Cecilia Consolo

Por Editor DesignBrasil

“O desafio que propus para a Bienal foi estimular a análise e a compreensão do design gráfico contemporâneo, que se tornou um dos principais vetores da economia”

A 9ª edição da Bienal Brasileira de Design da ADG-Brasil é um marco na história do design gráfico brasileiro. A afirmação é da designer Cecilia Consolo, curadora geral da exposição, que fica disponível para visitação até 17 de maio, no Centro Cultural São Paulo (Av. Vergueiro, 1000 São Paulo-SP).
Segundo Cecilia, dificilmente as próximas edições da Bienal da ADG-Brasil voltarão ao modelo anterior, quando os trabalhos passavam por um júri, como numa premiação. “Creio que os próprios designers não esperarão por isso”, diz ela, que já exerceu o cargo de diretora em várias gestões na ADG-Brasil, participou da organização da 4ª Bienal de Design Gráfico e foi júri nas 5ª e 7ª edições. Na 6ª, ela foi responsável pela organização da programação paralela. Cordenou ainda a mostra Bienal Letras Latinas no Brasil.
Nesta entrevista, Cecilia explica como foi o processo de concepção e os desafios desta edição. “Trabalhar para a Bienal foi o meu quarto turno do dia. Eu leciono e sou sócia de um escritório de design e pesquisa. Foi extremamente estafante”, explica. Doutoranda em Ciência da Comunicação pela ECA/USP, Cecilia é sócia diretora da Consolo & Cardinali Design desde 1986, é professora de projeto no curso de graduação em Design Gráfico da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e é pesquisadora e professora de projeto na graduação em Design da Faculdade de Ciências Econômicas de Campinas (Facamp).
Como designer, Cecilia acumula 30 anos de experiência em desenvolvimento de projetos de comunicação e consultoria de Identidade de marcas. Recebeu vários prêmios, entre eles o 1º lugar por três vezes no Prêmio Max Feffer.
Confira a entrevista concedida ao DesignBrasil por e-mail.DesignBrasil Depois de mais um mês de exposição da Bienal e de numerosas atividades paralelas ao evento, que balanço faz desta nona edição? Cecilia Consolo A Bienal é um marco na história do design gráfico brasileiro e podemos atestar que é do interesse não só dos designers, mas também de profissionais e estudantes de todas as áreas da comunicação. Isto pode ser mensurado acompanhando a visitação. DesignBrasil A senhora disse em uma entrevista que esta Bienal forçou os designers terem uma ação crítica sobre sua própria produção. Por quê?
Cecilia Consolo
É muito fácil selecionar os projetos dos últimos dois anos, embalar e enviá-los pelo correio endereçado à Bienal. Desta vez foi necessário refletir sobre o que foi feito e qual a ênfase e sentido que foi dado a este ou aquele projeto. Qual foi a tônica? Uma vez reconhecida, era necessário justificá-la. É um momento em que se percebe que não é qualquer projeto que se pode enviar. Que as escolhas projetuais começam a ter mais relevância frente ao resultado obtido. O valor do projeto está implícito nas escolhas estratégicas de comunicação e soluções estéticas compromissadas com seus públicos. A questão bonito/feio passa longe dessa discussão. Aí você pode me perguntar – e se um projeto não tem tônica e nem justificativa? Se existe tal trabalho cabe aqui perguntar se o autor está realmente fazendo design gráfico ou mera arte-final. DesignBrasil Pela primeira vez a Bienal não teve ares de concurso. Não houve atribuição de prêmios. Por quê? Cecilia Consolo A Bienal é promovida por uma associação de classe. Sabendo das histórias das associações que já existiram e observando todos esses anos o processo da ADG, eu credito que um dos principais fatores de dissonância dentro de um órgão é quando os próprios pares determinam quem é o melhor. Isso sempre causa intrigas e desgastes. Uma associação deve fortalecer seu corpo e buscar a união. Existem hoje no Brasil 28 concursos anuais de design. Deixemos que outras instituições promovam