Carta Verde para a Copa de 2014

Por Christian Ullmann

Foi desenvolvida pelo SINAENCO – Sindicato de Arquitetura e Engenharia um documento com as recomendações para realizar a Copa do Mundo FIFA 2014 sustentável. Esta carta será encaminhada para o presidente e ministros do Meio Ambiente, Esportes, Cidades, Planejamento e Turismo, além de governadores e prefeitos das 12 cidades-sede do mundial.

A sustentabilidade vem ganhando força, edição por edição do maior evento esportivo do mundo. Devido a isso, o SINAENCO realizou o manifesto pela “Copa Verde”. O setor da construção civil será um dos principais beneficiários da Copa, com investimento bilionários destinados a estádios, mobilidade urbana, saneamento, hotelaria, turismo, infraestrutura e comunicações.

A Carta propõe que os investimentos devem ser pautados pelos princípios e normas da construção sustentável: ecoeficiência, redução da poluição e reciclagem. Destacando que o evento é uma boa oportunidade para implementar ações ambientalmente corretas, como a despoluição de ícones turísticos e a promoção da universalização do saneamento básico no país.

Princípios da Carta Verde

1. Pautar pela sustentabilidade os investimentos em arenas, infraestrutura e outros empreendimentos voltados para a Copa, a partir das concepções dos projetos, abrangendo as diversas dimensões da intervenção sobre o meio ambiente.

2. Orientar os empreendimentos pelos princípios e normas da construção sustentável e, principalmente, aproveitar as águas das chuvas, assim como o reuso da água tratada, minimizar o consumo de energia elétrica, utilizar fontes renováveis e materiais recicláveis, inclusive o material de demolição dos estádios, e reduzir a emissão de gases geradores do efeito estufa.

3. Priorizar, nos projetos de mobilidade, as modalidades de uso coletivo e movidos por biocombustíveis ou eletricidade, com redução do uso de combustíveis não renováveis.

4. Utilizar o projeto de arquitetura e engenharia como a ferramenta capaz de melhor compatibilizar, num empreendimento, a intervenção física e a dimensão  ambiental, trabalhando para a redução e mitigação de impactos.

5. Inserir mecanismos na Lei de Licitações que incentivem as compras sustentáveis. Instituir incentivos fiscais e financiamentos especiais para empreendimentos sustentáveis.

6. Priorizar a construção de estruturas permanentes, e não provisórias, quando, analisadas as reais demandas, são necessários investimentos na ampliação da infraestrutura, no intuito de oferecer um verdadeiro legado para a população.

7. Ampliar a capacidade hoteleira de maneira sustentada, de forma que instalações não fiquem ociosas no pós-Copa.

8. Aproveitar o momento oportuno de coesão nacional para o desenvolvimento de amplas campanhas educativas, com foco em reciclagem e economia de recursos renováveis e não-renováveis.

9. Priorizar mão de obra local, quando for suficiente para atender as demandas, minimizando a imigração para as áreas das obras para as quais não haja sustentabilidade de empregos.

10. Valer-se do momento oportuno para despoluir os ícones turísticos – baías, lagos, rios – de cada cidade-sede e desencadear o processo de despoluição do litoral brasileiro.

11. Promover a universalização do saneamento básico no país, fundamentalmente nas 12 cidades-sede e suas regiões metropolitanas.

12. Aprimorar a limpeza urbana, com inserção de pontos de reciclagem nas cidades-sede.

Maiores informações: www.sinaenco.com.br.