Criar novos produtos ou inovar?

Por Silvia Grilli

Nada interessa mais a um empresário do que o vislumbre de novos negócios, seja pela fidelidade da clientela, seja pela ampliação do seu mercado. No mercado de consumo local ou global, com ou sem crise, a palavra de ordem é inovar.

Todos sabemos que a força econômica de um país vem da capacidade de empresas introduzirem diversidade no mercado, promovendo a competição e consequentemente a inovação. Para competir com chances de sucesso as empresas buscam cada vez mais inovar em seus processos de produção a fim de reduzir custos, ou inovar recheando seus catálogos de ‘novidades’. Mas muitas delas ainda não perceberam que é por meio do design que se atingem estes objetivos com maiores chances de sucesso.

A inovação através do design pode promover uma empresa (ou um produto) a um patamar mais lucrativo, mais sustentável, mais alinhado com os valores do cliente, enfim mais competitivo. O Índice Global de Competitividade, publicado anualmente pelo Fórum Econômico Mundial, indica doze pilares que definem o grau e estágio de competitividade de um país: ambiente institucional, infraestrutura, ambiente macroeconômico, saúde e educação primária, educação superior e treinamento, eficiência do mercado, eficiência do mercado de trabalho, desenvolvimento do mercado financeiro, disponibilidade de tecnologia, tamanho do mercado, sofisticação dos negócios e inovação.inovação

Já os estágios de competitividade são três: fatores de produção, eficiência e inovação. Nota-se que, embora haja uma inter-relação entre os pilares indicados, aquilo que está sob controle das empresas é a capacitação e a inovação. A inovação pode estar focada em eficiência, em gestão, em serviços ou em produtos. Neste último caso, inovar é o mesmo que atribuir valor a um produto e esta tarefa pode ser muito facilitada com o apoio do design.

Em 2013 John Maeda, considerado pela revista Esquire como uma das 75 pessoas mais influentes deste século, afirmou que os designers e os artistas serão os líderes da inovação. Segundo ele, embora o investimento em tecnologia seja prioridade nas grandes empresas, o design é o grande tópico nas escolas de negócios.  Como consultor de empresas globais, Maeda distribui conselhos aplicáveis a todo tipo de indústria, quebrando alguns paradigmas típicos dos empresários mais conservadores:

“Artistas e designers, em parceria com aqueles que desenvolvem soluções técnicas e científicas, são os únicos que podem responder questões profundas, humanizar o problema e criar respostas compatíveis com os novos valores. Isso começa quando fundimos esse processo com a arte, o design e o pensamento crítico”.

“Os artistas e os cientistas tendem a encarar os problemas com mente aberta e inquietude. E ambos não temem o desconhecido, preferindo dar saltos, em vez de passos consecutivos. Eles se tornam parceiros naturais. Com esse pensamento complementar, há um grande potencial quando eles colaboram de forma contrabalançada, gerando resultados inesperados, que podem ser muito mais valiosos do que quando esses profissionais trabalham separados”.

“As empresas ainda estão totalmente motivadas por metas que visam ao lucro, quando a criatividade pode abrir portas para novas ideias e transformações. ‘Criatividade é um bom negócio'”.

É importante ressaltar que quando falamos em design estamos pensando num processo (de questionamentos, reflexões e proposições perante uma demanda), ao contrário do que imagina grande parte dos empresários aqui no Brasil. Em diversos setores industriais o exercício da criatividade ou da inovação é reduzido à produção de invencionices, muitas vezes nascidas nas pranchetas de projetistas com pouca ou nenhuma formação em design.

Nunca se falou tanto de empreendedorismo aqui no Brasil: start-ups nascem todos os dias, com produtos e serviços inovadores, e assim vão abocanhando pequenas fatias do mercado. E no dicionário dos novos empreendedores a palavra-chave é Inovar.

Inovar é essencialmente buscar novas fórmulas para os mesmos problemas. Inovar é criar novos cenários, promovendo outras formas de comportamento, produção e consumo. Nos negócios bem-sucedidos do século 21 ‘inovar’ não é apenas ‘criar novos produtos’.