Ajudando empresas na Irlanda e em Gales a utilizar design para realizar suas idéias

Por Editor DesignBrasil

Entrevista com Darragh Murphy, que coordenou o Programa Winnovate, que incentiva empresas no País de Gales e Irlanda a utilizar design no desenvolvimento de seus projetos.

Existem inúmeras maneiras de auxiliar empresas no seu processo de desenvolvimento de produto. Neste sentido, não existe uma forma correta e outra errada, mas experiências diferentes. O Programa Winnovate é uma destas fontes de inspiração para a prática do suporte em design. Este programa vem encorajando empresas no País de Gales e Irlanda a utilizar design no desenvolvimento de seus projetos.

Nesta entrevista, Darragh Murphy fala de sua experiência na coordenação deste projeto. Ele explica como seus trabalhos anteriores como designer de produto e também como designer interno de empresas têm sido úteis para o programa, assegurando um know-how sobre interação com a indústria e a comunidade de design.

Darragh trabalha atualmente para o National Centre for Product Design & Development Research PDR, no País de Gales (Reino Unido). Nesta instituição, ele também supervisiona profissionais recém-graduados em um programa britânico para trasferência de conhecimento entre empresas e universidades chamado KTP (Knowledge Transfer Parnterships). Confira:

Gisele Raulik – Darragh, como o programa Winnovate opera?

Darragh Murphy – Winnovate tem o objetivo de encorajar pequenas empresas do Oeste de Gales e no Sudeste da Irlanda a usar design para serem mais inovadoras e colocar suas idéias em prática. Com vista neste objetivo, cada país tem adotado métodos próprios com base no seu potencial e capacidade. Nosso parceiro na Irlanda – uma escola de design desenvolveu uma série de workshops com foco em design e treinamento para negócios. Aqui em Gales nosso potencial é mais forte em assessoria e portanto desenvolvemos um programa intenso de assistência que temos chamado Design-Desenvolvimento-Suporte. Este processo compreende o desenvolvimento de idéias junto às empresas, desde um rascunho até um conceito realizável acompanhado de um plano de negócios. Este esquema utiliza os serviços de consultores e designers.

Gisele Raulik – Winnovate é um programa financiado pela União Européia através do Programa INTERREG IIIA. Como este fundo influenciou o formato e os objetivos do programa?

Darragh Murphy – O programa europeu INTERREG estabelece várias condições, o que torna o gerenciamento de um programa de suporte em design ainda mais desafiador e interessante. Por exemplo: o fundo de contra-partida, o desenvolvimento de parcerias entre fronteiras, igualdade de oportunidades A colaboração entre dois países transformou-se em uma competição sadia para atingir as metas. Isso tem sido bom para o programa, além de nos fazer pensar e repensar maneiras de fazer as empresas engajarem-se nas atividades.

Gisele Raulik – A dificuldade de convencer empresas a investir em design é mais do que reconhecida. Tem sido uma tarefa difícil ganhar o comprometimento das empresas? Que argumentos são usados para atrair participantes, ainda mais considerando que o Programa Winnovate opera com uma taxa de adesão?

Darragh Murphy – O primeiro ano do programa em Gales foi realmente difícil para conseguir empresas que assinassem a participação no programa. Nossos parceiros na Irlanda estavam muito adiante das metas, com um bom número de empresas atendendo os Workshops, enquanto nós aqui continuávamos recitando o evangelho do design. Então decidimos parar para analisar nossas atividades. Percebemos que para convencer uma empresa a investir 500 libras esterlinas na sua adesão, seria necessário tratar o programa como um produto, redesenhar o projeto e vendê-lo para um cliente em potencial. Então nos colocamos em posição de contactar nosso público alvo e ouvir o que eles gostariam de aprender deste programa. Isso foi como adotar o princípio que, na verdade, nós mesmos costumávamos passar para as empresas nas consultorias. Então, isso deveria funcionar para nós da mesma maneira. E realmente mostrou-se eficaz temos estado bastante ocupados desde que relançamos o programa em Gales, no início deste ano.

