Definitive Gold

Por Editor DesignBrasil

Por Gustavo Greco

No dia 19 de janeiro desembarquei em Hamburgo, Alemanha, para mais uma experiência em um júri internacional de design. Depois de uma sequência bem-sucedida de prêmios de design pelo mundo, venho tendo a oportunidade de experimentar o outro lado da mesa.

Em 2013, estreei em grande estilo minha participação como jurado internacional no Festival de Cannes. Depois disso vieram Red Dot Design Awards, El Ojo de Iberoamerica e Prêmios Lusos.

O iF, prêmio que existe desde 1953, é reconhecido como um dos selos máximos do setor. E é sempre uma honra ser convidado para o júri de festivais dessa magnitude. É muito interessante estar do outro lado nos festivais e ter a chance de avaliar as melhores soluções criativas de participantes internacionais. Ainda mais gratificante é poder discutir design com profissionais altamente qualificados de todo o mundo. Mas o coração bate forte é na hora em que cai a ficha e você percebe que está ali representando o seu país.

O IF me impressionou por algumas peculiaridades. Hamburgo, com suas inúmeras pontes que disputam olhares com o Rio Elba, ostenta um dos maiores portos do mundo e serve como cenário perfeito para o prêmio que reforça sua qualidade de grande centro industrial. E é ali, na região portuária, que o júri se reúne e 53 profissionais de 20 países têm a incumbência de julgar 4.783 trabalhos de design advindos de todo o mundo. Não pude conter meu espanto ao entrar no pavilhão e deparar com todos os produtos dispostos lado a lado, ao mesmo tempo. Foi a primeira vez que participei de um júri no qual todas as categorias eram julgadas no mesmo espaço. Ali, carros (sim, os carros, mesmo), geladeiras e a cabine de um metrô lutavam com uma infinidade de outros produtos por um dos selos mais importantes da indústria do design. A visão era impressionante.

O júri é dividido em grupos de três jurados por categoria. Eu tive a sorte de fazer parte de um grupo que trabalhou em sintonia, em busca de projetos de excelência, mas com consenso. Bastava só olhar para o lado pra ver que nem todos os jurados pensavam assim e as discussões entre os vizinhos se acirravam com frequência.

A recepção é outro ponto a ser destacado. Somos tratados como estrelas, com todos as regalias a que se tem direito. Toda noite há um jantar para aproximar o grupo de jurados e nos quais os projetos vistos durante o dia continuam em pauta na mesa.

No último dia de julgamento, os prêmios Ouro são entregues para os projetos que mais se destacaram no festival. Apenas 0,8% dos inscritos recebem essa distinção. Para minha surpresa, fui informado de que não poderia participar dessa discussão. O que, a princípio, me soou preocupante logo se transformou em ansiedade. Um de nossos projetos (Palíndromo) era candidato ao Ouro. Em tempo: nos prêmios em que você é jurado e tem algum trabalho inscrito, você não julga seu projeto. Sei que é óbvio, mas vale esclarecer.

Aceitei o convite para me retirar e aguardei a discussão longe da mesa. Sabia da dificuldade de ganhar o Ouro. No ano passado, ganhamos com a marca da Bienal Brasileira de Design. Dois Ouros seguidos? Não, isso seria demais. É justamente nesses momentos de apreensão que a mente começa a nos pregar peças, fazendo-nos pensar que não dará certo.

O tempo não passava. E eu sou superansioso – e competitivo, confesso (risos).

Depois de muito tempo, me chamaram na mesa e meu colega de júri, em alemão, me deu a notícia: Definitive Gold! Voltei para o Brasil feliz com essa e com a notícia de que, nessa edição, o Brasil bateu recorde de prêmios no IF.

Palindromo 3 - Rafael Motta