Carlos Scheliga fala sobre os doze anos da Associação de Designers de Produto

Por Editor DesignBrasil

A Associação de Designers de Produto completou doze anos em novembro. Ao longo desse período, criou projetos para fortalecer os profissionais brasileiros e para se aproximar dos estudantes, militando também pela regulamentação da profissão de designer. Em 2012, publicou uma importante pesquisa sobre o perfil dos designers de produtos do Brasil e, atualmente, promove o Design Working, um projeto que organiza visitas a indústrias e escritórios de design, e que realiza também palestras e workshops.

Agora, a equipe prepara-se para a mudança da diretoria, que foi definida no final de novembro. Carlos Scheliga é o atual presidente, mas passa em 2015 o cargo para Daniel Nishiwaki, assumindo então a vice-presidência da instituição. Ficaram definidos também Elisabeth Castanheira como Diretora Administrativa; Itciar Eguia como Diretora de Comunicação; Ivo Pons como Diretor Financeiro; Cesar Paciornik como Diretor de Projetos; Marcelo Lopes como Diretor de Relações Internacionais e André Marcolino, Marcelo Valença e Milton Francisco Junior no Conselho Fiscal.

Com formação em Engenharia Mecânica, Scheliga é também Conselheiro do Instituto Brasil de Economia Criativa e Diretor da QuesttoNó. No momento em que a instituição comemora seu aniversário e a nova diretoria, ele conversou com o DesignBrasil  sobre a atuação da ADP ao longo desses doze anos – e sobre os planos futuros.

 

Carlos Scheliga

Carlos Scheliga

 

DesignBrasil: Vocês têm um projeto muito bacana, que é o Design Working.  Qual o objetivo dessa iniciativa?  Como é o feedback dos participantes? 

Carlos Scheliga –  A retomada do projeto de visitas às indústrias surgiu com o diálogo entre coordenadores de cursos de graduação em Design que relataram a importância da aproximação dos estudantes com a indústria e os escritórios de design. A ADP entende que o contato com os processos industriais é essencial para formação dos designers de produto, então retomamos o projeto de visitas que a ADP realizava nas gestões anteriores, com um novo formato de palestras e visitas, que chamamos de Design Working.

O objetivo do projeto é proporcionar o contato dos designers de produto e estudantes com o mercado de trabalho, com visitas monitoradas a escritórios de design ou fabricantes. Assim, o jovem designer pode conhecer os processos industriais, as metodologias de projeto e os profissionais da área. Nas últimas 13 edições, essa iniciativa teve mais de 200 inscritos com temas variadas nas categorias de Design Automotivo, Mobiliário,   Jóias, Design Social, Iluminação, Metais, Calçados,  Color&Trim,  Linha Branca, Embalagem, Prototipagem, Utensílios Domésticos, Design Transportation e Vidro.

Em 2012, vocês publicaram um relatório do perfil dos Designers de Produto. Existe a intenção de se realizar uma nova pesquisa similar em breve? 

Sim, é importante manter essas informações atualizadas devido ao grande número de profissionais que se graduam anualmente, para entendermos se o perfil profissional do designer sofre alguma mudança no decorrer dos anos, mudanças sócio-culturais, tecnológicas ou políticas.

Qual a importância de uma instituição como a ADP para os designers de produto brasileiros? 

As entidades de classe de design são importantes pela representatividade nas esferas políticas, sociais e culturais. Entendemos que é a forma mais madura que a classe possui para lutar pelos seus interesses e direitos. Hoje a ADP, assim como outras entidades de classe, lutam pela promoção e Regulamentação do Design brasileiro. Por isso, é fundamental que consigamos trazer mais profissionais para a ADP, pois a quanto maior a quantidade de associados, maior será nossa força.

A ADP apóia a regulamentação do designer como profissão. Com a regulamentação, o que mudaria para os designers de produto? 

Em 2005, fizemos um senso entre os nossos associados, que se posicionaram em sua maioria a favor da Regulamentação; em 2007 retomamos o assunto e a ADP passou a ser uma das entidades proponentes do projeto. A regulamentação tem como principal objetivo a qualificação e constante desenvolvimento da profissão, além de gerar maior segurança aos novos profissionais e aos contratantes de design. Permitirá também a criação de um Conselho que fiscalizará as boas práticas profissionais, melhorando o cenário com ética e profissionalismo. Também proporcionará a participação da nossa classe em concorrências públicas, licitações e concursos públicos, assim como vai estabelecer os deveres, responsabilidades e direitos de cada designer. Como entidade de classe, acreditamos que a regulamentação só vai fortalecer a classe dos designers, as associações e a promoção do Design. Assim como outras profissões já regulamentadas, o Design é uma disciplina extremamente técnica que exerce influência direta na vida das pessoas. O estabelecimento de regras para o desempenho só irá fortalecer o mercado do design brasileiro, trazendo maior reconhecimento à profissão, desenvolvimento do mercado, segurança aos contratantes e melhoria nas relações de trabalho e nas relações comerciais.

Quais são atualmente os maiores desafios enfrentados pelos designers de produto brasileiros? 

Atualmente o maior desafio para os designers é, inicialmente, a projeção profissional durante e após a graduação. Por isso, a ADP tem trabalhado muito perto do público universitário, incentivando jovens designers, publicando seus projetos para que tenham relevância e excelência em Design. Divulgamos os vencedores de prêmios nos nossos canais de comunicação, buscamos benefícios relevantes para a formação acadêmica e para o desempenho profissional, como descontos em livros, cursos e treinamentos para incentivar o seu aprimoramento. Tudo isso visa contribuir  para que os designers estejam mais preparados para o mercado de trabalho.Apesar do gradativo crescimento do número de empresas que buscam trabalhar com designers como estratégia do negócio e o desenvolvimento de vários escritórios de design no Brasil, ainda existe um desconhecimento nos setores da economia de como este profissional pode contribuir com o sucesso de seus produtos. Assim, é uma missão da ADP a formação de público e de mercado para a atividade profissional.

Como a Associação dos Designers de Produto é uma entidade sem fins lucrativos, essa missão cabe não só à diretoria e aos associados, mas também a cada designer que deve estar ciente de que é um promotor da profissão, por meio dos benefícios que seu trabalho traz às empresas que investem em Design.Realizamos palestras para conscientizar sobre a importância das boas práticas profissionais, ética e sobre a regulamentação da profissão. Para aqueles que já atuam na área, o maior desafio é criar padrões para atuação no mercado, de forma a coibir competição ruinosa e desorganizada. Por isso, a ADP retomou os Núcleos Temáticos, com profissionais atuantes em determinada área para discutir temas relevantes, dificuldades e soluções e, assim, incentivar a ética e a união da classe.

A ADP é uma entidade aberta à participação de todos os associados, os associados que queiram podem agendar a participação nas reuniões da diretoria que ocorrem quinzenalmente. Também trabalhamos com o conceito de Diretoria Expandida, na qual os associados que queiram trabalhar junto com a equipe da Associação para a realização dos projetos ficam co-responsáveis pelas tarefas. Essa forma de conduzir a ADP está em seu DNA porque entendemos ser fundamental incentivar o engajamento.

Quais são os projetos da ADP para 2015? 

Em 2015 a ADP estará com uma nova composição da Diretoria e os projetos serão definidos na reunião de Planejamento Estratégico que realizamos anualmente. Adiantamos que daremos continuidade aos projetos atuais e à luta pela regulamentação.