Com Design no Coração

Por Mônica Barbosa

Escrever um primeiro artigo é sempre algo desafiador. Principalmente para mim, que tenho como hábito escrever e falar com o grande público, não especialista no nosso tão e querido desejado tema: o design. Fico pensando que aqui, no portal DesignBrasil, eu devo colocar reflexões e pensamentos mais elaborados. Uma análise do que tenho visto, ouvido e presenciado neste universo em que tenho o privilégio, em muitos casos, de estar à frente do que está por vir.

Um colunista, segundo o que me dizem, também pode – e deve – compartilhar suas angústias e inquietações, afinal, ele representa de uma parabólica do mundo contemporâneo. Então, é desse ponto de vista que inicio meu discurso. Claro, não sem antes agradecer a oportunidade e a honra de fazer parte desse seleto grupo de personalidades que colaboram com artigos para o portal DesignBrasil.

Mas a verdade é que algo vem me angustiando, e até me desconcentrando em algumas horas do dia. Não consigo pensar em design. Não de forma isolada, focada ou assertiva. O que está acontecendo com a natureza no nosso território brasileiro, as atuais notícias alarmantes sobre lixo e esgotos descartados nos rios, a poluição da indústria e o desmatamento, principalmente da Amazônia são atos que têm consequências desastrosas, como falta de água, calor escaldante e tempestades.

Tudo isso está me fazendo pensar sobre o que de fato posso – e devo – fazer, com mais fervor e força, para ajudar na conscientização da necessidade de mudanças de atitudes, de políticas públicas e das leis. Meu coração palpita forte agora. E de forma secundária, mas não menos eloquente, sim, aí penso no design, esta ferramenta tão poderosa e capaz de transformar. Ele pode ser mais bem empregado, utilizado e aproveitado para, em uma primeira instância, conscientizar a população do Brasil – civis, militares, políticos, empresários, comunicadores, professores, crianças, adolescentes… e até os religiosos.

Sei que o design é uma área mais evoluída no quesito sustentabilidade, e que os designers estão muito “antenados” no assunto. Mas estamos nós, comunicadores, militantes, simpatizantes, parceiros do design – e designers – realmente cientes da gravidade do assunto? Como ver enchentes, lixo boiando nos rios, animais morrendo, troncos de árvores sendo transportados ilegalmente – cenas tão fortes, que têm apertado o meu coração – e conseguir dormir tranquilo?

Todos estes cenários de violência à natureza já vem ocorrendo há anos, mas agora as consequências iniciaram. E continuar com os mesmos costumes não dá mais. Penso em pequenas e grandes atitudes que colaborem nesse processo de reflexão. Será que devo radicalizar e não publicar, por exemplo, objetos e móveis feitos de madeira,  mesmos sendo elas certificadas, para que fique ainda mais clara esta mensagem?

Isto acontece sempre que escrevo para a minha coluna Design na revista Caras (que impacta quase 2 milhões de leitores por edição) sobre móveis de madeira, juro que fico com peso na consciência (!). Não quero parecer superficial: o assunto é sério. Mas quais atitudes devemos ter? Como os nossos atos corriqueiros podem influenciar e criar uma “corrente sustentável”? Como fazer esse assunto reverberar alto e forte, a ponto de contagiar e criar divulgadores desta ideia? E isto desde a atitude de deixar a torneira aberta na hora de escovar os dentes até a não fiscalização do gigantesco desmatamento das florestas.

Estou preocupada, angustiada, pensativa, aflita e um pouco triste. Se eu quero sair deste estado emocional? Não! Não quero deixar que tudo isso vire paisagem, e que eu só me entregue às belas imagens proporcionadas pelo design. Porém… Epa! Não desisti do design, aliás, já estou pensando no próximo artigo, com muito design, mas como todo colunista, escrevo a pauta do coração!

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2 Comentários

  1. nelson graubart disse:

    É por causa das suas angustias e assertivas que admiro e respeito Monica Barbosa.

  2. Licia Aihara disse:

    Mônica, inspirações inovadoras e borbulhantes, sempre. Sucesso! Beijos e abraços, Licia