Gisele Raulik – Winnovate é um programa de curta duração. Existe uma preocupação de que programas curtos não sejam capazes de promover um impacto desejado a longo prazo na cultura da empresa. Existe um otimismo de que as empresas participantes irão continuar a investir em design depois do fechamento do projeto? Como o Winnovate tem trabalhado para assegurar que este comprometimento irá perdurar?

Darragh Murphy – Nosso primeiro objetivo no Winnovate é fazer empresários perceberem como o design pode ser útil para os seus próprios negócios. Existem outras maneiras de desenvolver uma idéia além da solução de contratar um escritório de design. Exitem possibilidades como a de contratar um profissional recém graduado, cooperar com clientes e fornecedores, solicitar alguns dos muitos fundos e esquemas disponíveis para investimento em pessoal e equipamento. Nós procuramos tornar a empresa consciente de todas estas possibilidades disponíveis para que possam continuar desenvolvendo suas idéias.

Gisele Raulik – Mas pra atingir uma continuidade, é necessário que alguma forma de transferência de conhecimento aconteça durante o programa. Quais as atividades do Winnovate que atuam com este propósito?

Darragh Murphy – Workshops e assessoria são as principais atividades do Winnovate. Nós perguntamos às empresas participantes os temas que mais as atraíam. Dos temas apresentados, os mais solicitados foram marketing para inovação, e geração de idéias, alem de tópicos diretamente ligados a design. O menos priorizado foi Eco-design, o que mostra uma baixo interesse neste assunto. Nós acabamos de completar esta série de Workshops com sucesso e agora estamos buscado outras alternativas para engajar as empresas. Em projetos anteriores tive contato com outros métodos de transferência de conhecimento a empresas: redes de contatos, estágios, workshops em escolas de design, consultoria e desenvolvimento de assessoria em design junto a consultores de negócios.

Gisele Raulik – Você apontaria uma destas atividades como particularmente efetiva na comunicação com empresas?

Darragh Murphy – De todos estes métodos, o mais efetivo é com certeza a assessoria direta ao empresário em projetos reais. Em workshops e seminários, a efetividade fica dependendo diretamente da qualidade do apresentador e do material. Também é essencial ter exercícios práticos com os participantes para quebrar barreiras e melhorar a comunicação. Nossos parceiros do Programa Winnovate em Antur Teifi (oeste de Gales) prepararam um excelente workshop em Marketing e Inovação nestes moldes. Ainda estamos recebendo resposta positiva dos participantes.

Gisele Raulik – Você ganhou experiência e conhecimento trabalhando tanto na indústria como também em consultorias de design. Como estes trabalhos anteriores estão sendo válidos para a sua função atual como orientador?

Darragh Murphy – Eu me mudei de um escritório de design localizado no centro da cidade de Dublin para uma indústria onde não havia nenhuma apreciação pelo design. Então, a minha tarefa inicial foi das mais difíceis – justificar a minha presença e utilidade para colegas de trabalho, diretores e clientes. Esta situação é similar à que muitos dos profissionais recém-graduados são submetidos no programa KTP (Knowledge Transfer Partnership). A diferença é que eles contam com um respaldo da Universidade e financiamento do Governo. Muitos destes profissionais sentem insegurança trabalhando como designers internos nas empresas, sentindo-se isolados da comunidade de design. Eu posso compreender esta situação por experiência própria e ajudar a lidar com este quadro. Uma vez que eles percebem o potencial da posição que assumiram, não olham mais para trás.

Gisele Raulik – Este programa britânico Knowledge Transfer Partnership opera em áreas diversas, colocando recém-graduados para trabalhar em empresas sob a supervisão de professors e profissionais experientes. Esta é uma estratégia diferente para levar empresas a experimentar os benefícios do design e possivelmente integrar esta disciplina no seu processo de desenvolvimento de produto. Você poderia comparar os benefícios que as empresas ganham em cada um destes programas?

