Bruno Porto conta como a ADG optou pelo crowdfunding para viabilizar catálogo da Bienal

Por Editor DesignBrasil

Julliana Bauer

 

O designer Bruno Porto está, nas próprias palavras, “numa correria” em 2013. Após trabalhar na Bienal Brasileira de Design Gráfico da ADG, no primeiro semestre, ele foi escalado também para ser presidente do júri do concurso que escolheu a nova identidade visual da Bienal Brasileira de Design 2015 – cujo vencedor, Pablo Casbitani, foi anunciado no início do mês. Em 2014, ele participará também como jurado do iF Concept Design Award, um dos mais relevantes prêmios de design acadêmico do mundo.

Mas até a próxima segunda-feira, a principal meta de Bruno é outra: conseguir apoiadores para publicar o Catálogo da 10ª Bienal da ADG no site de financiamento coletivo Catarse.

Carioca, Bruno Porto é designer gráfico, professor e consultor em design. Entre 1996 e 2006 foi professor do Centro Universitário da Cidade (RJ), onde coordenou o Núcleo de Ilustração do IAV – Instituto de Artes Visuais e, entre 2006 e 2010, do Raffles Design Institute em Xangai, China, onde viveu até o início de 2012. Atualmente mora em Brasília, onde coordena o curso de Graduação Tecnológica em Design Gráfico do Centro Universitário IESB. Confira a conversa que o Bruno teve com o DesignBrasil, na qual conta melhor sobre essa correria toda.

 

O designer Bruno Porto será jurado do iF Concept Design Award 2014

O designer Bruno Porto será jurado do iF Concept Design Award 2014

 

Como e por que a ADG optou por uma plataforma de financiamento coletivo para publicar o Catálogo da 10ª Bienal Brasileira de Design Gráfico?

A 10ª Bienal de Design Gráfico teve uma proposta sustentável desde o começo. Na montagem, dispensamos os painéis, que seriam posteriormente descartados, e usamos projeções. A duração dela foi de três semanas, e não um mês, um mês e meio, como é o mais comum e as inscrições foram realizadas pela internet. Como se trata de um livro de mais de 500 páginas, com muitas imagens e bem colorido, percebemos que o custo final ficaria acessível a pouquíssimas pessoas – coisa de mais de R$ 200 por unidade. Pensamos então em várias alternativas. Tudo nessa Bienal foi ousado, então decidimos experimentar o Catarse. Com ele, o livro sairá por R$ 100, e o frete, por R$ 25.

Como está a adesão do público até agora?

A adesão está legal, nós acompanhamos constantemente as novas contribuições, o Henrique (Henrique Nardi, um dos diretores da ADG) está meio psicopata com isso e olha o site de meia em meia hora. Vai ser bem sucedido, já temos quase 300 participantes no Catarse, e temos que bater a meta até o dia 09. Mas ainda precisamos de contribuições!

Você foi presidente do júri da nova identidade da Bienal Brasileira de Design 2015. Como foi a experiência e quais foram os critérios para a escolha do projeto vencedor?

Foi legal e muito tranquila. Houve um grande interesse, com 1238 inscrições do Brasil todo. A primeira etapa de seleção aconteceu localmente, em Santa Catarina e, em um segundo momento, nos entregaram 17 projetos para avaliação. O que se levou em consideração no júri foi o aspecto internacional da próxima Bienal, queremos trazer um público estrangeiro pra cá, atrair compradores de design de fora. A identidade visual está muito focada também na nossa diversidade, e o projeto escolhido, do Pablo Casbitani, usa muito bem a figura humana – o que traduz bem a Bienal e nos impressionou muito. Salientamos muito que não se trata de uma Bienal elitista, então o projeto escolhido não tem aparência sofisticada de shopping. É alegre, você se vê naquelas figuras humanas que o Pablo usou. A solução do Pablo foi simples e ousada, mexeu na marca da Bienal, mas manteve a integridade dela, a fortalecendo.

Identidade Visual

Identidade Visual Bienal Brasileira de Design 2015 é de autoria de Pablo Cabistani

Você vai ser também jurado do iF Concept Design Award 2014. Qual sua expectativa em relação aos projetos?

Estou bem entusiasmado. Este prêmio lida com projetos conceituais que vão dar a cara do design daqui a cinco, dez anos. E com a expectativa de futurismo, né? Acho que o importante, no iF Concept, é identificar o potencial que os projetos apresentam para daqui a dez anos. Espero e acho que vou ver muitos projetos brasileiros por lá, os trabalhos acadêmicos de design por aqui estão com uma qualidade acima do que víamos há alguns anos.

 

Quer colaborar com o Catálogo 10ª da Bienal Brasileira de Design Gráfico? Então acesse: http://catarse.me/pt/CatalogoBienalADG

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