Alexandre Estefano explica como aconteceu o reposicionamento de marca da Penalty

Por Centro Brasil Design

 

Em meados de 2008, a Penalty percebeu que precisava de uma reestruturação. As vendas já não atendiam mais as expectativas e a marca, que somava 40 anos de história, estava ofuscada por concorrentes estrangeiras, como Nike e Adidas. Após três anos de pesquisas e investimentos,  e amparada no fato de ser a única marca brasileira de futebol, a Penalty ressurgiu com nova identidade visual e reformulação no portfólio de produtos. E foi aí que  Alexandre Estefano,  Diretor de Operações Internacionais da Cambuci S.A, teve um papel fundamental. Em sua palestra na Semana D – Festival de Design, que aconteceu em outubro em Curitiba, Estefano contou como se deu essa reestruturação e quais foram as consequências para a Penalty. Confira a entrevista exclusiva que ele cedeu ao DesignBrasil.

 

A Penalty passou por uma forte reestruturação recentemente. Quais foram as principais medidas tomadas para isso?

Tomamos várias medidas. Antes de reposicionar a marca, trabalhamos internamente com uma série de coisas. Não queríamos mais ser vistos como seguidores, e sim, como uma marca com essência própria. Pensamos muito na estrutura de marketing, valorizamos a história da marca, os valores, acho que isso foi o mais importante.  Foi necessário também um grande trabalho de pesquisa e desenvolvimento, de antecipação de tendências.  Repensamos os modelos de negócios. Antes o processo da Penalty era apenas fabril, e agora passamos a valorizar o planejamento e a construção de valores.

Quais os desafios de reestruturar uma marca que atua com uma das maiores paixões brasileiras?

Grande. O maior desafio é resgatar todo esse valor que a marca tem, por já ter batalhado por tanto tempo no mercado brasileiro. As marcas internacionais construíram um imaginário muito potente, e o consumidor via a Penalty como uma marca menor.

Qual foi a resposta do público em relação a este redesign?

A resposta foi ótima, e os números são prova disso. Quando o trabalho tem coerência e se trabalha com uma marca com história e estrutura, é tudo muito fácil.

Você acha que há outras marcas brasileiras que poderiam se beneficiar de uma reestruturação? O que as impede de ter essa iniciativa?

Claro, sempre tem! Mas isso depende de uma questão de mercado, o investimento para isso é muito alto. É preciso um investimento em pessoas, uma transformação do ambiente, e infelizmente, muitas empresas ainda temem o novo.

Que dicas você daria a estudantes de design?

Não se preocupem com linearidade na carreira. Quanto mais vasto seu conhecimento e sua experiência, melhor. É importante buscar coisas das quais gostem, que deem prazer, designers devem ser antenados.

 

Serviço

Com o tema “Criatividade, Inovação e Negócio”, a Semana D, que acontece em Curitiba entre 01 e 07 de outubro, é pensada, formulada e baseada nas grandes semanas de design que acontecem no exterior.  O evento é uma realização do Centro de Design Paraná e da ProDesign>pr e conta com patrocínio do Sebrae, Unicuritiba e  Senai. 

Para mais informações, acesse http://www.semanad.com.br/