Design de Interação: Em busca de um lugar ao sol

Por Érico Fileno

O novo termo Design de interação não é um modismo dentro do design. Ainda pouco conhecido no Brasil, o assunto já é um campo profissional e acadêmico valorizado nos mercados líderes em tecnologia.

O novo termo Design de interação não é um modismo dentro do design. Ainda pouco conhecido no Brasil, o assunto já é um campo profissional e acadêmico valorizado nos mercados líderes em tecnologia. Conta com uma associação profissional internacional, a IxDA Interaction Design Association, e vários programas de mestrado e doutorado como o Ivrea (Itália), Royal College (Inglaterra), Carnegie Mellon (Estados Unidos) e Umea (Suécia). Autores e profissionais da área referem-se a ela por meio dos acrônimos “iD” ou “IxD” (do inglês interaction design). Entendo por “Design de Interação” o design de produtos interativos, como websites, PDAs, jogos eletrônicos e softwares, que fornecem suporte às atividades cotidianas das pessoas, seja no lar ou no trabalho. Sendo fundamental para todos os campos e abordagens que se preocupam em pesquisar e projetar sistemas baseados em sistemas computacionais para pessoas. O foco do Design de Interação está nas relações humanas tecidas através dos artefatos interativos, que funcionam também como meios de comunicação interpessoal.Figura 1 Campo de atuação do Design de Interação.

A imagem acima mostra o campo de atuação do designer de interação. Ele trabalha junto ao objeto de interface entre dois usuários, na interação sujeito-sujeito. O objeto de interface não deve ser problema para que ocorra a interação entre os usuários. O foco do trabalho é centrado no usuário do sistema, no qual é gerada uma expectativa para o designer que, com essas informações, consegue desenvolver uma melhor interação entre eles: usuários e sistema ou outro objeto de interface. Design de Interação é um novo campo do conhecimento que estuda como criar experiências significativas para os usuários através de produtos interativos. Estes podem ser: um microcomputador, um liquidificador, um telefone celular, uma máquina fotográfica ou qualquer outro aparelho que participe ativamente de uma determinada ação humana (interação). Apesar de esta ser uma disciplina que conta com a contribuição direta de campos como a Psicologia, a Informática, a Engenharia e a Comunicação, ela fornece a maior parte dos fundamentos que constituem a Interação Humano-Computador (IHC), que estuda um tipo específico de interação. Na verdade, a proposta do Design de Interação é expandir o escopo de IHC para permitir sua aplicação em contextos mais variados e amplos. Além disso, como vimos, o Design de Interação é uma evolução de outras áreas de estudo do design, tais como Design de Interface e Design Centrado no Usuário. O termo Interação Humano-Computador (IHC) foi adotado, em meados dos anos 80, como um meio de descrever o campo de estudo entre humanos e os computadores, que surgiam nessa época. O termo emerge da necessidade de mostrar que o foco de interesse é mais amplo que somente o design de interfaces e abrange todos os aspectos relacionados com interação entre usuários e computadores. O que importa no IHC é a interação, porém a relação fica restrita apenas entre o usuário e o aparato tecnológico, seja ele um sistema de computador, ou alguma outra máquina. IHC é a disciplina preocupada com o design, avaliação e implementação de sistemas computacionais interativos para o uso humano e com o estudo dos principais fenômenos ao redor deles. Isso demonstra a importância do IHC para um estudo mais amplo do Design de Interação, mas não significa que esta seja a única disciplina a contribuir para o design de interação, como fica claro na imagem a seguir:

Figura 2 Disciplinas que contribuem para o Design de Interação. A figura acima apresenta todas as disciplinas envolvidas no processo de design de interação: Ergonomia, Psicologia, Informática, Engenharia, Ciência de computação, Antropologia, Sociologia, IHC, Sistemas de informação, Design gráfico, Design de produtos e Trabalho cooperativo. O meio por onde ocorre a interação entre o usuário e o produto é chamado de interface, o principal objeto de discussão dentro do design de interação. O termo surgiu com os adaptadores de plugue usados para conectar circuitos eletrônicos. O mesmo termo passou a ser usado para o equipamento de vídeo empregado para examinar o sistema. A interface pode ser entendida também como uma janela para o ciberespaço, a conexão humana com as máquinas, que se interligam através do ciberespaço. Uma interface está entre o humano e o maquínico, uma espécie de membrana, dividindo e ao mesmo tempo conectando dois mundos que estão alheios, mas também dependentes um do outro. A interface pode derivar suas características mais da máquina ou mais do ser humano, ou ainda buscar um equilíbrio entre ambas. A interface demarca o ponto de negociação entre o ser humano e a máquina; e determina ainda uma nova linguagem. Não se pode pensar em interfaces sem considerar o ser humano que vai usá-la e, portanto, interface e interação são conceitos que não podem ser estabelecidos ou analisados independentemente. Assim, se fez necessário o surgimento de uma nova sub-área dentro do design que trabalhasse com essa nova linguagem, que mantivesse o foco social da interface e que fosse além das abordagens analíticas como as encontradas na Ergonomia, IHC e Design de Interface. A principal proposta do Design de Interação é canalizar a criatividade do designer para o desenvolvimento de produtos interativos. Por isso no Brasil, ainda estamos delimitando nosso caminho e buscando nosso lugar ao sol.

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