prêmios esse não é o papel da ADG. Ela não esta aí para apontar este ou aquele designer ela existe para mostrar a qualidade do design brasileiro. DesignBrasil Pelo que a senhora observa, de que forma sai o público leigo que entra para ver a exposição, em relação ao que ele pensava antes sobre o design gráfico? Qual o aprendizado que a exposição leva para o grande público? Cecilia Consolo Percebem que o design não é meramente uma função estética e que o design gráfico permeia todo o seu cotidiano do café da manhã, do jornal diário, na interface do seu computador, na sinalização do trânsito, nos programas e aberturas de TV, ao último enxagüe bucal antes de dormir e até na estampa dos seus lençóis. Os monitores me relataram a fala de um aluno de segundo grau, entre 13 e 15 anos de idade, que visitava a mostra: “Nossa, tudo isso é design! E eu que achava que isso era coisa de rico agora vou prestar atenção no design de cada coisa que eu comprar”. E a fala de um grupo de jovens profissionais que colecionam tudo que sai da Bienal: “Não dá mais para brincar, a coisa está ficando séria mesmo. Essa exposição nos cobra muita responsabilidade”. DesignBrasil As peças expostas têm apenas uma breve ficha técnica. Por que a opção em não explicar, em texto, as razões intrínsecas àquele trabalho que o fizeram ser selecionado? Cecilia Consolo A justificativa de cada escolha está no livro que acompanha a mostra, com o mesmo nome, e pode ser adquirido nas principais livrarias. Ainda no livro pode ser encontrado um texto analítico redigido para cada categoria. Nas bienais anteriores o catálogo só podia ser comprado na ADG.
Quanto às legendas foi uma decisão delicada porque envolvia muitos fatores. Alguns projetos tinham justificativas muito longas, outros eram definidos por comparações e em conjunto. Cada um dos autores tem sua própria linguagem e seria necessário um retrabalho para normatizar todas as legendas criando um padrão e retrabalhando cada texto. A ADG não tinha verba para esse profissional e a solução mais viável foi ter o livro à disposição para consultas no espaço da exposição. DesignBrasil Desde quando a senhora recebeu o convite para ser a curadora geral, conte como foi o processo até a abertura da exposição? Quais as opções que a senhora tomou que diferenciaram esta Bienal das anteriores? Por que uma opção por curadores e não por júri? Como foi o trabalho com os curadores temáticos e de que modo eles contribuíram para o conceito da exposição? O que da sua experiência profissional a senhora agregou neste trabalho? Cecilia Consolo A resposta é um pouco longa, pois o processo começou em março de 2007, quando recebi o convite de André Stolarski e Fernanda Martins para coordenar o projeto da Bienal. Até o momento eu havia sido convidada a participar do Conselho Consultivo da Associação. Eu não conhecia o André e a afinidade foi instantânea. Começamos a discutir um plano para a Bienal e não paramos mais. Essa foi a primeira gestão do André como diretor da associação. Então, eu quis trazer para a Bienal o reflexo de sua história e o que pude observar desde 1992, quando passei a integrar o corpo de associados. Em 1995 definiu-se que a gestão da diretoria da ADG teria a duração de dois anos justamente para culminar com o evento da Bienal. A exposição pontuava e sintetizava o trabalho efetivo da gestão, tanto que as eleições para a diretoria seguinte ocorriam nas semanas subsequentes. A futura diretoria encontrava o caixa suficiente para começar a trabalhar. Pelo menos foi o que aconteceu nos dois mandatos que participei. Tempo áureos, passado, o mundo mudou, o cenário é outro e a ADG precisa redefinir seu papel, como o nosso grupo tem repetido em bom tom. Pois bem, se agora era o momento dessa redefinição, propus que a Bienal fosse ao mesmo tempo alavanca e o marco dessa mudança, com impacto direto sobre os estatutos, que já não correspondem mais à realidade.
