Design de Interação e a Percepção das Tecnologias

Por Érico Fileno

Os designers voltam sua atenção para as pessoas e o modo como elas interpretam e interagem com o meio físico e social. E passam a projetar com foco na emoção e com intenção de proporcionar experiências agradáveis.

No fim do ano passado dei uma palestra para o curso de design da Universidade Tuiuti do Paraná, chamada Design de Interação e a Percepção das Tecnologias. A palestra fazia parte da Semana Acadêmica TECPLUS 2008 – muito bem conceituada e estruturada pelos alunos da organização. Nessa apresentação, procurei fazer uma conexão entre os sentidos sensoriais, que era a temática do evento, e a percepção do fazer científico do design de interação, junto ao desenvolvimento das tecnologias (no plural mesmo!).

A nossa percepção das tecnologias inicia-se no entendimento entre artefato e objeto, e por seu processo produtivo. Por artefato podemos compreender como qualquer coisa manufaturada (feita com as mãos) utilizada para determinado fim. E aqui podemos entender o fazer manual e mecânico como sujeitos da mesma ação: ser humano e máquina construindo coisas; porém continuam sendo coisas.

Quando damos um valor pessoal ao artefato, ele se torna em objeto. É quando a simples bicicleta se torna na minha magrela ou é quando um carro que busco na concessionária se transforma em um membro familiar com direito a um espaço dentro da arquitetura da casa (garagem) e a fazer parte das fotos da família, tal qual quando um recém-nascido chega do hospital.

Ao dar valor, nos aproximamos dos artefatos e ao nos aproximar, podemos perceber os objetos através dos nossos cinco sentidos sensoriais: visão, tato, paladar, olfato e audição. Ou seja, outras questões entram em debate.

Além de forma física e funções mecânicas, os objetos assumem forma social e funções simbólicas. Os designers voltam sua atenção para as pessoas e o modo como elas interpretam e interagem com o meio físico e social. E passam a projetar com foco na emoção e com intenção de proporcionar experiências agradáveis. É quando inserimos, segundo Donald Norman, na eterna discussão de Forma e Função dois outros elementos: Usabilidade e Emoção.

Uma das questões que o autor traz em seu livro Design Emocional é se as emoções representam um papel tão importante na experiência do usuário, como podem ser evocadas? A resposta a essa pergunta está essencialmente vinculada à maneira como percebemos o mundo e nos sentimos em relação a ele. A percepção é realizada através de nossos sentidos, que são responsáveis por nosso acesso ao conhecimento adquiridos através do processo cognitivo, à maneira como nos relacionamos mutuamente e com o mundo. A realidade percebida tem sempre efeitos emocionais correspondentes aos referenciais de cada pessoa. Isso é precisamente o que faz alguém escolher um produto em vez de outro: a maneira como a pessoa avalia (no sentido de dar valor) o produto. A consciência da interação entre produto e emoções é essencial ao projetar-se.

Ao projetar, o designer tem que ter em mente que o produto deve contar uma história e causar sensações. E é aqui que o design de interação pode contribuir para auxiliar na busca por criar uma sensação e uma experiência agradável em se utilizar tal objeto.

Para finalizar apenas esse breve artigo, pois voltarei a esse assunto mais vezes, gostaria de parabenizar a comissão organizadora do TECPLUS 2008 por um evento tão rico para o debate acadêmico de design.

Quer causar sensações agradáveis? Acesse www.faberludens.com.br .

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