Darragh Murphy – Nenhuma das empresas participantes do Programa Winnovate poderia arcar com os custos de um KTP design Programme (£500 comparados a £32.000). Então, poderíamos dizer que o Programa Winnovate tem feito design mais acessível para empresas que nunca poderiam considerar esta possibilidade. Os benefícios obtidos através de um Programa KTP são de longo prazo e a principal vantagem é ter um profissional trabalhando em tempo integral desenvolvendo a capacidade da empresa no uso do design. O nível de supervisão é semelhante em ambos os programas, mas um projeto KTP dura quatro vezes mais que um Winnovate.

Gisele Raulik – Para concluir. Se você tivesse a possibilidade de desenvolver uma segunda edição dos programas Winnovate e KTP, haveria alguma alteração a ser feita na estrutura ou maneira de operar?

Darragh Murphy – Ambos os programas funcionam muito bem porque são modelos flexíveis – o que é necessário quando trabalha-se com um grupo de empresas diferentes entre si. Penso que o Programa WINNOVATE atrai pequenas e médias empresas devido à simplicidade e objetivos claros. KTP exige mais envolvimento. A única fraqueza que percebo é que ambos os programas são dependentes de fundos públicos para operar. Além disso, seria interessante poder comparar a efetividade destes programas com as muitas outras iniciativas para inovação financiadas pelo governo.

Observação: a pedido do entrevistado, publicamos a entrevista original em inglês.

Helping Welsh and Irish companies to use design to realise their ideas

There are numerous ways to help companies with their product development process. In this field there is not a correct or an incorrect way, but different experiences from which we can learn. The Winnovate Programme is one of these inspiring sources for the practice of design support. This programme has been encouraging Welsh and Irish companies to use design in the development of their products. In this interview, Darragh Murphy talks about his experience in coordinating this scheme. He explains how his previous roles as a product design consultant and in-house designer have been useful on this programme, providing him with the know-how to interact with both the industry and the design community. Darragh is currently working at PDR – the National Centre for Product Design & Development Research in Wales/UK, where he is also involved on the supervision of design graduates in a UK knowledge transfer scheme.

Gisele Raulik – Darragh, how does the Winnovate programme operate?

Darragh Murphy – The WINNOVATE programme is aimed at encouraging small businesses in West Wales and South East Ireland to use design to realise their ideas and be more innovative. To this end, the two countries have adopted different methods based on their strengths. Our partner in Ireland is a Design school so they have developed a series of design workshops for businesses. In Wales our strength is in consultancy so we have developed an intensive support approach called Design Develop – Support. This involves developing an idea for a business from a sketch to a feasible concept with a business plan. The Design Develop Support approach employs the services of business advisors and design consultants.

Gisele Raulik –WInnovate is a programme funded by the EU, under the INTERREG IIIA programme. How has this specific sort of funding driven the format and the targets of the project?

Darragh Murphy -INTERREG funding comes with several conditions to be met which make managing a design support programme more challenging and interesting, e.g. sourcing match funding, developing cross border collaborations and equal opportunity issues. The collaboration between the two countries has turned into a healthy competition to achieve the targets. This has been good for the programme as it made us think hard about how to engage small businesses.

Gisele Raulik –The difficulty of getting companies to invest in design is well recognized. Moreover, as I can understand, companies have to pay to join this programme. What arguments have you been using to convince companies to engage? Has it been difficult to gain their commitment?

Darragh Murphy -For the first year of the programme we were really struggling to get companies to sign up in Wales, our Irish partners were racing ahead towards the targets with their workshops and we were just preaching the gospel of design. So we stood back and re-evaluated the programme in Wales. To entice a company to invest £500 to engage in the WINNOVATE programme we had to treat the programme like a product, this meant designing it and marketing it to a potential customer. We put ourselves in the shoes of our target audience and learned what they wanted to hear. It was a taste of our own medicine, after all we are advising companies how to develop and sell a product so we should at least know how to do the same for ourselves. It paid off; we have been very busy ever since we re-launched the programme in Wales earlier this year.