Primeiramente era necessário definir o que a ADG deseja. No meu ponto de vista deve ser o órgão representativo dos profissionais de design gráfico e que defenda seus interesses. Não quero aqui entrar na questão dos interesses, sei que demanda muita discussão, e deixo isso a cargo da diretoria. Quero me concentrar no representativo. Representação envolve número, número grande de pessoas querendo alguém que as represente diante de seus interesses. Ou seja, a ADG só terá força se ela representar muita gente. A representatividade só se consegue com a adesão de profissionais e isso vai ocorrer ao passo em que resultados são alcançados. O primeiro deles foi fazer da Bienal algo significativo para esse associado e os demais profissionais que ainda não o são. A Bienal deveria agregar e comunicar o que é design no seu momento de realização, ou seja, ela deve ser acessível a todos os profissionais, do Oiapoque ao Chuí. É inconcebível um associado se deslocar por 1.500 km para ver a Bienal e ao chegar lá se depara com produtos que já possuía na sua dispensa, no seu banheiro ou na livraria do bairro. Então a Bienal deveria ser o espaço de reflexão, onde o que está sendo exposto e a forma como é destacado é inédito, o inusitado, ou seja, é a busca por novas linguagens, por uma análise mais profunda de projeto.
Alguém pode me perguntar sobre o design consagrado, o design eficiente para clientes que gastam milhões? Eles estão presentes e mostrando o papel do designer que o elaborou e não somente porque traz uma marca de uma grande corporação. Quem já não viu projetos ineficientes para marcas de renome? Não é a marca que faz o projeto e sim a força alcançada pelo resultado. Para isso deveríamos proporcionar uma estrutura de Bienal que favoreça a participação, onde vários designers queiram participar pela experiência, pela reflexão, por ela ter força ideológica. A Bienal não poderia ser vista só como uma fonte de promoção da ADG.
Para trazer mais interessados, a estratégia foi baratear “muito” as inscrições e, pela primeira vez, os associados puderam inscrever seus projetos gratuitamente.
A Bienal apresentaria um eixo de linguagens definidos por um corpo de curadores, escolhidos pelos seus conhecimentos e seriedade de trabalho. Esse corpo curatorial trabalhou junto comigo por quase um ano, definindo claramente os recortes de trabalho.
O desafio que propus para a edição da 9ª Bienal Brasileira de Design Gráfico foi estimular a análise e a compreensão do design gráfico contemporâneo, que se tornou um dos principais vetores da economia, com consequências estratégicas nas empresas e na sociedade. A análise deveria se concentrar nos atributos como forma de expressão, eficiência na comunicação e benefício das relações sociais de produção e de consumo.
Para essa análise sobre a linguagem do design é necessário vê-lo não somente como uma ferramenta de mercado, utilizada para uma comunicação persuasiva, mas sim como um importante sinalizador cultural. Se o design de produtos, por sua vez, se insere no campo das técnicas e dos materiais a fim de nos libertar de nossas limitações físicas, o design gráfico converte em linguagem simbólica a cultura e a história.
O recorte proposto não pretendeu apresentar respostas definitivas. Usando parte da produção brasileira, por meio de uma seleção exaustiva, entre 1240 projetos recebidos, visamos apresentar uma anatomia do design gráfico brasileiro, promovendo uma dissecação dos elementos articulados em determinadas linguagens. Esse seria um cenário que apresenta as articulações contemporâneas do design, seus enfrentamentos cotidianos e sua capacidade de gerar sistemas comunicativos por meio de simbologias. Imagens extraídas do Flickr da ADG – Brasil
Para discutir cada uma das categorias de análise foram convidados designers gráficos atuantes no mercado, com exceção de um historiador no grupo. Todos possuem também uma sólida bagagem teórica e comprometimento com a pesquisa. Cada um foi escolhido por sua dedicação e elaboração no tema em questão. Não se propõe aqui uma visão teórica sobre a prática, mas sim a busca de um entendimento da prática frente à história e aos novos desafios impostos aos profissionais.
Cada curador, a seu modo, debruçou seu olhar sobre a produção brasileira do período de dezembro de 2005 a novembro de 2008, pretendendo ampliar e aprofundar a questão do design gráfico como um complexo sistema cultural.
