveis.

No Brasil, onde ainda se discute a implantação de um modelo centralizador e ultrapassado de geração de energia, temos no exemplo da cidade de Betim uma alternativa na caminhada rumo ao fornecimento descentralizado de energia, em que as autoridades locais enfrentam desafios e oportunidades para acelerar o uso da energia renovável, assim como mais eficientes e sustentáveis sistemas energéticos que reduzam os impactos ambientais negativos.

Energias Renováveis Locais, são aquelas obtidas de fontes naturais capazes de se regenerar, portanto virtualmente inesgotáveis e não alteram o balanço térmico do planeta, a pesquisa e desenvolvimento destas tecnologias são importantes para os governos locais. Estão entre as razões para adotar essa prática:

Promover fontes sustentáveis e locais;
Aumentar a segurança das fontes de energia usando o fornecimento de energia local diversificada e descentralizada;
Reduzir o custo da transmissão de energia e sua distribuição (e resíduos associados);
Abandonar fontes finitas de combustível fóssil e reduzir as emissões de CO2;
Fortalecer a economia local, considerando o desenvolvimento de novas oportunidades que melhorem as opções locais de emprego, em particular para o crescimento de empresas de pequeno e médio portes;
Usar o profissionalismo e o desenvolvimento de universidades locais, pesquisadores e ONGs;
Promover esquemas inovadores para investidores municipais, em trabalho conjunto com o setor privado.

No Brasil, as fontes de energia renovável podem ser obtidas de diversos modos: Bioenergia (biomassa e biogás), Fotovoltáicas, Energia Termo-Solar, Energia Solar Passiva, Energia Eólica, Energia Geotérmica, Pequena Central Hidrelétrica PCH e Energia Mareomotriz.

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