Winnovate is a short term project. There is a concern that short term projects are not able to provide long term impact on the businesses. Is there an optimistic feeling that companies will continue investing in design after the end of the programme? How is Winnovate working to ensure this commitment will last?

Darragh Murphy -Our prime aim for the WINNOVATE programme was to make companies realise how they can best engage in design for themselves. Rather than hiring a consultant, there are other routes they should also consider; whether it is employing a graduate, collaborating with customers and suppliers, accessing one of the multitude of grants and schemes available to them or invest in their own staff and equipment. We wanted to make the companies aware of these possibilities to continue developing their ideas.

Gisele Raulik –In order to have this continuity; it is crucial that some form of knowledge transfer happens during the programme. Which Winnovate activities are working on this transfer?

Darragh Murphy -Winnovate is applying mainly mentoring and workshops. We asked the companies which workshops they wanted organised for themselves. From the list we provided the most popular response was for Marketing for Innovation, Generating new concepts and other design topics. The least favorable topic was Eco-Design, no one showed any interest in it. We have successfully completed all these seminal workshops and are now looking at alternative types of activities to engage the companies.
During other projects, I have also practiced other methods for companies to engage in design including: brokering networks, graduate placements, design school workshops, financing consultancy work and developing design support advice among business advisors.

Gisele Raulik –Would you point to one of these activities as particularly effective in communicating within companies?

Darragh Murphy -Of all these different methods the most effective by far is one-to-one mentoring on live design projects. The effectiveness of a workshop is down to the quality of the presenter and the material. Our business support partners in Antur Teifi (West Wales) gave an excellent interactive workshop on Marketing for Innovation. We are still receiving feedback from those attendees. It is also very important to have practical exercises with attendees in the workshop; this breaks down barriers and improves communication.

Gisele Raulik –You have accumulated experience and knowledge working in industry and as a design consultant. How were these roles valuable in providing you know-how for your current work as a mentor?

Darragh Murphy -I moved from a city centre design consultancy to a factory where there was no design appreciation at all, so I had a difficult start by justifying my presence and showing my worth to colleagues, managers and customers. This is a similar situation to which we put most of our graduates into when we work on KTP schemes (Knowledge Transfer Partnership), except they have the backup of a University and a government sponsored programme. Many graduates start having doubts when they feel isolated from the design community. I can sympathise with their position and point out the reality of their situation. Once they realise the potential of their position they dont look back.

Gisele Raulik – KTPs – this British Programme operates in different fields, inserting graduate students into work in companies under the supervision of experienced professionals. This is a different strategy to lead companies to experience the benefits of design and then hopefully integrate it to their product development processes. Could you compare the benefits gained by companies on both programmes?

Darragh Murphy -None of the companies we have worked with through WINNOVATE could afford a KTP Design programme (£500 compared to £32,000) so you could say the WINNOVATE programme has made design more accessible to companies who would have never considered it before but gained a lot from it. The benefits gained through the KTP programme are more long term as well as short term, the main one being a graduate working full time in the business on a programme of work to develop its design capability. The level of supervision is similar on both programmes but the KTP programme runs four times longer than a WINNOVATE programme.

Gisele Raulik – To conclude, if you had to run a second edition of the Winnovate and KTP, would you make changes to the structure or to the way how they operate?

Darragh Murphy -Both programmes work well because they are both flexible models, which is necessary when working with different companies. I think the WINNOVATE programme appeals to SMEs because it is simple to understand with clear objectives. The KTP programme requires more commitment. The only weakness I see in both programmes is that they are heavily reliant on public funding to work. It would be interesting to compare the effectiveness of these programmes against the many other publicly funded innovation initiatives in the country.

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