No sistema de júri, os membros se reúnem por apenas algumas horas e escolhem os projetos muitas vezes pelo resultado formal. Eu precisava de pessoas dispostas a construir um discurso, relacionar resultados e apresentando uma lógica de pensamento. Alguns ficaram com os projetos por mais de um mês. DesignBrasil Os trabalhos não estavam classificados pelo suporte (cartaz, embalagem etc.). Por que essa opção? Cecilia Consolo Descrita essa minha preocupação com o papel simbólico da comunicação, não caberia aqui um recorte do design gráfico pelos suportes tradicionais. Não é possível pensar a linguagem pelo lado puramente físico de representação, como livro, CD, site, marca, embalagem, tipografia etc. Os processos de comunicação são complexos. Cada vez mais, é solicitada ao designer uma ação projetual que relacione vários estados da cultura, o que sofistica seu campo de ação e o afasta da circunscrição puramente estética. Podemos e devemos analisar as formas como lidamos com os processos em diferentes contextos. Dependendo do ponto em que o designer se inscreve, um arcabouço de valores e prioridades vem à tona. Portanto, essa não pretende ser uma nova classificação ou categorização, muito menos definitiva, do design gráfico, mas, sim, a forma como eu vejo as articulações presentes no cenário contemporâneo. DesignBrasil O maior número de projetos inscritos foi no tema Design Propulsor da Economia, com 245 trabalhos – dos quais 50 foram selecionados. Apresentar trabalhos feitos para a indústria, que estão no cotidiano das pessoas, indica uma tendência para as futuras edições da Bienal? Cecilia Consolo Não posso falar sobre as futuras bienais e nem sobre a ADG, cada gestão é um universo diferente. Posso afirmar que a indústria não alcança os mesmos resultados sem o design. Acho que só que será muito difícil voltar ao antigo modelo da Bienal. Creio que os próprios designers não esperarão por isso. Existem várias formas de abordar as questões do design e só fará sentido se tiver conexão com seu tempo. DesignBrasil Foram poucos os trabalhos apresentados em “Design voltado a sustentabilidade e meio ambiente” – apenas 37 inscritos e oito, selecionados. De que modo a senhora interpreta esses números? Cecilia Consolo Eu e o próprio Fred Gelli, curador do núcleo, achamos o quão inicial está essa questão. Não é porque se usou papel reciclado que está se fazendo um design ecológico. Muitas vezes o melhor era não ter optado por imprimir, poderia ter usado uma mídia eletrônica… ou mesmo, como apareceram alguns exemplos onde o papel para impressão atravessou o país, queimando combustível fóssil, tirando receita do estado de origem etc. Sustentabilidade envolve pensamento político e econômico. DesignBrasil Entre a oitava e nova Bienal, que evolução a senhora percebeu, de um modo geral, no perfil dos trabalhos inscritos? E que facilidades essa Bienal trouxe para os interessados?

Cecilia Consolo Participei como jurada na oitava Bienal. Na ocasião, uma das coisas que mais chamou minha atenção foi a displicência como alguns designers enviavam seus projetos. Qualquer coisa era colocada num envelope, sem o menor cuidado, montagem ou capricho e era despachada. Dessa vez como enviamos um template que deveria retornar impresso com todas as informações solicitadas, pudemos preservar o acervo e portfolio dos designers, que não precisaram enviar pesados e caros pacotes para a seleção, perdendo parte de seu acervo e nem pagar altas taxas de correio. Nas edições passadas sempre havia muita reclamação sobre o envio dos originais. Isso só foi requerido na segunda-fase. O fato de a seleção ocorrer em duas fases fez com que cada curador tivesse mais tempo e (fizesse) mais uma reflexão sobre o material. As pranchas já fizeram o papel de filtro e foi muito difícil selecionar os projetos enviados todos tinham qualidade. Recebemos menos projetos, porém mais significativos. Quanto à montagem da mostra, como os trabalhos não estavam classificados pelo suporte, e não agrupados por embalagens, marcas, etc., desta vez, foi possível apresentar os projetos inteiros com toda sua complexidade e não fragmentados pela mostra. DesignBrasil Com relação à programação paralela, qual a diferença mais marcante em relação às edições passadas?Cecilia Consolo Não posso deixar de mencionar o grande benefício de esta edição ser no Centro Cultural São Paulo (CCSP). Todos os endereços anteriores foram importantes e devemos agradecer a todos que acreditaram e apoiaram a Bienal desde a sua primeira exibição. A ADG tem consideração e gratidão por todos. Porém o CCSP está