Angela Carvalho fala sobre o júri do iF 2013

Por Centro Brasil Design

Não foi a primeira vez que a designer Angela Carvalho participou de um júri do iF. Em 1994, ela foi a primeira mulher sul-americana a integrar um júri que contava com profissionais consagrados, como o alemão Dieter Rams, chefe de design da Braun, e Herbert Schultes, chefe de design da Siemens. Mas a edição de 2013 foi diferente, pois se tratou de um júri especial, já que o iF em 2013 comemorou 60 anos.

Angela também participou da curadoria da exposição, que contava com mais de 4500 itens enviados por escritórios do mundo todo. Em uma edição que foi marcada por uma “invasão chinesa”, pelo número altíssimo de produtos enviados pela China, a designer conta ao DesignBrasil como foi sua experiência no júri e na curadoria da exposição do iF Product Design Award.

 

Como foi a experiência de fazer a curadoria da exposição e participar do júri do iF?

É uma experiência sempre muito rica, pois estamos em contato com o mais atual em design. É também assustadora, pela quantidade de concorrentes – mais de 4500. Quando você vê todos aqueles produtos, dá um impacto, é impressionante. Fui jurada pela primeira vez em 1994 e vejo como o prêmio cresceu. É interessante observar o interesse das empresas, que cresce a cada ano. O iF ganhou confiabilidade, afinal, já soma 60 anos. Dentro de cada categoria, há três jurados. Temos que discutir bem, e é interessante ver como os grupos são compostos por jurados totalmente diferentes. No meu grupo, que avaliou eletrodomésticos de cozinha, havia também um coreano e um alemão. Eu, por ser mulher, tinha um ponto de vista mais pragmático, ia logo vendo se o objeto era de fácil lavagem e armazenamento.

 

Para um designer brasileiro, qual a relevância de conquistar um prêmio como o iF?

É importante. Em 1994, meu escritório conquistou um iF Gold. Logo vimos como isso repercutiu nacional e internacionalmente, o que foi muito importante para nosso crescimento. Para empresas que querem exportar, valorizar seus produtos, o iF é um dos poucos prêmios que tem tamanha confiabilidade. É uma pena, no entanto, que o Brasil ainda não seja merecidamente reconhecido na parte gráfica.

 

Como você vê essa “invasão chinesa” no iF?

A invasão chinesa me preocupa. E isso não é de hoje, já vêm acontecendo há alguns anos. É impressionante a quantidade de produtos chineses inscritos. Infelizmente, muitos deles se encaixam naquele caso de quantidade ser diferente de qualidade. Acredito que o design se define pelo detalhe. Os chineses chamaram a atenção pelo número de inscrições até mesmo nas categorias estudantis. No entanto, eu acredito que o país esteja trabalhando pelo aperfeiçoamento do design, já que isto tem sido muito valorizado por lá.

 

Algum país se destacou, em sua opinião?

Não cheguei a ver as coisas desta forma, mas percebi que os países nórdicos – como a Dinamarca e Suécia – que sempre foram conhecidos por adotar o artesanato como estilo, agora estão adotando uma alta qualidade visual. Mas de uma forma mais geral, me chamou a atenção o número de produtos que são criados para o mercado local. Lembro-me bem de um pequeno tanque de lavar roupas enviado pela Índia e de um fogão enviado pelo Japão. São dois casos de produtos criados para resolver algum problema da cultura local, e isso é muito interessante. Produtos de uma realidade primária e simples. Percebe-se o esforço que um designer em um país como a China, por exemplo, está empregando para colocar produtos para camadas mais baixas da população. E isso também é design – e não apenas o design de produtos de luxo.