Design de Produto no Brasil: apenas uma “onda”?

Por Editor DesignBrasil

Os escritórios de design precisam cada vez mais apresentar resultados práticos, com produtos factíveis, de acordo com as possibilidades de investimento do cliente e atendendo à necessidade dos seus consumidores.

* Por Levi Girardi

Há um certo consenso entre os profissionais de design de produto que o momento que experimentamos hoje no Brasil é único.

O design, como ferramenta integrante e essencial ao sucesso de um produto, ultrapassou os limites das grandes empresas e corporações multinacionais, como as montadoras de automóveis e fabricantes de eletrodomésticos, chegando definitivamente à pequena e média empresa, onde na planilha de investimentos para o desenvolvimento de um novo produto passou definitivamente a incluir a linha design.

É verdade que a fase que a economia brasileira experimenta somada à necessidade de melhoria da qualidade geral dos produtos com vistas à exportação, tem incentivado a inclusão do design no processo de criação de um produto. Mas seria muito simplista restringir esta onda de design somente a esta conjuntura econômica.

Muitas vezes esta necessidade imediata é apenas o início de um processo, que aproxima o profissional de design à indústria para uma primeira tentativa. Mas daí em diante, o que tem sido decisivo para a assimilação do design é a melhoria da qualidade das respostas dadas pelos profissionais às indústrias e ao mercado.

Apesar da excepcional qualidade dos projetos de design brasileiros das últimas décadas, não raro ouvíamos lamentos de experiências mal sucedidas através produtos inviáveis ou que o mercado não assimilava. É claro que a lista de sucessos também era grande, mas o que se percebe hoje em dia é que o espaço para tentativas com risco de insucesso tem diminuído.
Com isso, os escritórios de design precisam cada vez mais apresentar resultados práticos, com produtos factíveis, de acordo com as possibilidades de investimento do cliente e atendendo à necessidade dos seus consumidores.

E parece que é isso que tem acontecido, com uma leva cada vez maior de produtos Made in Brazil com bom design (leia-se: esteticamente bem resolvidos funcionalmente eficazes e industrialmente viáveis), o que faz com que o industrial não veja como – daí para frente – desenvolver um novo produto sem o uso da ferramenta design.

Ainda aliado a este panorama favorável, o designer no Brasil tem hoje acesso à excelentes ferramentas de projeto (a um custo ainda alto), que somado à criatividade que sempre os diferenciou, gera projetos realmente interessantes. Para constatar, basta observar as duas últimas edições do prestigiado iF Design Award alemão, onde um número recorde de projetos brasileiros foi premiado.

Cabe então aos profissionais de design de produto e escritórios de aproveitarem esta onda para finalmente concretizarem o design de produto no país como um grande e indispensável diferencial competitivo.

* Levi Girardi é designer de produtos, sócio-diretor do escritório de projetos Questto Design e Diretor da ADP Associação dos Designers de Produto. Seu escritório, a Questto Design, tem atuação em vários segmentos como Equipamentos Médicos, Informática, Automação Comercial e Bancária, Automobilística etc e tem recebido importantes Prêmios Nacionais e Internacionais de Design, como o Prêmio Design Museu da Casa Brasileira e por três vezes o iF Design Award, na Alemanha.

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