no coração da cidade, a poucos metros da Avenida Paulista. Ao invés de programar três ou quatro dias de grandes palestras, pude organizar uma programação para cada semana, praticamente diária, atingindo vários grupos de interesses e abordando assuntos específicos. Uma sala de debates foi montada dentro do espaço expositivo. As grandes escolas tiveram espaço para debates e visitas orientadas com seus corpos de professores. Todas as revistas do setor e editoras foram convidadas. Os curadores se apresentaram em dois dias diferentes para um contato direto por quem não foi selecionado ou tinha dúvidas referentes ao processo. Todas as escolas de design do país foram convidadas a inscrever-se na programação paralela, o que está acontecendo no Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e até em Xangai, na China, onde docentes brasileiros estão lecionando design. A mostra também fica em exibição 70 dias e não em 25, como foi a anterior. A sexta Bienal ficou aberta somente 15 dias. DesignBrasil Qual a vantagem e a desvantagem do critério que determinou que trabalhos dos escritórios dos curadores, ou de seus sócios, não poderiam ser selecionados? Cecilia Consolo É uma questão de isenção de julgamento, e só. De evitar qualquer suspeita a respeito de favorecimentos. Todos os trabalhos apresentados estão lá por seus méritos. Sempre acho muito estranha a cena onde se vira para o colega e diz saia da sala que julgaremos agora seu projeto. Essa foi uma questão colocada no primeiro contato com os curadores e ninguém levantou um senão. A única desvantagem foi para os curadores, que não puderam apresentar seus projetos. Terão outras oportunidades em futuras edições, não é um pesar. DesignBrasil A sua experiência na Curadoria desta Bienal gerou um conhecimento e, possivelmente, algumas ideias para 2011. De que modo isso será transmitido para a décima edição da Bienal? Em sua opinião, de que modo essa Bienal gera um novo estágio para a própria vida da ADG Brasil? Cecilia Consolo Sim, aprendemos com tudo que fazemos. A ADG nos últimos dois anos adotou um sistema de comunicação e integração de todos que participam dela: é um site colaborativo onde cada qual, com seu login, acessa e participa dos vários fóruns e grupos de trabalho. Tudo fica registrado na memória da associação. Lá estão todos os o registros de todas as conversas que travamos sobre todos os assuntos da Bienal. Cada decisão e o parecer de todos. Postei um relatório final com meu ponto de vista e teremos um mais completo após uma reunião para a qual convidei todos os membros da curadoria, será na semana de encerramento da mostra. Se eu tivesse que começar novamente manteria o mesmo modelo pela satisfação da maioria dos visitantes. Acredito que foi um avanço discutir o design de forma mais profunda. Acho muito difícil a Bienal voltar a solicitar projetos nas categorias tradicionais por suportes. A atividade de design esta cada vez mais complexa, isso já era refletido nas bienais anteriores, em que as categorias por suporte aumentavam a cada edição, a lista ficava cada vez mais comprida. E quando surgia algo inusitado, que não cabia em nenhuma delas, era direcionado à categoria miscelânea. Quem quer ser lembrado como um designer bom de miscelânea? Isso demonstra o quanto inicial estava o processo. Acredito e defendo que o papel da exposição é o de promover o grande espaço crítico do design gráfico. As categorias devem mudar conforme o cenário cultural e econômico, promovendo debates contemporâneos a cada edição. Cabe agora à ADG se reestruturar procurando uma forma de se profissionalizar mais e de se tornar sustentável para não contar com a estrutura organizacional e financeira de quem colabora como associado liderando projetos. Deve urgentemente promover o debate para encontrar a sua atual vocação. Se chegar a conclusão que é de realizar somente a Bienal já está ótimo. Desejo muito sucesso para a equipe que assumirá a Bienal em 2011. DesignBrasil Encerrada a Bienal, em maio, quais são seus próximos projetos?

Cecilia Consolo Trabalhar para a Bienal foi o meu quarto turno do dia. Eu leciono e sou sócia de um escritório de design e pesquisa. Foi extremamente estafante. Estou em fase final do doutorado, o que irá exigir concentração nos próximos meses. Quanto aos projetos profissionais, estou numa nova fase em que faço o planejamento para desenvolvimento de novos produtos para os mais variados segmentos e para outros escritórios de design.Entrevista e edição: Juan Saavedra
Imagens: http:[email protected]/

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