Como atrair o consumidor

Por Editor DesignBrasil

Como atrair o consumidor

 

O índice brasileiro de decisão de compra no ponto de venda é o maior em escala mundial1, chegando à casa dos 85%. Este indicador mostra que o consumidor brasileiro não planeja suas compras, decidindo por este ou aquele produto no momento da compra, no local onde a efetua. Por trás deste percentual, altíssimo, revela-se a importância das empresas investirem em embalagens atraentes, que se diferenciem das demais nas prateleiras.<?xml:namespace prefix = o ns = “urn:schemas-microsoft-com:office:office” />

 

Na maioria das vezes, o produto está associado à sua embalagem e, portanto, esta passa a ser uma das primeiras formas de contato e de comunicação da empresa com o consumidor. Um bom exemplo é o caso da Sadia, que associou o S de sua marca à palavra saúde. Tanto as embalagens antigas como as recentemente lançadas no mercado seguem padrões que reforçam este posicionamento da empresa. Assim, além de agregar aos seus produtos aspectos como solidez da marca, confiabilidade e tradição, a empresa também associou um componente novo e que é cada vez mais exigido pelos consumidores: saúde.

 

Normalmente a embalagem reflete o público alvo ao qual o produto se destina. Cores em tons pastéis, acompanhadas por formas arredondas, são ideais para produtos direcionados ao universo feminino. Tons de azul e preto, associados a formas geométricas, são explorados nos produtos voltados ao público masculino. Já as cores quentes e as formas divertidas, que lembram animais ou brinquedos, ajudam a vender produtos dirigidos ao público infantil. O design da embalagem deve buscar uma comunicação clara e objetiva, utilizando informações que possam ser rapidamente compreendidas, possibilitando transmitir a política da empresa e a personalidade da marca comercial que a companhia representa, bem como a sua preocupação com os consumidores.

 

As informações devem ser transmitidas numa linguagem adequada ao público alvo, facilitando o processo de escolha, reduzindo o tempo envolvido na busca de dados e propiciando a repetição da compra, o que criará um processo de fidelização à marca e ao produto por parte dos compradores. A comunicação visual da embalagem é dividida em informações verbais e não verbais. As informações verbais são compostas por elementos textuais como o nome do produto, lista de ingredientes, informações nutricionais, qualidades específicas, modo de usar, etc. Já as informações não verbais referem-se à forma e à cor da embalagem, figuras, logomarca e outros elementos. As informações verbais e não verbais devem ser combinadas de forma correta e equilibrada para transmitir uma mensagem coerente.

 

O produto pode ser considerado como um suporte da informação a ser transmitida pela empresa (emissor) ao público alvo (receptor), como podemos visualizar na figura abaixo. É fundamental destacar a importância da forma da embalagem. O reconhecimento visual da forma está ligado à significação do produto, bem como a associação do produto à embalagem. Em muitos casos, o consumidor pode adquirir o produto sem ler seu rótulo, baseando sua escolha nas pistas presentes na embalagem. Portanto, é necessário haver coerência entre todas as mensagens contidas na embalagem (transmitidas pela forma, cor, ilustrações, textos, materiais e acabamento, aspectos ergonômicos e funcionalidade) para que o consumidor possa construir uma imagem realista, positiva e íntegra do produto e da empresa que o produz.

 

Utilizando este conjunto de questões como um guia, o designer pode analisar a embalagem e avaliar se os itens pontuais estão alinhados de modo a transmitir ao consumidor uma mensagem integrada e coerente. Poderá verificar, por exemplo, se a forma da embalagem permite identificar o tipo de produto embalado, se a linguagem utilizada possibilita a identificação do público que se deseja atingir, etc. Porém, apenas seguir essas dicas não representa a garantia de eficiência da embalagem. Ainda resta saber se ela irá atrair a atenção do consumidor e determinar a escolha pelo produto. Cabe ao profissional usar toda a sua sensibilidade, aliada aos ensinamentos que recebeu em sua formação, para criar uma embalagem perfeita: que seja atraente para os consumidores, agrade a empresa fabricante do produto, esteja adequada às normas vigentes e, é claro, seja um trabalho do qual o designer possa se orgulhar.

 

A forma da embalagem reforça a imagem da marca do produto?

Que mensagens subliminares a forma do produto transmite?

É uma forma feminina ou masculina? É lúdica e permite associação a algum animal, planta ou outro produto? É similar ou diferente de outras formas presentes nos pontos de venda?

A cor é adequada ao tipo de produto?

A cor está associada ao público alvo, ao seu estilo e à intensidade de uso do produto?

O efeito produzido pelas cores utilizadas está em sintonia com a mensagem a ser transmitida?

Permite visibilidade no ponto de venda? Aumenta ou diminui o tamanho aparente do produto?

As ilustrações comunicam verdadeiramente o que é o produto contido na embalagem, ou reforçam suas qualidades?

O estilo das ilustrações utilizadas cria uma percepção coerente em relação aos atributos do produto como, por exemplo, seu sabor ou fragrância?

As ilustrações são de fácil compreensão, estão visíveis e prendem a atenção do consumidor? O tipo de figura utilizado é adequado ao público alvo do produto?

As ilustrações auxiliam na compreensão da forma de uso, manuseio e estocagem do produto? Estão de acordo com as informações textuais?

As ilustrações tornam o produto distinto dos demais? Transmitem qualidade diferenciada, origem específica, etc?

Os textos são visíveis e prendem a atenção do consumidor? São de fácil leitura e compreensão? A linguagem é adequada ao público alvo?

A tipografia utilizada é atual e coerente com o design da embalagem?

O nome do produto aparece com destaque?

As informações disponíveis estão de acordo com a legislação quanto ao ao conteúdo (data de validade, informações nutricionais, quantidade, origem, tipo de produto, etc.) e quanto ao tamanho?

Os textos permitem compreender facilmente as formas de uso, manuseio e estocagem do produto? As informações textuais estão coerentes com as ilustrações?

O material da embalagem é coerente com o produto? Reforça seus benefícios e atributos? Permite associação a algum outro produto ou objeto?

O material é transparente ou permite a visualização do produto através de visores?

O material permite reciclagem?

Qual é a percepção em relação ao uso ou à manipulação do produto? Parece fácil de abrir, usar, fechar, esvaziar, guardar, reutilizar ou dispensar após o uso? Essas funções são realmente fáceis?

O tamanho da embalagem e a validade do produto são adequados ao uso do produto?

O aspecto visual da embalagem permite utilizá-la ou expô-la nas situações desejadas? Transmite informações a respeito do público que se pretende atingir, tais como status e estilo de vida?

 

Maiores informações sobre o tema:

Associação Brasileira de Embalagens (ABRE) – http://www.abre.org.br

Centro de Tecnologia de Embalagem (CETEA) – http://www.cetea.ital.org.br

Revista Embalagem e Marca – http://www.embalagemmarca.com.br

Packing Design de Embalagem – http://www.packdesign.com.br

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