Chegamos lá?

Por Editor DesignBrasil

Acabo de receber a notícia que o Brasil recebeu 23 prêmios iF Design na Alemanha, um número fantástico, e isto me fez concluir que realmente já somos players mundiais quando se fala em design. Será mesmo?

Ganhar um prêmio internacional de design é um grande feito, tanto para as empresas fabricantes como para os designers envolvidos. É o resultado de um longo processo, que se inicia lá no passado, na decisão da empresa em investir num novo projeto, e vai terminar no final do ciclo de vida de um produto, este planejado ou não. Para os designers, é uma valiosa ferramenta de marketing, elevação do ego pessoal e um motivador para as equipes envolvidas. Para as empresas, infelizmente no Brasil o prêmio de design ainda não é uma ferramenta utilizada de forma eficaz para a promoção dos seus produtos. Poucas sabem usar esta distinção de forma que se reverta em resultados comerciais ou ao menos em mídia espontânea. Mas acredito que isso é um aprendizado.

Mas o que devemos pensar é se de fato já estamos num patamar internacional de criação e efetivação de bons produtos que têm no design um dos seus pilares de diferenciação.

Olhando para os produtos individualmente, acredito que sim. Detendo-me à lista dos produtos premiados, o que se observa é uma diversidade de áreas (de decoração a elementos de máquina) e de complexidade técnica (de saleiros -lindos por sinal – a equipamentos óticos de precisão). Temos profissionais de design que conseguem converter briefings em bons produtos, e empresas capazes de estruturar o investimento e o planejamento para que estes produtos se transformem em sucesso comercial, que é o que de fato importa.

Como profissionais de design, o que talvez ainda nos falte para nos colocarmos como uma opção tentadora para clientes globais compradores de projetos é a internacionalização de fato. Por termos um mercado interno enorme, na maioria das vezes os produtos são desenvolvidos para o Brasil, sendo que a exportação é um item adicional na lista de “desejos” descrita no briefing. Que ótimo podermos nos resolver aqui dentro mesmo, mas os produtos globais sem dúvida alguma são os que podem nos posicionar como uma economia de fato madura e desenvolvida, isso refletido então no nosso design.

A internacionalização de equipes de design é a estratégia de alguns escritórios no Brasil. Não que o desenvolvimento de projetos para empresas européias ou asiáticas seja a evolução natural do negócio, ainda mais neste momento em que o Brasil é um dos focos de atenção de grupos internacionais de design. Mas o nosso olhar para o mercado mundial nos proporcionará uma competência muito maior, um repertório mais vasto, tanto de referências culturais e estéticas como de soluções técnicas, de manufatura e de materiais. Pensar em produtos desenvolvidos por aqui e que de fato tenham competência para concorrer no mercado global nos dará as ferramentas para competir com profissionais de qualquer parte do mundo, e por que não trazendo-os para trabalhar conosco, compartilhando conosco uma visão de desejos e comportamentos de consumidores que não conhecemos?

Claro que este processo passa por uma série de desafios, começando pela anemia das marcas brasileiras no exterior e pela eterna barreira da língua. Esta última pode estar com os dias contados, mas a efetiva valorização das marcas brasileiras num mercado global ainda é um sonho distante. Pelo menos no assunto design, acho que estamos no caminho certo. As vinte e uma empresas premiadas têm um bom argumento para valorizar um pouco mais suas marcas no mercado mundial: o design. Parabéns a elas.

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